Estive a Ler: A Liga da Lei, Mistborn 2.ª Era #1


Era uma boa arma, não tão boa quanto as de Ranette, mas pequena e adequada para um cavalheiro. Tinha decidido que seria um lorde, e não um homem da lei, mas isso não significava que sairia por aí desarmado. Isso… bem, isso seria simplesmente insano.

O TEXTO SEGUINTE ABORDA O LIVRO “A LIGA DA LEI”, PRIMEIRO VOLUME DA SÉRIE MISTBORN 2.ª ERA

A Liga da Lei surgiu como um mero exercício de escrita, quando Brandon Sanderson preparava-se para começar a trabalhar no décimo terceiro livro da aclamada série A Roda do Tempo de Robert Jordan, a qual foi incumbido de terminar após a morte do autor. Embora tenha sido escrito de forma leve e descontraída, Brandon acabou por decidir juntar este livro ao cânone da sua série Mistborn, tornando-o uma ponte entre a primeira e a segunda trilogia. Tornou-se, porém, o primeiro dos quatro livros da segunda fase, também chamada de série Wax & Wayne.

Mistborn é uma das séries mais aclamadas do autor do Nebraska. Atualmente, Brandon vive com a esposa e os filhos no Utah e dá aulas de escrita criativa na Brigham Young University. É um dos autores mais populares da atualidade, reconhecido pelas suas imensas séries em produção contínua. Esta edição brasileira da Leya tem um total de 288 páginas e tradução de Petê Rissati, tendo sido lançado num box conjunto com os primeiros três livros na última ComicCon de São Paulo.

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Fonte: http://www.pelatocadocoelho.com.br/noticias/leya-lanca-box-da-segunda-era-de-mistborn-na-ccxp/

Pois é, voltei a Scadrial, o fragmento de mundo da Cosmere onde se passa Mistborn. Se andas desatualizado, a Cosmere é o universo compartilhado da grande maioria das obras do autor norte-americano Brandon Sanderson. A primeira era de Mistborn apresentou-nos uma história sobre minorias e superação, um sistema de magia que se dividia em alomânticos, feruquimistas e hemalúrgicos, em bom português uma variedade de personagens com capacidades incríveis graças às alterações metabólicas que a ingestão de metais, o uso de braceletes ou o contacto com aço na pele podem causar a quem possui determinada ascendência familiar.

“Wax vê-se envolvido numa conspiração sem precedentes, ao mesmo tempo que tenta resolver os problemas da família.”

Mas o mundo que conhecemos na primeira era de Mistborn mudou. Passaram-se trezentos anos e vive-se agora numa Era Industrial, com os primeiros automóveis a aparecerem, armas de fogo a serem sacadas dos coldres e toda uma parafernália de tecnologias a despontar. Não esperem a escala de épico que testemunharam na primeira era. Este livro é quase um western puro e duro, meio que tipo… com super-heróis, se olharmos dessa forma para alomânticos e companhia.

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Fonte: http://leya.com.br/mistborn-segunda-era-vol-1-a-liga-da-lei/

A Liga da Lei é um bom livro de entretenimento. Ele não te traz em nenhum momento uma dimensão de incrível, mas vale muito a pena, não só pelas intermináveis sequências de ação em que vês cowboys a voar, Puxar e Empurrar, criar bolhas de tempo, aumentar e diminuir força, como tens uma investigação policial a resolver e ainda as larachas sempre bem metidas de um dos protagonistas. Em boa verdade, não fosse o humor, o livro não tinha metade da qualidade.

Wax e Wayne são os dois protagonistas do livro. Eles são uma espécie de justiceiros nas Terras Brutas, determinados em levar a lei aos povoados mais desprotegidos. São descendentes de terrisanos, por isso possuem não só as capacidades mágicas dos alomânticos (como Vin, Kelsier e companhia), como as dos feruquimistas (como Sazed), o que os faz serem chamados de duplonatos. Wax é o diminutivo de Waxillium Landrian, um homem da lei de origens abastadas que encontrou o amor nas Terras Brutas, onde se fixou com Lessie, a mulher.

Uma série de acontecimentos, envolvendo a morte de familiares, faz com que Wax regresse a Elendel – a antiga Luthadel – uma cidade cosmopolita onde é obrigado a manter as aparências e a gerir uma imensa propriedade. É aqui que conhecemos Tillaume, o velho mordomo, bem como o estado calamitoso das finanças da família. Para tentar salvar a situação, é proposto que Wax venha a casar com Steris, filha do senhor Harms, um acordo de conveniência que deixa os Harms ligados ao bom nome dos Landrian e os Landrian com o dinheiro dos Harms.

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Fonte: https://www.pinterest.pt/pin/377809856216404111/

Tudo isto parecia fácil de concretizar, não fosse o nobre vir ainda acompanhado por uma rapariga algo tímida chamada Marasi Colms, que de uma forma ou de outra cativa mais Wax que a própria Steris, ou se o “diabólico” Wayne, com os seus milhões de disfarces e respostas na ponta da língua, não se metesse ao barulho. Para piorar a situação, um grupo de foras-da-lei tem atacado a cidade, sequestrando mulheres, sem as devolver nem exigir um resgate. Wax vê-se envolvido numa conspiração sem precedentes, ao mesmo tempo que tenta resolver os problemas da família.

Outras personagens enriquecem a história, como o antigo parceiro de Wax, Miles, com as suas capacidades de regeneração incríveis, a profícua inventora e fabricante de armas Ranette ou o Braço de Peltre Tarson, um cowboy com sangue de colosso. Apesar de ser um elenco mais diminuto que aquele que conhecemos na primeira era, temos várias referências a velhos conhecidos. Elendel deve o nome ao personagem Elend, a religião do Sobrevivente (Kelsier) continua em voga e Vin, a Guerreira Ascendente, é uma personagem mitológica, bem como Marsh, o Olhos de Ferro.

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Fonte: https://brandonsanderson.com/books/mistborn/the-alloy-of-law/alloy-of-law-maps-and-illustrations/

É uma trama mais bem limada e fechadinha que aquela que encontramos em O Império Final, por exemplo, embora a proposta seja completamente diferente. Aqui não queremos salvar a Humanidade de um deus-rei egocêntrico, só queremos resolver uma série de raptos. Como tal, a escala de épico é obrigatoriamente menor. Ainda assim, a evolução de Scadrial faz todo o sentido e tudo indica que a sequência aumente a dimensão do mundo, se olharmos para este livro como uma introdução para esta nova era.

“Em termos de narrativa, funcionou como um “policial”, embora esperasse mais ligações à proposta e à explosão de sentimentos que foi a primeira era.”

Pessoalmente, estava bastante empolgado para conhecer este mundo de fantasia com aura de faroeste, e embora não me tenha impressionado em nenhum momento (ok, Brandon, como conseguiste arranjar uma piada em cada fala do Wayne?) também não me desapontou. Wax e Wayne são dois protagonistas incríveis, capazes de “dançar” nos céus com as suas capas desfiadas a levitar e um revólver em cada mão, acelerar a velocidade das balas, diminuir o tempo envolvente ou até preservar saúde.

Fonte: https://brandonsanderson.com/books/mistborn/the-alloy-of-law/alloy-of-law-maps-and-illustrations/

Em termos de narrativa, funcionou como um “policial”, embora esperasse mais ligações à proposta e à explosão de sentimentos que foi a primeira era. A escrita de Brandon Sanderson continua a cumprir pelos requisitos mínimos, ágil e acessível, sem qualquer preocupação com efeitos linguísticos ou vocabulário, o que torna a leitura bem fluída, mas deixa a sensação de que lhe falta bagagem para merecer ser o verdadeiro fenómeno literário em que se tornou. Ainda assim, A Liga da Lei é um livro muito bom. E aqueles recortes de jornais fictícios entre os capítulos foram muito bem metidos!

Avaliação: 7/10

Cosmere:

The Stormlight Archive (Tor Books):

#1 The Way of Kings

#2 Words of Radiance

#2.5 Edgedancer

#3 Oathbringer

Mistborn Era 1 (Saída de Emergência):

#1 O Império Final

#2 O Poço da Ascensão

#3 O Herói das Eras Parte 1

#4 O Herói das Eras Parte 2

Mistborn Era 2 (Leya):

#1 A Liga da Lei

#2 As Sombras de Si Mesmo

#3 Os Braceletes da Perdição

Mistborn (Noveletas):

Secret History

Warbreaker:

#1 Warbreaker

White Sand (Dynamite):

#1 White Sand Volume 1

Elantris (Leya):

#1 Elantris

#* The Emperor’s Soul

Mulheres Perigosas (Saída de Emergência)

#* Sombras Para Silêncio nas Florestas do Inferno

(*) conto incluído em antologia

 

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