Estive a Ler: O Olho do Mundo, A Roda do Tempo #1


A folha vive o tempo que lhe cabe, e não luta contra o vento que a leva embora.

O TEXTO SEGUINTE ABORDA O LIVRO “O OLHO DO MUNDO”, PRIMEIRO VOLUME DA SÉRIE A RODA DO TEMPO

Robert Jordan foi o nome com que ficou mais conhecido James Oliver Rigney Jr. no mundo da literatura, mais concretamente no âmbito do fantástico, graças à sua famigerada série A Roda do Tempo. Nascido em Charleston, na Carolina do Sul, Jordan foi militar no Vietname entre 1968 e 1970, vindo mais tarde a destacar-se como engenheiro nuclear. Começou a escrever em 1977, embora nunca tenha vindo a terminar a sua obra maior, que publicara de 1990 até à data da sua morte.

Em 2005, Robert Jordan soube que lhe restava pouco tempo de vida e então dedicou-se profundamente ao último volume da série, que se tornaria um manuscrito enorme. Após a sua morte em 2007, a viúva do escritor contactou o então quase desconhecido Brandon Sanderson para adaptar aquele manuscrito e dar um final digno à saga do marido, que acabou por resultar nos últimos três livros de uma série de 14. A versão nacional do primeiro volume, pela Bertrand Editora, tem um total de 814 páginas.

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Fonte: https://geekandsundry.com/the-wheel-of-time-is-officially-coming-to-television/

Andei dois meses a pegar e a largar este livro e terminei com uma sensação de indiferença absurda. Atenção: O Olho do Mundo tem as suas qualidades, simplesmente não é um livro para mim. Talvez se o tivesse lido há dez anos atrás, estas aventuras e desventuras de um grupo de miúdos escolhidos contra um Senhor das Trevas me dissesse algo. Hoje em dia, este tema só me apaixona se for tratado de maneira subversiva, o que aqui claramente não foi.

“Os Aes Sedai masculinos enlouqueceram, mas as mulheres continuam a conseguir manusear a magia e a esconder os antigos segredos.

Gostei do início e tentei abstrair-me aos traços óbvios que a narrativa “comprou” a J. R. R. Tolkien.  A escrita do autor é competente, mas sem grandes dotes e, na grande maioria das vezes, exageradamente descritiva. É raro acontecer comigo, mas adormeci a ler este livro. Isso significa que o achei enfadonho? Não necessariamente. O livro tem muitas cenas cheias de ação e ritmo, mas muitas vezes o autor perdeu capítulos inteiros só para descrever uma cidade.

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Fonte: https://www.bertrandeditora.pt/produtos/ficha/o-olho-do-mundo/194919

A premissa do livro é interessante. Uma divindade conhecida como o Criador criou o universo e a Roda do Tempo. A Roda não tem fim nem início, ela apenas existe e tece os dias na Terra. Ela roda graças ao Poder Único, obtido da Fonte Verdadeira, composta da energia de metades masculinas e femininas (saidin e saidar, respectivamente). Humanos que conseguem manipular essa força são chamados de canalizadores, e a principal organização mencionada nos livros capaz disso são as Aes Sedai, na atualidade apenas composta por mulheres.

O Criador aprisionou Shai’tan no momento da criação, mas uma experiência fracassada das Aes Sedai libertou acidentalmente a sua energia maligna no mundo. O Tenebroso (Shai’tan) é, portanto, o dark lord da série, prometendo poder e imortalidade para aqueles que aceitam juntar-se a ele. Um século após a sua fuga, iniciam-se guerras abertas entre as forças do Tenebroso e os seguidores da Luz, tendo estas como seu líder Lews Therin Telamon, o Dragão.

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Fonte: https://www.imagekind.com/x-Lan-and-Moiraine-from-the-Wheel-of-Time_art?IMID=cb1c46f1-90a6-4fd4-9e22-f987d6652f91

O Dragão liderou um grupo de homens e conseguiu selar novamente a prisão do Tenebroso, mas a repercussão foi nociva para eles, uma vez que os os saidin saíram de lá maculados pelo Shai’Than. Os Aes Sedai masculinos enlouqueceram e causaram a ruptura do mundo, dando fim à Era das Lendas. As profecias diziam que um dia “O Sangue do Dragão Renascido sobre as pedras de Shayol Ghul libertará a humanidade da Sombra”.

“O livro tem muitas cenas cheias de ação e ritmo, mas muitas vezes o autor perdeu capítulos inteiros só para descrever uma cidade.”

Em O Olho do Mundo conhecemos Rand al’Thor, Matrim Cauthon e Perrin Aybara, que podem ser considerados os três grandes protagonistas da história. Uma vez que comungam da idade e da origem, Dois Rios, são os mais bem cotados para serem aquele de que falam as profecias, o Dragão Renascido. A Rand, Mat e Perrin juntam-se Egwene, o interesse amoroso de Rand, Nynaeve, a Sabedoria de Dois Rios, Tom Merrilin, um menestrel, e dois estranhos visitantes, Moiraine, uma Aes Sedai bastante sábia e misteriosa e Lan, um Guardião taciturno.

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Fonte: https://www.dynamite.com/htmlfiles/viewProduct.html?PRO=C72513018417702211

Após o ataque à aldeia de Dois Rios, perpetrado por Trollocs e Semi-Homens, que deixou Tam, o pai de Rand, gravemente ferido, é através de Moiraine que eles sabem que estão a ser perseguidos pelas forças do Tenebroso, oferecendo-lhes ajuda a chegarem a Tar Valon, onde as Aes Sedai os poderão proteger e explicar a sua importância para a Roda do Tempo. Os Aes Sedai masculinos enlouqueceram, mas as mulheres continuam a conseguir manusear a magia e a esconder os antigos segredos.

Um dos grande problemas de A Roda do Tempo é a semelhança gritante com O Senhor dos Anéis, de que o autor era fã. Apesar de introduzir elementos do hinduísmo e do budismo no conceito da Roda e das culturas islâmicas e mesmo cristãs, evidentes na dualidade Criador – Shai’tan (Shaytan é a palavra árabe para Diabo), não só as personagens como a estrutura narrativa assemelham-se largamente à obra de J. R. R. Tolkien. E há muito tempo que me cansei destas imitações.

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Fonte: ww.denofgeek.com/us/tv/wheel-of-time/263967/wheel-of-time-tv-series-moves-forward

Dois Rios é uma povoação passada a papel químico do Shire tolkieniano, os Myrddraal são semelhantes aos espectros do anel, os Trollocs são uma espécie de orcs (embora tenham focinhos de animais), para além de não faltar o clássico grupo de jovens heróis quase acidentais que se tornam a única esperança da Humanidade na clássica luta bem contra o mal, que o zoroastrismo transformou no drama literário dos últimos séculos.

Ao mesmo tempo, Jordan confere à história um cunho pessoal e consegue fugir aos estereótipos numa ou noutra ocasião, deixando o painel de protagonistas desenvolver-se em igual medida, sem deixar um único demarcar-se dos demais por si só. Gostei bastante de Lan e da história dos Falsos Dragões. A garantia de que a história melhora nos próximos volumes faz-me ponderar se continuarei A Roda do Tempo, mas, no global, O Olho do Mundo não foi seguramente nenhuma experiência enriquecedora.  

Avaliação: 4/10

A Roda do Tempo (Bertrand Editora):

#1 O Olho do Mundo

#2 A Grande Caçada

#3 O Dragão Renascido

#4 A Sombra Alastra

#5 The Fires of Heaven

#6 Lord of Chaos

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