Resumo Trimestral de Leituras #14


E o primeiro semestre de 2018 chegou ao fim. Isto passa rápido, não é? Se o primeiro trimestre tinha sido rico em excelentes leituras [espreita aqui] não me posso queixar do segundo. O ritmo continua muito bom, já tendo lido mais este ano do que no ano transacto por esta altura. A popularidade do blogue também continua em crescendo, com uma média de 120 visualizações diárias, mas isso são outros quinhentos.

Os meus destaques literários dos meses de abril, maio e junho vão para Brandon Sanderson, Ken Follett e Ray Bradbury, por razões distintas. Sanderson, pela quantidade de livros que dele li durante este trimestre. Não só tive a oportunidade de começar a sua trilogia Executores, como li os três livros já lançados da Segunda Era de Mistborn, que não me desiludiu minimamente. Follett continua a ser uma dos nomes que me vêm à mente quando falo em escritores preferidos, e a leitura de Uma Coluna de Fogo revelou-se a minha predilecta do corrente ano até ao momento. Fahrenheit 451 de Bradbury foi a minha última leitura do mês. Uma grande surpresa. Já te conto o que achei.

Melhor livro: Uma Coluna de Fogo, Ken Follett

Melhor BD: New World Order (The Walking Dead #30), Robert Kirkman, Charlie Adlard, Cliff Rathburn e Stefano Gaudiano

Pior Avaliação: Nove Príncipes de Âmbar (As Crónicas de Âmbar #1), Roger Zelazny

Sem títuloComecei abril com Sonho Febril, livro de vampiros escrito por George R. R. Martin no início dos anos 80, publicado em Portugal pela Saída de Emergência. Não tem uma escrita tão elaborada e uma narrativa tão densa quanto Martin nos presenteia nas Crónicas de Gelo e Fogo, mas é realmente difícil fazê-lo num romance isolado. Ainda assim, o livro é muito bom. De um lado temos a visão histórica que perpassa os anos da escravidão, da guerra e do abolicionismo, oferecendo-nos uma panorâmica única sobre os desfiles de embarcações ao longo do Mississipi e dos seus afluentes, do outro, uma trama de vampiros, protagonizada por Abner Marsh, um homem corajoso e sonhador que, para realizar o sonho de ser capitão de uma grande embarcação fluvial, acaba por forjar um pacto com um ser das trevas. Escrito por Roger Zelazny em 1962, Nove Príncipes de Âmbar é o primeiro volume das famosas Crónicas de Âmbar, que serviram de inspiração a autores como George R. R. Martin, Steven Erikson ou Neil Gaiman. Pessoalmente, não me encantou. É giro ver uma disputa de irmãos por um reino, capazes de se comunicar e transportar através de um baralho de cartas com as suas próprias ilustrações, mas não comprei a ideia, achei amador, tudo muito repentino, sem background e sem qualquer verosimilhança. É um livro pequeno, mas nunca um livro tão pequeno me custou tanto a ler.

Sem TítuloA parceria G Floy Studio com a ComicHeart volta a dar cartas e Dragomante: Fogo de Dragão é a nova BD resultante da colaboração. Manuel Morgado, ilustrador português reconhecido em França, convidou o famoso autor de fantasia Filipe Faria para ilustrar os seus desenhos, e juntos criaram uma história de fantasia medieval que consegue não cair no cliché. Nereila é a primeira mulher Dragomante em séculos, que prossegue o seu treino com o Preceptor Leunaius, mas nem ela nem o seu dragão estão seguros quando um barão odioso planeia vingar-se dos feitos do seu pai. Carbono Alterado é o famoso primeiro romance de Richard Morgan, que recentemente foi adaptado pela Netflix numa série de grande sucesso. O livro foi publicado pela Saída de Emergência em 2008, e embora não tenham publicado mais nenhum livro da trilogia Takeshi Kovacs, voltam a editar este livro 10 anos depois. A trama é futurista, com traços de policial e de noir, enquadrado no sub-género da ficção científica cyberpunk. Aqui, a morte é passageira, porque as pessoas têm um chip que pode ser implantado em outro corpo depois de mortos. Claro está, os ricos têm poder para se clonar a si mesmos e o protagonista é contratado para investigar um homicídio… pela própria vítima. Excelente livro, embora tenha gostado muito mais da escrita do que da ação em si.

Sem TítuloCoração de Aço é o primeiro volume da série Executores de Brandon Sanderson. Trata-se de um YA leve que explora a temática dos super-heróis no nosso mundo, algures no futuro, com a peculiaridade de que aqui, os super-heróis são vilões. David Charleston é um rapaz normal, que aos oito anos viu o pai ser morto por um Épico no interior de um banco, e então dedicou a vida à sua vingança. Ele coleciona uma vasta pesquisa sobre o Épico conhecido como Coração de Aço e o mundo que este erigiu à sua volta, o que o transforma no típico nerd lá do sítio. Mas só arranja armas para perpetrar a sua vingança quando se junta aos Executores, um grupo de humanos que trabalha arduamente para eliminar estes super-heróis. É um livro mediano, bem abaixo do nível a que o autor já nos habituou. Potter’s Field: O Cemitério dos Esquecidos é uma BD publicada no nosso país pela G Floy, com argumento de Mark Waid e arte de Paul Azaceta. Somos apresentados a John Doe, um homem invisível, sem identidade, sem passado e sem qualquer nome nas redes de informação e bases de dados. Doe estabeleceu um objetivo para si mesmo: descobrir quem foram todos os que se encontram enterrados no cemitério de Potter’s Field, em Hart Island, e dar-lhes justiça, fazendo o mundo lembrar-se dos seus nomes. Envolvente e castrador ao mesmo tempo que é simples e intenso, é um álbum que não agradará a todos, mas decerto agradará aos melhores fãs de noir e de policial.

Publicado pela Editorial Presença em 2003, A Mão Esquerda das Trevas é um dos livros mais aclamados da autora de fantasia e ficção científica Ursula K. Le Guin, que nos deixou este ano. É um livro lindíssimo. Não pela narrativa em si, que apresenta um início um tanto ou quanto vago, algumas passagens demasiado rápidas, outras demasiado morosas, mas pelo todo. Genly Ai é enviado para o planeta Gethen por uma federação interestelar chamada de o Ecuménio. Ali conhece uma nação de aparência medieval onde se podem encontrar rádios, telefones e outras tecnologias, e onde enceta uma relação peculiar com um nativo chamado Estraven, conselheiro do rei. Se ao início senti algumas dificuldades em engrenar na leitura, a pouco e pouco fui-me deixando embalar e do meio para a frente já não conseguia largar o livro. A escrita de Ursula é fantástica. O mangá One-Punch Man, com argumento de One e arte de Yusuke Murata, tem sido publicado regularmente em Portugal pela editora Devir. Apesar de não ter desgostado dos primeiros volumes, estes três (volumes 4, 5 e 6) conquistaram-me, sem dúvida, graças à adição de novas personagens e ao papel que o protagonista, Saitama, tem desempenhado. Mais ágil, melhor aproveitado, com várias personagens secundárias a serem exploradas, trazendo ao leitor uma boa dose de humor sem descurar as cenas de ação. Destruição em massa e um sorriso no rosto bem podia ser o slogan para esta série cuja premissa trata de um super-herói capaz de derrotar qualquer monstro com um único murro.

livro ken follett

Comecei maio com Uma Coluna de Fogo de Ken Follett, publicado pela Presença no ano passado. Apesar de as artes deixarem de ter a suma importância do livro, e de a ação já não se centrar em Kingsbridge como nos anteriores volumes do ciclo, gostei ainda mais deste do que de Os Pilares da Terra e Um Mundo Sem Fim. Acompanhamos os golpes políticos da Europa na segunda metade do século XVI, numa luta renhida entre Isabel Tudor e Maria Stuart, que representaram os ideais protestantes e católicos à época. Repleto de personagens deslumbrantes, este livro passa por Inglaterra, França, Espanha e até pela Escócia, com Ned Willard e Margery Fitzgerald como protagonistas. A Levoir e o Jornal Público continuam a sua colaboração. Desta vez, com a publicação de Y: O Último Homem de Brian K. Vaughan e Pia Guerra. O primeiro volume, Um Mundo Sem Homens, não me convenceu. Tinha as expectativas em alta, mas a história de um mundo em que todos os homens morreram, com excepção do protagonista Yorick e do seu macaco Ampersand, revelou pouco mais do que a premissa neste volume inaugural. Sou fã dos argumentos de Vaughan, mas aqui só vemos mesmo a extinção dos homens e o interesse generalizado que as mulheres remanescentes começaram a possuir pelo lugar dos falecidos… e por Yorick, claro está. Paralelamente a isso, a arte de Pia Guerra não me agradou por aí além.

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Embora ainda não haja previsões para ser publicado em Portugal, chegou-me a edição brasileira do box da editora Leya de Mistborn – Segunda Era, de Brandon Sanderson. A Liga da Lei, o primeiro volume, apresenta-nos uma dupla de protagonistas ágil e bem-humorada, Wax e Wayne, que para além de serem os melhores pistoleiros de Elendel, justiceiros por natureza, são duplonatos, unindo as capacidades de alomância e feruquimia devido à sua ascendência terrisana. Esta série é uma fantasia com alma de faroeste, passada numa Era Industrial trezentos anos após os eventos da primeira trilogia. Apesar de ser mais um policial do que uma fantasia épica como a Primeira Era, A Liga da Lei é um livro bem divertido e interessante. Continuei a ler as BDs já publicadas no nosso país pela Levoir em parceria com o jornal Público Y: O Último Homem (volumes 2, 3, 4, 5 e 6). Da obra de Brian K. Vaughan e Pia Guerra apenas faltam publicar os últimos quatro volumes, e apesar de ter melhorado consideravelmente nos últimos álbuns, esperava uma obra menos esparsa e repetitiva, em alguns momentos até mesmo preconceituosa. Ainda assim, a arte de Pia Guerra veio a melhorar bastante, e mesmo as participações de Goran Parlov e Goran Sudzuka conseguiram manter o nível artístico da autora canadiana. O melhor da série são mesmo os diálogos bem-humorados, as várias referências ao longo da obra e as relações interpessoais das várias personagens, principalmente Hero, 355 e Alison Mann, para com o protagonista Yorick, o último homem na Terra.

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Continuei a leitura da Segunda Era de Mistborn, publicada no Brasil pela Leya. A fantástica série de Brandon Sanderson atinge um outro patamar e expande a Cosmere. Se o primeiro volume desta nova era, meio “western”, meio “vitoriana”, já me tinha agradado, estes dois volumes subsequentes foram ainda melhores. As Sombras de Si Mesmo é um dos melhores livros que já li de Sanderson, ao “ressuscitar” o mistério dos kandras e envolver estes comedores de ossos numa intriga política bem amarrada, onde os nossos heróis, Wax e Wayne, têm de mover mundos e fundos para evitar o caos em Elendel e salvar o pescoço ao governador. Mas é Marasi Colms, a nova agente da autoridade, que reclama para si muito do protagonismo deste livro. Em Os Braceletes da Perdição, a trama sai de Elendel para nos mostrar que Scadrial está muito mais evoluído do que pensávamos, e uma aura de ficção científica atinge os protagonistas numa aventura cheia de ritmo em busca das famosas mentes de metal do Senhor Soberano. Shark-Killer é o terceiro volume da trilogia escrita em inglês, e publicada na Amazon, do autor nacional Bruno Martins Soares. É uma ficção científica espacial num mundo bem original e refrescante, com uma terminologia abertamente inspirada na temática militar náutica e uma aura Battlestar Gallactica. Não apreciei tanto este último volume como os antecessores, mas foi o coroar de uma história leve e corajosa cheia de batalhas espaciais, perdas e dramas pessoais. E lê-se num instante.

Sem títuloTerminei maio a ler O Caminho das Mãos, terceiro volume da Saga do Império Malazano de Steven Erikson, publicado pela Saída de Emergência. E entra diretamente para o meu top de livros de eleição. Com uma escrita incrível, Erikson conduz-nos por um mundo fantástico cheio de dragões, mortos-vivos (e até mesmo dragões mortos-vivos), macacos que mudam de forma, labirintos e magia por todo o santo lugar, e ainda assim consegue ser terrivelmente credível. Acompanhamos duas jovens com muito mais em comum do que poderiam ter à primeira vista, Apsalar e Felisin, dois amigos que se tentam proteger um ao outro como podem, Mappo e Icarium, e a tentativa suicida de um exército liderado pelo Punho Coltaine de salvar a vida a 5 mil refugiados, pelos olhos do historiador Duiker. Palpável e terrivelmente desolador, este é um daqueles livros que não deixa ninguém indiferente. E comecei junho a ler outra das minhas sagas preferidas, a Saga Assassino e o Bobo. Faltam-me palavras para tecer mais elogios à autora Robin Hobb, bem como à Saída de Emergência pela aposta tão consistente nesta escritora. A Demanda do Bobo é mais um livro incrível, emocionante, profundo e “terrivelmente” bem escrito. Fitz começa os preparativos para iniciar a busca pela filha sequestrada, mas os seus inimigos estão muito mais perto do que imagina. Este acabou por ser o livro desta nova saga que menos me agradou, especialmente pela morosidade da ação e pela parte final mais fantasiosa, mas ainda assim são raros os livros publicados em Portugal que lhe cheguem aos calcanhares.

MOW

Publicado pela G Floy em 2016, Men of Wrath: Má Raça é mais um dos trabalhos incríveis do autor Jason Aaron, que acompanho nas séries Os Malditos e Southern Bastards. Esta novela gráfica, com arte de Ron Garney, fala de uma família disfuncional e do karma obscuro que a acompanha desde que, muito tempo atrás, ocorreu o primeiro homicídio por causa de umas ovelhas. Os Rath começaram a revelar-se violentos e obscuros e os dias que correm não são exceção. Má Raça fala desta família e dos seus dramas, com saúde, sexo e pancadaria como principais ingredientes. Visualmente arrebatador. Li o incontornável Cem Anos de Solidão de Gabriel Garcia Márquez, publicado entre nós pela D. Quixote. Neste livro intemporal, acompanhamos a família Buendía-Iguaran e a povoação fictícia de Macondo, conhecendo José Arcádio e Úrsula, bem como os seus filhos, netos, bisnetos e trisnetos. A maioria têm nomes iguais, como José Arcádio ou Aureliano, e os que partilham do mesmo nome costumam comungar ainda dos mesmos traços de personalidade. No fim, tudo estava escrito nos rascunhos de um velho cigano. Gostei bastante da escrita de Márquez e mesmo a história agradou-me, mas acabei por não conseguir sentir empatia por qualquer personagem e senti falta de profundidade no livro. Foi tudo contado com demasiada distância para me encantar.

Sem títuloQuem Teme a Morte é uma das grandes apostas da Saída de Emergência no segmento fantástico. Trata-se de uma história pós-apocalíptica da autora Nnedi Okorafor, passada numa África futurista. Conhecemos Onyesonwu, fruto da violação de um Nuru a uma Okeke. A sua mãe, única sobrevivente de um assalto Nuru, seguidores do Grande Livro, aprendeu a sobreviver no deserto até chegar a Jwahir. Desde cedo Onyesonwu viu-se vítima do preconceito ligado à sua cor de pele e ao que ela acarreta, mas pouco a pouco veio a descobrir várias peculiaridades sobre si mesma e sobre aquilo a que estava destinada. Leve, despretensioso e envolvente, Quem Teme a Morte consegue ser desolador e cruel, esperançoso e belo. Publicado pela Gradiva em 2015, O Gigante Enterrado é a primeira incursão de Kazuo Ishiguro na área do fantástico. Nobel da Literatura em 2017, Ishiguro apresenta uma bela história de amor e de companheirismo de um casal numa Bretanha que foi vítima de um esquecimento colectivo, provocado pelas névoas. Axl e Beatrice pouco se lembram do passado, apenas de que se amam, e sem se recordarem do rosto do próprio filho ou de onde ele vive, lançam-se numa viagem para a aldeia deste. Repleto de considerações morais lindíssimas sobre a importância das nossas memórias para aquilo que somos e para aquilo que sentimos, O Gigante Enterrado vale muito a pena por aquele último capítulo. As viagens, os encontros com guerreiros do Rei Artur, dragões, fadas e gigantes, não me convenceram. Foram aventuras muito simplistas, rápidas e juvenis, num livro que apela à maturidade.

Li o mais recente número da publicação da Devir, One-Punch Man, publicado em maio. O sétimo álbum mostrou um arco de história com pouquíssimos diálogos, uma batalha que se revelou rápida e fácil que levou à participação da grande maioria das personagens já apresentadas, um painel que vem a revelar-se incrivelmente bem “implantado” nesta série, ainda que pouco desenvolvido. Todavia, a grande mais-valia do livro é mesmo a arte de Murata. As cenas são visualmente extraordinárias. Já A Roda do Tempo de Robert Jordan é uma das sagas obrigatórias para os fãs de literatura fantástica, e era um pouco vergonhoso ainda não ter lido. Depois de alguns meses a pegar e a largar na publicação da Bertrand, acabei por finalizar o primeiro livro, O Olho do Mundo, um livro enorme de uma série igualmente enorme. A história acompanha Rand, Mat e Perrin, três jovens de uma povoação chamada Dois Rios que são os mais sérios candidatos a serem o Dragão Renascido, um herói profetizado das lendas. O mundo não tem início nem fim, mas gira num tempo cíclico, fazendo assim dos heróis do passado os heróis do futuro. Apesar de a história ter várias semelhanças com O Senhor dos Anéis e em alguns momentos ser bastante lenta, com conversas que não vão a lugar nenhum, não desgostei e possivelmente continuarei a segui-la no futuro.

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Li o volume 30 de The Walking Dead, a obra-prima de Robert Kirkman que continua o seu trabalho extraordinário, com arte de Cliff Rathburn, Charlie Adlard e Stefano Gaudiano. Em New World Order, Michonne, Eugene, Siddiq, Magna e Yumiko chegam a uma nova comunidade, de dimensões muito maiores do que qualquer outra que já haviam encontrado. Ali, a civilização parece ter permanecido intacta ao Apocalipse Zombie, com um sistema social bem definido e uma governadora de ideias fixas, Pamela Milton. Mas uma grande surpresa parece estar reservada a Michonne. Em Hilltop, Maggie assusta Sophia enquanto que em Alexandria Rick e Dwight olham com cepticismo para a nova civilização. Com mais ou menos ritmo, The Walking Dead convence a cada edição. A Companhia Negra de Glen Cook foi mais uma bela surpresa neste mês de junho. Uma das maiores influências para o Império Malazano de Steven Erikson, A Companhia Negra apresenta-nos a milícia armada de uma senhora das Trevas, pelos olhos de Chagas, o médico da companhia. Acompanhamos as maquinações de um grupo de vilões que só muito de vez em quando é acometido por rebates de consciência. Conhecemos o lado mais escuro de uma das facções numa guerra de dimensões maiores que a própria história. As restantes não passam de pano de fundo, nem temos que nos preocupar com elas. Com uma escrita bonita e simples, mais focada em diálogos, ao ler este livro não é difícil perceber porque Cook ganhou tanta importância e renome no mundo da fantasia.

Sem TítuloA publicação da G Floy, Laços de Família, é o quarto volume de Harrow County, a BD de terror escrita por Cullen Bunn e ilustrada por Tyler Crook. Uma série de personagens assustadoras fixa-se na povoação, aterrorizando os locais. Emmy precisa fazer algo para os proteger, mas rapidamente começa a questionar se esses “novos” inquilinos de Harrow County serão a sua verdadeira família. Comparativamente ao álbum anterior, Laços de Família manteve os elementos que fazem de Harrow County uma das melhores BDs de terror publicadas em Portugal, acima de tudo por não existirem muitas. Existe mérito no argumento de Bunn, na imprevisibilidade dos acontecimentos e no desenvolvimento de um plot que foge aos lugares-comuns do género, mas pessoalmente, achei um livro mais preguiçoso que o anterior, com uma história fácil e uma conclusão mais fácil ainda. E terminei junho da melhor maneira. Com Fahrenheit 451, o clássico distópico de Ray Bradbury que foi recentemente publicado pela Saída de Emergência. Nunca as minhas expectativas podiam imaginar aquilo que viria a encontrar neste livro. Somos apresentados a Guy Montag, um bombeiro. Mas há muito passou o tempo em que a função dos bombeiros passava por apagar fogos. Agora, as casas estão protegidas contra incêndios. O seu emprego consiste em destruir livros proibidos e as casas onde estão escondidos. Em poucas páginas, Bradbury faz não só uma crítica à sociedade, como transpira uma imensidão de pensamentos e de reflexões sobre nós próprios e sobre o nosso papel no mundo. Se pensarmos que Fahrenheit 451 foi escrito em meados do século passado, podemos considerar este livro como de certo modo profético, e é até assustador como o futuro pensado por Bradbury se encaixa no mundo em que vivemos.

Neste momento, acabei Príncipe das Trevas de Mark Lawrence, cuja opinião só conseguirei lançar no início do próximo mês e comecei a ler O Terror de Dan Simmons.  Continuem por aqui.

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