Especial: Vamos Falar Sobre “The Witcher” de Andrzej Sapkowski


Quem esteve presente na edição de 2017 da ComicCon Portugal certamente encontrou filas à espera de ver os seus livros assinados. E uma delas dava para um velhote de ar amigável que fazia os fãs (des)esperarem enquanto provava mais um trago de vinho, antes do tradicional autógrafo. Andrzej Sapkowski é um dos autores de fantasia mais conhecidos em todo o mundo, muito por conta da popularidade que as suas criações alcançaram através do videojogo The Witcher, adaptação da obra literária com o mesmo nome. O autor polaco vê a sua obra atualmente a ser traduzida pela Edições Saída de Emergência, que já se encontra a promover o quarto volume da franquia, numa altura em que a Netflix está a preparar a adaptação dos livros para uma série de televisão.

Se os primeiros dois livros, O Último Desejo (O Terceiro Desejo na mais recente edição da Saída de Emergência) e A Espada do Destino oferecem uma estrutura episódica, com vários contos que nos dão a conhecer o mundo de Geralt de Rivia e as várias aventuras que deram fama e prestígio ao famoso bruxo e caçador de monstros, o livro O Sangue dos Elfos iniciou a história propriamente dita. Depois de dois livros divididos em contos, mais ou menos aleatórios, o terceiro volume desenvolveu a narrativa iniciada nos últimos contos de A Espada do Destino, embrenhando as personagens mais carismáticas da série num conflito à escala global e obrigando-as a unir esforços na protecção de uma pequena princesa dada como morta pela sociedade.

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Fonte: http://www.dzienniklodzki.pl/artykul/3808447,andrzej-sapkowski-spotkal-sie-z-uczniami-lodzkiej-szkoly-europejskiej,id,t.html

Quem é Andrzej Sapkowski?

Formado em economia, o escritor polaco iniciou a sua carreira literária como tradutor, fazendo para a revista mensal polaca Fantastyka a tradução do conto The words of Guru, de Cyril Kornbluch, um renomeado escritor americano de ficção científica. No entanto, a sua fama foi obtida com a série de contos e romances Wiedźmin (The Witcher), publicada originalmente em sete livros durante a década de 1990.

Antes da sua incursão na carreira literária, Sapkowski trabalhou como economista e entrou em contacto com o comércio de peles. Casado e pai de um filho, Andrzej Sapkowski vive atualmente em Łódź, cidade da Polónia onde nasceu e da qual é cidadão honorário desde 9 de julho de 2008. Em 2012, Bogdan Zdrojewski, ministro da cultura e do património nacional da Polónia, concedeu-lhe a medalha de prata Gloria Artis.

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Fonte: ttps://www.comboinfinito.com.br/principal/the-witcher-3-esta-com-uma-promocao-absurda-no-steam-com-ate-50-de-desconto/
OS CONTOS

Os contos que formam os dois primeiros volumes da série foram os primeiros textos escritos pelo autor polaco, vindo a coligi-los mais tarde como uma introdução à saga. A sua principal qualidade, para além da prosa realista e íntima do escritor, é que eles revisitam histórias, contos de fadas e lendas do leste europeu. Figuras como o Génio da Lâmpada e a Branca de Neve são parcialmente desconstruídas e subvertidas por Andrzej Sapkowski ao longo dessas histórias.

“Os primeiros contos foram publicados na revista polonesa Fantastyka a partir de meados dos anos 1980.”

Um dos mais famosos contos do autor polaco é precisamente aquele que abre o livro inaugural. É também essa história em que o primeiro videojogo é inspirada. Albino, mutante e bruxo, Geralt de Rivia é um sujeito enigmático que sobrevive através do seu honrado ofício: matar monstros a troco de dinheiro. O bruxo é contratado para “desenfeitiçar” uma princesa. Fruto de um incesto, a menina foi transformada em estrige e agora representa um perigo para todos aqueles que se aproximam. Todavia, vários conflitos de interesses podem colocar em cheque a ação do protagonista.

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Fonte: https://jovemnerd.com.br/nerdbunker/the-witcher-3-atualizacao-com-suporte-ao-hdr-para-ps4-pro-ainda-deve-demorar/
A PUBLICAÇÃO

Os primeiros contos foram publicados na revista polaca Fantastyka a partir de meados dos anos 1980. O primeiro deles, chamado “Wiedźmin” (“O Bruxo”) de 1986, foi escrito exclusivamente para um concurso realizado por esta revista, ficando no terceiro lugar. Posteriormente, em 1990, as quatro primeiras histórias abordando o bruxo Geralt foram apresentadas, numa coleção de contos também intitulada Wiedźmin. Esta coleção continha adicionalmente o conto “Droga, z której się nie wraca” (tradução direta: “Caminho Sem Retorno”), que fala sobre Visenna, a mãe de Geralt, e é situado antes das histórias do bruxo.

A segunda coleção de contos publicada foi Miecz przeznaczenia (A Espada do Destino), de 1992, e subsequentemente, em 1993, foi lançada a terceira, intitulada Ostanie życzenie (O Último Desejo), que embora tenha vindo após A Espada do Destino, se passa antes dessa cronologicamente. O Último Desejo então substituiu Wiedźmin como o primeiro livro depois que incluiu todos os contos presentes neste (exceto “Droga, z której się nie wraca”, o único sem Geralt). Ainda que novos contos tenham sido adicionados nesta coleção, estes também situam-se antes de A Espada do Destino.

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Fonte: https://juegosadn.eleconomista.es/un-70-de-las-copias-vendidas-de-the-witcher-3-wild-hunt-son-de-xbox-one-y-playstation-4-no-90339/

A partir daí, Sapkowski começou a escrever romances que davam seguimento aos acontecimentos dos contos presentes nestas coleções, com o primeiro deles sendo Krew elfów (O Sangue dos Elfos), publicado em 1994, e o último Pani Jeziora (A Senhora do Lago), publicado em 1999 e fechando o arco iniciado por O Sangue dos Elfos.

“Depois de dois livros divididos em contos, mais ou menos aleatórios, o terceiro volume desenvolveu a narrativa iniciada nos últimos contos de A Espada do Destino”

Foi mais tarde publicado então Coś się kończy, coś się zaczyna (tradução direta: Algo Termina, Algo Começa), uma coleção contendo um final alternativo à série acerca do casamento de Geralt e Yennefer, escrito inicialmente para amigos de Sapkowski, incluindo outras histórias sem ligação à série. Em algumas edições polacas, os contos “Droga, z której się nie wraca” e “Coś się kończy, coś się zaczyna” foram adicionados a O Último Desejo e A Espada do Destino.

Por fim, foi publicado em 2013 o romance Sezon burz (Tempo de Tempestade), que situa-se cronologicamente antes de O Sangue dos Elfos e não faz parte oficialmente do arco “canónico” de romances, apesar de também ter sido escrito por Sapkowski.

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Fonte: https://gamelogia.com.br/the-witcher-3-9-dicas-basicas-para-mandar-bem-no-game/
O MUNDO

Assim como no jogo, os livros passam-se num mundo de aparência medieval, dividido entre os Reinos do Norte (onde se podem encontrar Aedirn, Cidaris, Cintra, a Aliança de Hengfors, Kaedwen, Kerack, Kovir e Poviss, Lyria e Rívia, Redânia, Teméria e Verden, além de vários ducados menores e principados como Bremervoord ou Ellander) e o poderoso império sulista de Nilfgaard. A História de The Witcher é marcada pela tentativa permanente de Nilfgaard em conquistar os reinos do norte, que foram desse modo obrigados a unir esforços para defender-se duramente dos ataques desmesurados dos sulistas.

Os vários problemas sociais e guerras não se cingem ao conflito norte-sul, porque entre os reinos nortenhos existe ainda várias cisões e desavenças antigas. Profecias e crenças levam a que estes reinos se “atropelem” na busca de Ciri, a leoazinha de Cintra, que dizem estar viva.

O mundo é repleto de pormenores fantasiosos, desde logo as raças de elfos e anões tão correntes das mitologias eslavas, assim como bruxos, feiticeiros, vampiros, dríades, estriges e todo o tipo de criaturas sobrenaturais. Os bruxos são vistos como uma elite venerável, ainda que sejam uma estirpe em decadência, mais correntemente contratados como mercenários para desbaratar as criaturas menos simpáticas. Dadas as suas características mutantes, são normalmente vistos com desdém pelos humanos comuns.

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Fonte: https://whatnext.pl/serial-wiedzmin-bohaterow-sezonie/
GERALT

Geralt de Rivia é considerado especial até mesmo entre os bruxos. É filho da feiticeira Visenna e, ao que tudo indica, do mercenário Korin. Devido a problemas gestacionais, a mãe bebeu várias poções para salvá-lo. Vítima de perseguição, Visenna deixou o recém-nascido Geralt aos cuidados de Vesemir em Kaer Morhen, o grande bastião dos bruxos formados na escola do lobo. Foi ali que iniciou os seus treinos para se tornar um bruxo, assim como foi alvo de experiências que resultaram nas suas mutações e em capacidades físicas e mentais sobre-humanas.

“Dadas as suas características mutantes, são normalmente vistos com desdém pelos humanos comuns.

Sobreviveu a elas, contra todas as probabilidades, o que fez com que testassem experiências de ainda maior risco, o que o deixou com habilidades ímpares. Essas experiências foram também responsáveis por um efeito colateral que deixou o bruxo com os cabelos brancos. Por isso, e também por usar um medalhão com cabeça de lobo, que simboliza a sua escola, Geralt é também conhecido na língua ancestral como Gwynbleidd, o Lobo Branco.

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Fonte: https://www.deviantart.com/bathorygen/art/Witcher-art-436182363

Apesar do seu nome, Geralt não vem de Rívia, embora tenha aprendido a usar o sotaque riviano, uma vez que os aprendizes de bruxo são instigados a utilizar sobrenomes alternativos pelo mestre Vesemir, fazendo-os assim, segundo a sua opinião, parecerem mais confiáveis. Após completar o seu treino, Geralt ganhou o medalhão do lobo e saiu para o mundo no seu cavalo Płotka, para se tornar um assassino de monstros profissional, pago como um mercenário.

Algures no discorrer dos seus dias, Geralt exigiu como recompensa pelos seus serviços o bebé da princesa de Cintra, Pavetta, e do seu esposo Duny, senhor que viria a tornar-se uma figura de relevo na História do mundo. Alegou a Lei da Surpresa, uma lei que permite a um bruxo tomar de um devedor que não tenha como lhe pagar, algo que ele possua sem saber. No caso, Pavetta não sabia estar grávida, e Geralt pretendia levar o seu filho para o treinar como bruxo. Mas, assim que percebeu que o bebé era uma menina, mudou de ideias, uma vez que mulheres não se podiam tornar bruxos. Quis o acaso que, mais tarde, Ciri se tornasse uma figura de importância colossal, tanto nos destinos do mundo como na vida de Geralt.

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Fonte: https://www.nexusmods.com/skyrim/mods/69939/
YENNEFER

Yennefer de Vengerberg é uma feiticeira que viveu na cidade de Vengerberg, capital de Aedirn, tendo nascido em Belleteyn no ano de 1173. Ela é o grande amor do bruxo Geralt de Rívia e uma figura materna para Ciri, além de ser uma amiga próxima de Triss Merigold, uma outra feiticeira que também se tornou um interesse amoroso de Geralt ao longo das suas jornadas.

Grã-mestra de magia, Yennefer era famosa e respeitada, sendo a mais jovem membro do Conselho Supremo. Ex-combatente de guerra, perdeu a visão durante a Segunda Batalha por Sodden, recuperando-a posteriormente através de magia. Diferente de outras magas, Yennefer não era membro de nenhum conselho real, como Triss Merigold a serviço do rei Foltest. Por vezes, quando solicitado e por morar na capital de Aedirn, Yennefer colaborou com o rei Demawend.

“Os vários problemas sociais e guerras não se cingem ao conflito norte-sul, porque entre os reinos nortenhos existe ainda várias cisões e desavenças antigas.”

É uma mulher atraente com aparência de uma jovem de 20 anos, embora seja muito mais velha. Nos eventos de A Torre da Andorinha, ela revela ter 94 anos, mantendo a juventude graças a uma substância extraída de raiz de mandrágora. Do seu pescoço pende, numa fita de veludo, uma estrela de obsidiana com diamantes ativos incrustados. Conhecida por usar sempre preto e branco, os seus volumosos caracóis negros e olhar violeta são tão marcantes quanto o seu perfume a lilás e groselha.

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Fonte: https://myhotposters.com/products/the-witcher-3-wild-hunt-yennefer-poster-485

Ao longo da sua infância, Yennefer foi torturada física e psicologicamente pelos pais. O pai rejeitava-a por ser uma quarto-elfa, uma vez que a sua mãe era meio-elfa. Isso levou-a a tentar o suicídio, cortando o pulso e chegando a prejudicar os tendões após a sua admissão na Academia de Magia em Aretuza. Graças à sua tutora, Tissaia de Vries, Yennefer recuperou os movimentos das mãos e corrigiu as suas deformidades. Ainda assim, apesar dos traumas de infância, Yennefer sempre desejou ardentemente a maternidade.

Nunca foi capaz de gerar filhos, uma vez que os seus ovários eram atrofiados. Por ironia, Yennefer era capaz de eliminar bebés indesejados ou oferecer tratamentos de fertilidade com a sua magia, mas nunca a si mesma. A pedido de Geralt, Yennefer tornou-se tutora de Ciri no templo de Melitele, em Ellander, com o intuito de lhe ensinar magia para poder controlar os seus poderes. Com a convivência, gerou-se uma forte ligação entre as duas e Yennefer passou a considerar Ciri como sua protegida e filha. Ciri também a começou a chamar várias vezes de “mãe”.

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Fonte: https://angrygamer.ru/news/half-an-hour-witcher-russian
JASKIER

Jaskier é o nome artístico de Julian Alfred Pankratz, poeta, menestrel, bardo e o melhor amigo de Geralt de Rivia. Estudou as Sete Artes Liberais por quatro anos na Universidade de Oxenfurt, onde conquistou a reputação de preguiçoso, bêbado (e idiota) e onde viria mais tarde tornar-se, depois de passar nas provas com resultados excepcionais, professor. Deu aulas durante um ano, deixando então a academia para viajar pelo mundo. Ocasionalmente, Jaskier ainda visita Oxenfurt para dar palestras. O seu nome em polaco significa dente-de-leão, razão por que, nos jogos, a personagem é chamada Dandelion (dente-de-leão em inglês).

“Geralt, Jaskier e Yennefer são algumas das personagens mais carismáticas desta série literária

Jaskier é primo de Ferrant de Lettenhove, instigador real de Kerack. Em poucos anos, ganhou fama em todo o mundo e tornou-se conhecido como um dos melhores trovadores nos Reinos do Norte. A sua canção mais conhecida é a balada Leoazinha de Cintra, dedicada a Ciri. Ele também ganhou reputação de maior conquistador do mundo, conseguindo até conquistar o coração de Anna Henrietta, a duquesa de Toussaint. Durante as suas viagens com Geralt, Jaskier começou a escrever as suas memórias.

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Fonte: https://www.deviantart.com/jonasdero/art/Witcher-3-Fan-Art-613772790
CONCLUSÃO

Geralt, Jaskier e Yennefer são algumas das personagens mais carismáticas desta série literária, ainda que a vida destes, a partir de determinado momento, comece a girar em torno de Ciri, a Criança Surpresa. Ciri acaba por tornar-se a personagem mais importante da série, não só graças à sua contribuição para a história dos restantes protagonistas, como para a verdadeira História do Império.

Dono de uma prosa elegante e prolífica, Andrzej Sapkowski escreveu um conjunto de livros (oito, se incluírmos O Último Desejo, A Espada do Destino e Tempo de Tempestade) que vieram a tornar-se famosos pela série de jogos de computador que nele se basearam, mas a sua popularidade não seria a mesma se não fosse embalada por uma narrativa equilibrada e consistente, por personagens carismáticas e por um imaginário rico e profuso como é o do escritor polaco.

Fontes:

thewitcher.com

pt.wikipedia.org/wiki/The_Witcher

en.wikipedia.org/wiki/Andrzej_Sapkowski

witcher.wikia.com

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