Estive a Ler: Druuna #1 e #2


Paolo Eleuteri Serpieri é um argumentista de banda-desenhada italiano, mais dedicado ao erótico.  Ficou mais conhecido pela sua obra Druuna, obra de ficção-científica que tem sido aposta constante da editora portuguesa Arte de Autor. Em 2016 lançou o Tomo 0, em 2017 o Tomo 1, que inclui as histórias Morbus Gravis e Delta e já em 2018 o Tomo 2, com as histórias Creatura e Carnivora.

O autor nasceu em Veneza, em 1944. Começou a sua carreira profissional como pintor em 1966, antes de se virar para a banda desenhada, em 1975. Grande apaixonado por westerns, co-escreveu L’Histoire du Far-West, série sobre o oeste americano com argumento de Raffaele Ambrosio, que foi publicada em França pelas edições Larousse. A partir de 1980 trabalhou em diferentes projetos, tais como Découvrir la Bible (também para a Larousse), e numa série de histórias curtas para diferentes revistas.

Druuna é uma série de referência da banda desenhada erótica dos anos oitenta, originalmente publicada em 8 volumes. Enquanto o primeiro tomo tem um total de 160 páginas, incluindo uma série de desenhos originais, o segundo conta com 152, em edições de capa dura.

Fonte: Arte de Autor

Num futuro pós-apocalíptico, um perigoso vírus transforma os homens em monstruosos mutantes sanguinários. Só o soro permite aos sobreviventes escaparem. Neste mundo corrompido pelo sexo, pela doença e pela violência, a jovem e bela Druuna parte em busca deste remédio para Schastar, gravemente atingido, por quem nutre uma paixão intensa. Tão destemida como sensual, ela vai usar todos os seus atributos para atingir o seu fim…

“Druuna é um hino à ficção erótica, mas pisca o olho a vários géneros de Ficção Especulativa.”

Li os dois volumes de uma assentada, mas eles são tão iguais em proposta, execução e narrativa que julguei que se tornaria exaustivo e repetitivo tanto para mim como para vós escrever duas opiniões separadas. Druuna é uma BD para adultos bastante interessante, com grande pendor erótico, mascarada de história de ficção científica. Em boa verdade, Serpieri oferece uma história com ingredientes de ficção científica, fantasia e horror em toda a sua largura, mas a narrativa não tem nada que saber.

Fonte: Arte de Autor

Druuna é uma bela mulher, sempre nua, vá-se lá saber porquê!, que caminha num mundo de caos, horrores e armadilhas, onde todo o tipo de monstruosidades, homens transformados por intermédio de um vírus, a perseguem. O objetivo: fazer sexo com ela. E apesar dos gritinhos horrorizados da moça, não podemos dizer que ela crie muita resistência.

É uma obra simples e descomplexada, com cenas de sexo a permearem a grande maioria das pranchas. Com uma toada bem onírica, sonhos e realidade confundem-se numa amálgama de cenários dantescos, onde a imaginação fértil do autor desencantou todo o tipo de mutações e monstruosidades, para além de constructos e andróides. Druuna é um hino à ficção erótica, mas pisca o olho a vários géneros de Ficção Especulativa.

Em alguns momentos senti-me confuso quanto à dedicação de Druuna em relação a Schastar, tal o envolvimento da personagem com outros homens, principalmente Lewis. Acaba por parecer ser uma protagonista sem grande carácter, vendível e fraca em convicções, apesar de ter o seu temperamento. O amor não a inibe de, aqui ou ali, se sentir completamente entregue a outras personagens.

Fonte: Arte de Autor

O primeiro número de Druuna data de 1985 e o mais recente de 2016. Estes dois volumes inaugurais são muito semelhantes a nível estético, com uma aparência algo antiga, o que não penaliza a avaliação ao trabalho artístico de Serpieri. Prefiro a arte de Milo Manara, mas Paolo Serpieri tem o seu mérito, especialmente nos pormenores faciais das personagens e na estética modelar das mulheres, que apresentam sempre uma nudez explícita, ao contrário da nudez masculina, que é menos vezes apresentada com igual abertura.

Acaba por ser uma obra bastante sexista, com a beldade sempre nua e sempre de pernas abertas para qualquer um, mal disfarçadamente com o objetivo final de encontrar a cura para a mutação do seu amado. Porém, parece que era essa a intenção do autor e, por esses mesmos motivos, a obra se tornou tão famosa. Gostei da introdução de personagens como Terry e Will, que vieram trazer mais história à série. Pessoalmente prefiro narrativas com mais conteúdo e personagens menos estereotipadas, mas mentiria se dissesse que não gostei.

Avaliação: 7/10

Druuna (Arte de Autor):

#1 Tomo 0 (lido não comentado)

#2 Tomo 1

#3 Tomo 2

#4 Tomo 3

#5 Tomo 4

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