Exclusivo: Como Sobreviver ao Fim do Mundo?


Foi esta a pergunta que me levou ao Instituto Superior Técnico de Lisboa no passado dia 15 de julho, para dar uma palestra no âmbito do Sci-Fi Lx. Não venho aqui transcrever o que se passou por lá, mas dar-vos uma pequena ideia da desconstrução de ideias que levei a cabo. Quem esperava sair do Auditório Literatura com uma resposta redondinha, enganou-se. Não se sobrevive ao Fim do Mundo. Esta é uma ideia disparatada que devem esquecer de pronto. O fim é algo definitivo…

… Mas talvez se possa sobreviver ao fim do mundo como o conhecemos. Sobreviver a gripes, epidemias, ataques alienígenas, eventos naturais de grande aparato. É isto que vemos na literatura. O fim de algo como o conhecemos e a sobrevivência num contexto de calamidade. Vários foram os autores que nos falaram desta espécie de “Apocalipse”, como por exemplo José Saramago no seu Ensaio Sobre a Cegueira, que nos diz que “Todo o mundo fica cego, e isso é o fim do mundo como conhecíamos. A sociedade passa por uma reestruturação a partir daí. Já Neil Gaiman acha que o mundo vai acabar em preto e branco, igual a um filme antigo.(…) Talvez, enquanto haja cores, consigamos sobreviver. Talvez, meus amigos, enquanto haja cores, consigamos sobreviver. Porque a noção de cor está intimamente ligada ao movimento, à luz, à capacidade de reagir às adversidades.

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Fonte: https://super.abril.com.br/mundo-estranho/como-e-a-descricao-biblica-do-apocalipse/

Então, como poderíamos sobreviver a este “Fim do Mundo”? A literatura, bem como a ficção em todas as suas vertentes, mostra-nos que há três comportamentos que devemos reter. Resiliência, espírito de corpo e movimento. Ou seja: faz exercício físico (os gordos viram sempre zombies), mantém os idiotas perto de ti (eles não perceberão se os usares como isco ou manobra de diversão) e se estiveres no meio do Apocalipse, não bebas! As tuas hipóteses de sobreviver diminuem drasticamente. Acredita no que te digo. Quem te avisa, teu amigo é!

Mas que livros nos podem ensinar algo sobre a sobrevivência num contexto de Apocalipse? Por obra e graça do Espírito Santo, o livro mais bem-sucedido sobre o Fim do Mundo foi O Livro da Revelação de João de Patmos, uma brincadeirinha com contornos de alucinação que se tornou cânone para a religião cristã. Ainda que não possamos aprender muito com ele se quisermos sobreviver a qualquer espécie de fenómeno apocalíptico.

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Fonte: https://pt.quizur.com/quiz/voce-sobreviveria-a-um-apocalipse-zumbi-joc

Há outros, porém, com os quais podemos tirar algumas lições. Estou a falar, por exemplo, de The Stand. Considerado um dos melhores livros do autor Stephen King, este livro de 1978 retrata a vida de sobreviventes de um vírus extremamente mortal que se espalha pelos Estados Unidos após um homem escapar de uma instalação para testes biológicos. O que é que podemos concluir daqui? Se todo o mundo à tua volta parecer com gripe, procura um epidemiologista. Não que te valha de muito.

A BD The Walking Dead de Robert Kirkman é publicada mensalmente nos EUA pela Image Comics. A história acompanha um grupo de sobreviventes liderados por um ex-oficial de polícia chamado Rick Grimes, que se unem na luta para superar a confusão de zombies. Fica a dica: Não confiem no vosso melhor amigo, mas mantenham-se em grupo.

The Road, livro de 2006 de Cormac McCarthy, deixa-nos as seguintes questões: Sem fauna, nem flora, como podem os homens subsistir? A fome arruinará a sua Humanidade? Deixando-nos com uma bonitinha mensagem de que enquanto houver amor, haverá esperança. Por favor, não deixem de amar. Beijinhos para ti também. The Road acompanha a viagem de pai e filho, que tentam sobreviver num mundo afetado por uma calamidade ambiental que deixou o planeta sem animais ou plantas. Para além de procurarem alimentos, eles têm de enfrentar o canibalismo de outros sobreviventes.

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Fonte: fallout.wikia.com/wiki/File:Background2.jpg

A Canticle for Leibowitz, de Walter M. Miller, Jr., é um livro de 1960 que nos relata uma humanidade despedaçada pelo horror das armas de destruição em massa, enquanto um grupo de monges tenta proteger o conhecimento para as gerações vindouras. A história desenvolve-se em três períodos separados por vários séculos, à medida que a civilização é reconstruída. Em suma, ainda que não sobrevivamos, devemos garantir que uma nova civilização se erga depois de nós. Só assim conseguiremos sobreviver enquanto raça, enquanto espécie. Salvando o conhecimento.

J. G. Ballard, em 62, trouxe-nos The Drowned World, um estudo incrível sobre as nuances do comportamento humano que explora as dicotomias e excentricidades de uma personagem que se sente fascinada pela confusão após uma catástrofe terrível que transformou a Terra num pântano tropical, repleto de bestas pré-históricas. E Richard Mateson diz-nos para evitarmos tipos com tripas à mostra e dentes pontiagudos, em I am Legend, de 1954. Mas foi Mary Shelley, a autora de Frankenstein, quem nos deixou o conselho mais importante, no seu livro The Last Man de 1826. Cuidado com a tua própria natureza. Pode bem ser a nossa capacidade humana de nos corromper, o vírus que levará a Humanidade à Extinção. Medo, muito medo!

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