Espada que Sangra e Como Nasci Para a Fantasia


Não sei se Espada que Sangra é a minha história mais bem conseguida até ao momento, provavelmente não, mas decerto foi a que demorou mais tempo a construir. Costumo dizer que comecei a trabalhar no livro em 2011, mas a verdade é que as bases que alicerçam o mundo de Zallar nasceram muito antes. Era eu um verme de biblioteca no limiar da adolescência quando várias ideias me floresceram na cabeça, ideias que iriam amadurecer ano após ano. O Thorgal, o Rei Artur, o Son Goku e o Aewyre Thoryn tiveram bastante influência na criação daquele que é visto por muitos como o protagonista de Espada que Sangra.

Ameril Hymadher era um jovem quando o criei. Um príncipe mulherengo, esquivo às responsabilidades. Assim como eu, também ele cresceu. O Hymadher de Espada que Sangra é um rei amado e respeitado, mas ao oferecer-lhe um ponto de vista, abri espaço para que o leitor também lhe conheça fraquezas e defeitos. A Humanidade que nele há. Também nessa altura outras histórias e criaturas povoavam as minhas horas de almoço. Os Homens Lagarto dos RPGs ganharam penas e tornaram-se os mahlan que afligem as muralhas da Terra Parda, Smitt-Woles, Raos e Myok.

zallar
Fonte: http://divergencia.pt/loja/espada-que-sangra-de-nuno-ferreira/

Mas foi com a Cleópatra de Elizabeth Taylor que senti que precisava de mulheres de garra na minha história, que podiam ser elas a chave para a sua força. Em meados de 2011 andava a desfolhar os meus caderninhos antigos, onde encontrei um mundo inspirado na Grécia Antiga povoado por personagens inspiradas no Dragon Ball, que garatujara na adolescência, e percebi que podia fazer algo de muito bom a partir dali. A personagem feminina principal era uma princesa indomável, que não gostava nada que lhe dessem ordens.

Comecei a fazer uns mapas de personagens e a construir um plot que não me convenceu. Era extremamente fantasioso e pouco credível, para além de que tinha um fake Gollum, que me irritava até mais não. Naquela altura lia pouco, mas essencialmente policiais e romances de espionagem, pelo que estava demasiado imerso na nossa realidade para que aquilo me agradasse. E então comecei a ver a série Game of Thrones. Really, mais um programa de fantasia protagonizado por miúdos? Mas falaram-me tão bem da série que senti-me “obrigado” a ver. Os primeiros episódios não me cativaram, mas a partir do 4.º ou 5º…

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Well, isto é incrível! Posso fazer algo assim. A expectativa de criar um mundo de fantasia que parecesse real levou-me a meter mãos à obra. E a minha protagonista feminina, uma fake Bulma com tranças ruivas ao melhor estilo Brave ganhou traços de Cleópatra e de Cersei Lannister. Assim nasceu Lazard Ezzila.

Mas senti que precisava de um contraponto, de uma protagonista que fosse precisamente o oposto dela. Alguém com o mau humor de uma Catelyn Stark e a sensualidade de uma Lucretia (Spartacus), mas mais selvagem. Criei uma vilã, e sem pensar num nome, veio-me à mente Hamsha. Provavelmente o meu subconsciente foi buscá-lo ao Yamcha do Dragon Ball. É a minha única explicação, e a oficial.

Essa vilã ganhou pontos de vista durante a escrita do livro. E isso levou-me a gostar dela. Pouco a pouco, tornou-se a minha personagem preferida. Pouco a pouco, tornou-se a personagem principal do livro. E ver os meus leitores a comungarem do meu encanto pela Hamsha foi uma das melhores sensações que conheci enquanto autor. Perceber que a adoravam tanto quanto eu fascinou-me, inspirou-me e levou-me a caprichar ainda mais nessa mulher de carne e osso.

Imagem relacionada
Fonte: http://escapethelevel.com/art/game-of-thrones-fan-art-ertac-altinoz-97/

Outras personagens foram influenciados por Dragon Ball, como Akratalll Adilar, que foi inspirado no Coraçãozinho de Satã, ou os irmãos Tyttertop e Tazz, nas versões futuro e presente de Trunks, bem como é semelhante a convivência pouco relevante para a narrativa entre homens e dinossauros, que aqui conhecem diferentes nomenclaturas. Apesar disso, regra geral são mundos e produtos bem diferentes. Acima de tudo no tom.

Espada que Sangra é uma história para adultos, sangrenta e muito humana. As personagens não têm grandes laivos de heroísmo, revelam fraquezas e falhas, são extremamente complexas. E o humor é bem mais sujo, típico de homens calejados pela guerra e pela miséria. O mundo de Zallar é inspirado na Antiguidade Clássica, mas elementos de outras culturas e de outros tempos estão-lhe bem cosidos, como é o caso do uso de armas de fogo.

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Confesso que não era um grande leitor de fantasia quando comecei a escrever o livro. Os primeiros capítulos foram um pára-arranca, sem pontos de vista, tudo muito esparso e confuso. Pouco a pouco fui melhorando a minha escrita e a história, fortificando o plot central e embelezando a arborização cénica da narrativa. Li livros como As Crónicas de Gelo e Fogo, Fogo Cruzado e Os Senhores do Norte durante a escrita do manuscrito, que funcionaram muito como preâmbulo para aquilo que havia de ser a minha primeira experiência como autor.

As Histórias Vermelhas de Zallar cresceram. A série de 5 livros está escrita, embora ainda precise de ser trabalhada, e conseguiu alcançar aquilo a que me propus. Outras histórias têm sido escritas por mim numa tendência de melhoria constante e sustentada, a que contribui uma dieta rica em leituras dentro do género fantástico, aprendendo com os mestres do género com que ombreio em intenção e em proposta, de Steven Erikson a Brandon Sanderson, passando por Robin Hobb, Patrick Rothfuss, Joe Abercrombie, Scott Lynch e George R. R. Martin, entre muitos outros. Espero que gostem do meu trabalho e que continuem a acompanhar-me.

5 comentários em “Espada que Sangra e Como Nasci Para a Fantasia

  1. Viva,

    Ando meio desaparecido mas pronto adorei ler este artigo e fiquei com vontade de voltar a ler este universo, sem duvida que criaste uma bela vilã 😀

    Abraço

    Paulo Dores

    1. Boas.
      Tens a certeza que é vilã? Não será protagonista? Kkk

Comentário

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