Estive a Ler: Fandemónio, The Wicked + The Divine #2


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O TEXTO SEGUINTE ABORDA O LIVRO “FANDEMÓNIO”, SEGUNDO VOLUME DA SÉRIE THE WITCHED + THE DIVINE

The Wicked + The Divine é uma das séries independentes dos comics actuais mais carismáticas, criada pelo autor Kieron Gillen (Wolverine: Origem II), tornando-se num fenómeno de vendas nos EUA. A série é desenhada por Jamie McKelvie, o artista com quem Gillen colabora há mais de uma década. Depois de trabalhar em Young Avengers e The Defenders, McKelvie concentra-se agora nas suas próprias séries e no trabalho como designer.

A série ganhou o Prémio de Melhor Comic nos British Comic Awards de 2014, e foi nomeada para três Prémios Eisner em 2015, Melhor Nova Série, Melhor Capa e Melhores Cores, e de novo este ano de 2018 para Melhor Série, não tendo ainda vencido qualquer destes galardões. Fandemónio é o segundo volume de The Wicked + The Divine, incluindo os números 6 a 11 da série original.

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Fonte: G Floy Studio

The Wicked + The Divine tornou-se mais uma das séries obrigatórias da Image Comics. Se o primeiro volume já me tinha deixado com a ideia que esta é uma fantasia urbana diferente do que eu estou habituado, este segundo veio acentuar essa ideia na minha cabeça. A meu ver, não possui um argumento forte, que se destaque de tudo o mais. A narrativa é um tanto ou quanto simples, jogando com deuses das mais variadas mitologias nos dias de hoje, muito ao estilo Neil Gaiman.

“De uma forma subtil e descomprometida, The Wicked + The Divine é muito mais do que um folhetim pop corn.

O diferencial, para mim, está em dois elementos. A arte, embora de diagramação digital, é o ponto forte da série. Os desenhos são lindíssimos, expressivos e impactantes, as cores são fortes, em muitos tons de rosas, azuis e liláses. O segundo elemento é o humor. O humor de The Wicked + The Divine é descomprometido, fácil, pegando em referências do nosso dia a dia. Uma série refrescante que não me permite tirar o sorriso do rosto.

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Fonte: G Floy Studio

Se já havia gostado da Cassy no primeiro volume, neste segundo ela volta a arrasar. Mas também Laura, a protagonista, ganhou o meu afeto. Não havia gostado tanto dela no álbum inaugural, mas em Fandemónio tornou-se mais humana, mais de carne e osso, mais credível. Ainda que seja, curiosamente, o livro em que ela se torna menos humana, por assim dizer.

“Fandemónio é uma convenção de deuses armados em superestrelas.

Laura prossegue na sua investigação após os eventos que ditaram a morte de Lúcifer. Pouco a pouco, ela envolve-se com outras figuras divinas, como Baphomet, Woden, Brunhilde, Dionísio ou Morrigan, ao mesmo tempo que se torna cada vez mais próxima de Innana. Ela não entende a sua falta de poderes, mas depressa descobre que as suas próprias interferências no mundo do Panteão podem ser manipuladas, para fins menos benéficos.

A vontade de Baphomet em ser um divino melhor, a individualidade de Woden, os instintos pouco generosos de Morrigan, o contacto de Ananke com outros deuses e a obsessão de Laura pelo Panteão conduzem a uma sucessão de acontecimentos tensos e dramáticos, com mortes e revelações a sucederem-se e uma nova identidade a nascer dentro da protagonista. Porque Fandemónio é uma convenção de deuses armados em superestrelas.

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Fonte: G Floy Studio

E o resultado disso é um guisado bem apurado. Tragédia, humor e criatividade a altos níveis colocam a série de Kieron Gillen e Jamie McKelvie num outro patamar, oferecendo ao leitor uma sucessão de situações que, embora possam parecer non-sense, trazem a lume as maiores contradições da Humanidade e levam-nos a reflectir sobre as nossas motivações pessoais e, mais do que isso, os costumes a que estamos arraigados.

De uma forma subtil e descomprometida, The Wicked + The Divine é muito mais do que um folhetim pop corn. Leva-nos a questionar, de uma forma bem humorada, várias questões do dia-a-dia e, mesmo continuando a não me sentir confortável com o género fantasia urbana, esta série é muito mais comestível do que algumas das maiores referências do género (eu não escrevi Sandman mas SIM!).

Avaliação: 8/10

The Wicked + The Divine (G Floy Studio Portugal):

#1 O Acto de Fausto

#2 Fandemónio

#3 Suicídio Comercial

#4 Escalada

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