Estive a Ler: Lua Máquina, Descender #2


Agora, digam-me onde eles estão, ou começo a fazer buracos na vossa estufa.

O TEXTO SEGUINTE ABORDA O LIVRO “LUA MÁQUINA”, SEGUNDO VOLUME DA SÉRIE DESCENDER (FORMATO BD)

Como diz a expressão popularizada na versão nacional de Descender, “o Broca é uma moca”. Esta é mais uma das grandes publicações que a G Floy traz até nós, desta feita com o segundo volume intitulado Lua Máquina. O autor é Jeff Lemire, um dos mais aclamados argumentistas actuais de comics. Lemire foi nomeado oito vezes para os Prémios Eisner, e venceu em 2017 com a sua série de super-heróis Black Hammer o prémio de Melhor Nova Série. A sua mais recente obra foi o romance gráfico Roughneck, que a Publishers Weekly descreveu como um livro “poderoso”.

O artista é Dustin Nguyen, ilustrador de comics best-seller nos EUA, mais conhecido pelo seu trabalho em Wildcats v3.o, The Authority Revolution, Batman, Superman/Batman, Detective Comics, Batgirl e Batman: Streets of Gotham. É um dos mais requisitados artistas atuais de capas para as grandes editoras americanas. Com Descender, Dustin Nguyen venceu o Prémio Eisner para Melhor Arte Pintada, um dos mais prestigiados dos comics. Este segundo volume, Lua Máquina, inclui os números 7 a 11 da publicação original.

Sem Título
Fonte: G Floy Studio

Se o primeiro volume, Estrelas de Lata, já me tinha deixado satisfeito, Lua Máquina vem dar-me a certeza de que Descender é uma série de BD para recomendar até mais não. Mas a arte de Nguyen continua a fazer-me torcer o nariz. É daqueles casos que primeiro estranha-se e depois entranha-se, e tem muito mérito nos seus granulados e na quase aparente mera aplicação de esboços tridimensional, mas a verdade é que gosto de imagens mais límpidas e vívidas.

“Lua Máquina é mais uma BD incrível, para juntar ao rol de preferidas.

Quanto ao argumento, aqui e ali cai no cliché das aventuras inter-espaciais, mas Descender consegue ser muito original. Estamos perante uma space opera surpreendente e épica, num mundo em que as máquinas foram ostracizadas da comunidade inter-planetária e um menino robótico acorda depois de um sono de dez anos. À época, uma súbita invasão de robots do tamanho de planetas, os Colectores, havia devastado a galáxia. Hoje, todas as máquinas são vistas como foras-da-lei e alvo dos mais diversos caçadores de prémios.

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Fonte: G Floy Studio

Jeff Lemire tem muito mérito na forma como a história circula, como as personagens secundárias se cruzam e como vamos, gradativamente, conhecendo mais sobre elas. Todas parecem ter segredos a esconder e a confiança é uma característica cada vez mais escassa neste mundo. A caracterização das civilizações, distintas e originais, acaba por ser um refresh aos velhos clichés e um refinamento dos mesmos, tanto a nível visual como intelectual.

Estamos perante uma epopeia consciente do seu grau de epicidade, onde os mundos se digladiam por regras estipuladas previamente num mundo cósmico onde os homens utilizam a violência para recuperar aquilo que haviam perdido, o seu controlo sobre as máquinas. O resultado disso é um mundo fracturado e disperso, repleto de nuances interessantes.

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Fonte: G Floy Studio

A hipótese de que TIM-21, o menino robot, esconda os segredos dos Colectores no seu ADN mecânico, transforma-o na máquina mais procurada do universo. TIM-21, Dr. Quon e a Capitã Telsa escaparam dos caçadores de prémios em Gnish, graças aos robots da resistência, onde se encontra TIM-22, outro robot menino da série de TIM-21, com uma personalidade bem diferente da dele. Os robots levam-nos para o seu esconderijo, a Lua Máquina que dá título ao volume.

“Se o primeiro volume, Estrelas de Lata, já me tinha deixado satisfeito, Lua Máquina vem dar-me a certeza de que Descender é uma série de BD para recomendar até mais não.

No entanto, o cão robot Bandit e o dróide mineiro Broca ficaram para trás, feitos prisioneiros em Gnish, e TIM-21 não se consola com a sua perda. Em Gnish, ocorre uma transição de poder de S’nok para o seu filho, o príncipe S’lok, ao mesmo tempo que Andy, o “irmão humano” de TIM-21, dá de caras com os novos amigos do jovem robot e pede ajuda à sua ex-mulher para os livrar da situação difícil em que se encontram.

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Fonte: G Floy Studio

Se Estrelas de Lata nos fez lutar e sofrer com TIM-21, Quon e companhia, Lua Máquina deu um upgrade em todas essas sensações de desesperança, ternura e impotência. Este segundo volume de Descender mostra que será na posteridade um clássico da FC em banda-desenhada, tal a sua carga dramática. O gancho final não me surpreendeu, mas é excelente.

A emotividade é uma das características mais fortes de Descender, mas é o dinamismo das interações entre as personagens, a forma como elas refletem o mundo em que vivem e procuram encontrar-se nesse mundo desolado, com base nos afetos e no seu passado, que dá todo este poder e alma à série. Sem grande complexidade, Lua Máquina é mais uma BD incrível, para juntar ao rol de preferidas.

Avaliação: 9/10

Descender (G Floy Studio Portugal):

#1 Estrelas de Lata

#2 Lua Máquina

#3 Singularidades

#4 Mecânica Orbital

#5 Ascensão das Máquinas

#6 A Guerra das Máquinas

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