Estive a Ler: Saga #8


Peço desculpa, mas vou ter de lhe pedir para ficar fora da cidade. A Vila do Aborto é só para as mulheres e família próxima.

O TEXTO SEGUINTE ABORDA O OITAVO VOLUME DE SAGA (FORMATO BD)

Com autoria de Brian K. Vaughan e arte de Fiona Staples, Saga é já um caso raro de sucesso no mundo das comics. Publicado em Portugal pela G Floy Studio, a série da Image Comics chega ao oitavo volume, que inclui os números 43 a 48 da versão original, num volume de 152 páginas a cores.  O volume 9 está programado para o início do verão de 2019 em Portugal e sabemos que os autores fizeram uma pausa na produção da série, pelo que só deverão regressar em 2020 com o décimo volume.

Saga já venceu doze Prémios Eisner, entre os quais prémios para Melhor Série em Continuação, Melhor Nova Série, Melhor Argumento e Melhor Arte. Foi também “coroado” com o Prémio Hugo para Melhor História Gráfica e com uns incríveis dezassete Prémios Harvey, que elegem os melhores comics independentes, incluindo Melhor Argumento, Melhor Artista, e Melhor Nova Série.

Sem Título
Fonte: G Floy Studio

De cada vez que pego num volume desta série, lembro-me o porquê de gostar tanto dela. Volume atrás de volume, Saga nunca me desilude, só aumentando cada vez mais a fasquia para o próximo. Completamente imprevisível, “assustadora” e bem-humorada, Saga é uma lufada de ar fresco na literatura, e tenho algo em mim que me diz não só da literatura em quadradinhos, mas no geral. É uma série bastante divertida, que nos oferece o que de mais irreverente e extravagante poderia haver numa space opera.

“Várias questões sociais continuam a ser tratadas, do preconceito à educação sexual, passando pelas idiossincrasias da sociedade e pela falta de estabilidade familiar.

Cada frase parece sair de forma tão genuína e fluída por parte das personagens, que ao mesmo tempo me leva a crer que ela exige um bom bocado de criatividade e de compromisso a cada fala. Os debates são tão pertinentes quanto as falas se revelam polémicas e ousadas. Sinónimo de carisma e audácia, Brian K. Vaughan chegou a tal nível de genialidade nos diálogos que vê-lo superar-se a si próprio é uma delícia.

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Fonte: G Floy Studio

A linguagem utilizada continua a ser refrescante, porém longe do fofinho que as imagens poderiam sugerir. Em alguns momentos ela pode fazer-te rir desalmadamente pelo quanto fora da caixa se demonstra. Conversas sobre sexo e asneiras são comuns nesta BD. A nível gráfico, Fiona Staples continua o trabalho incrível que tem feito nos livros anteriores, mantendo o nível e não desiludindo em nenhum aspeto. Pessoalmente, um dos fortes desta série é o poder das suas cores.

O argumento não avança muito neste oitavo volume de Saga, mas conduz-nos por um caminho de confluência entre os vários núcleos, fazendo-os sair de situações que balançam entre os limiares do desconfortável e do bizarro, para se reencontrarem. Várias questões sociais continuam a ser tratadas, do preconceito à educação sexual, passando pelas idiossincrasias da sociedade e pela falta de estabilidade familiar.

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Fonte: G Floy Studio

Após os eventos caóticos do último volume, Saga obriga o grupo a dispersar-se, com Marko e Alana a adaptarem-se à ideia de que terão mais um bebé enquanto Hazel continua a narrar a vida inusitada dos progenitores, ainda não refeita pelas mortes de Izabel e Kurti. Com uma aura bem faroeste (se tal é possível numa space opera), este oitavo volume de Saga apresenta-nos sapos insólitos, um deles com três cabeças, um outro gigante com uma língua incrivelmente comprida.

“De cada vez que pego num volume desta série, lembro-me o porquê de gostar tanto dela.”

Pelo meio, reencontramos a criatura misteriosa chamada Ianthe e conhecemos o irmão não nascido de Hazel, que se apresenta à família através de uma espécie de alucinação. Uma outra surpresa é a relação que nasce entre Petrichor e o príncipe Robot. Vontade continua a viajar em alucinações enquanto Ghüs e o menino robot participam do reencontro entre o pai deste e Petrichor com a família de Hazel.

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Fonte: G Floy Studio

A peculiaridade destas personagens continua a envolver-me e a surpreender-me mais a cada edição. Posso até dizer que elas extravasam das páginas toda a sua excentricidade. Com uma aura bem Star Wars e um argumento decididamente melhor, Saga merece todos os elogios e mais alguns. Não será surpresa então dizer que é a série de BD em atividade que mais me enche as medidas e esperar por cada volume tornou-se um exercício tão extenuante como qualquer outro.

Desmistificando Saga, este oitavo volume é mais areia para os nossos olhos, até porque a ação não avança praticamente nada. Mas, em boa verdade, não leio esta série para ver a ação a avançar. Leio-a, para me continuar a deliciar com estas personagens e com a dinâmica incrível que elas têm umas com as outras. Os relacionamentos entre elas são uma das principais qualidades do comic e é um privilégio poder ler esta série em bom português.

Avaliação: 9/10

Saga (G Floy Studio):

#1 Volume 1

#2 Volume 2

#3 Volume 3

#4 Volume 4

#5 Volume 5

#6 Volume 6

#7 Volume 7

#8 Volume 8

#9 Volume 9

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