Estive a Ler: Sob a Asa do Diabo, Outcast #4


Precisamos de ti. Tenho a certeza que isso, pelo menos, é claro para ti.

O TEXTO SEGUINTE ABORDA O LIVRO “SOB A ASA DO DIABO”, QUARTO VOLUME DA SÉRIE OUTCAST (FORMATO BD)

As possessões estão de volta em mais um volume de Outcast! Mundialmente famoso pela série The Walking Dead, que foi adaptada à TV pela Fox e se transformou num dos maiores êxitos mundiais, Robert Kirkman tem-se dedicado à Image Comics nestes últimos anos, e ao trabalho de produção televisiva das suas séries. Kirkman é considerado um dos grandes responsáveis daquilo que foi chamado a Revolução Image, o incrível período de criatividade pelo qual a editora tem passado e que a transformou numa das maiores editoras de BD do mundo, a terceira maior do mercado americano.

Paul Azaceta, o ilustrador, é um artista cujo estilo simples, direto e arrojado, já ilustrou séries como Demolidor, Punisher Noir, Homem-Aranha e outras. Outcast é o seu trabalho mais mediático e aclamado, onde o seu estilo, geralmente visto nas páginas de comics de acção muito dinâmicos, é posto ao serviço de uma narrativa pausada e inquietante. O quarto volume de Outcast que a G Floy traz até nós é intitulado Sob a Asa do Diabo, tem formato capa dura e 128 páginas a cores, que correspondem aos números 19 a 24 da publicação original.

Sem Título
Fonte: G Floy Studio

Cada vez mais inquietante e empolgante, Outcast traz alguns dos momentos mais sinistros da série até agora. Em Sob a Asa do Diabo, o trabalho dos protagonistas em lutar contra o programa de possessões que vitimou a comunidade continua, com especial destaque para as cenas de suspense que permeiam a família de Megan e Mark, mas também Allison e a sua filha Amber. O argumento avança lentamente, como tem vindo a habituar, mas com as doses certas de ação e suspense para empolgar os fãs do thriller e do terror lento. Robert Kirkman mais uma vez não desilude.

“Decididamente, esta não é uma série para qualquer estômago.

E se o trabalho de Kirkman merece os maiores elogios, o que dizer de Paul Azaceta? A arte de Azaceta não é das que mais me cativam, mas casa na perfeição com a história. O clima é denso e escuro, as cores cinzentas e liláses adequam-se na perfeição (o mérito é de Elizabeth Breitweiser, de Velvet e The Fade Out, a minha crush das cores) e os detalhes visuais são arrebatadores. Principalmente nas cenas mais sangrentas, em que intestinos ficam à mostra. De realçar a verossimilhança das cenas em que os polícias estão à porta de Megan, conseguindo transmitir aquela frivolidade do agente norte-americano que sabe que vai “chatear” alguém.

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Fonte: G Floy Studio

Em Sob a Asa do Diabo, voltamos a encontrar Kyle Barnes, o outcast, um proscrito que assusta os demónios que vagueiam por aí. O seu sangue queima as pessoas possuídas e só a sua influência consegue domá-las. Isso faz despertar a atenção dos seres das trevas, que não só o ameaçam como à sua família. Feito refém de Sidney, o homem que ele acredita ser o Diabo em pessoa, Kyle vê-se arrastado para mais uma maré de acontecimentos inquietantes que colocarão toda a comunidade em dificuldades. O Reverendo Anderson e a sua ex-mulher, Allison, unem esforços para o encontrar.

Mas Sidney parece ter mais aliados do que eles podiam considerar, graças às possessões. Por isso, também Anderson é capturado, mas surpreendentemente consegue escapar aos seus capangas e salvar Kyle, deixando em chamas a casa em que se encontravam subjugados. Durante a fuga, encontram Brian prestes a enfrentar um lobo selvagem, visivelmente possesso. Para o salvar, imobilizam o homem e levam-no para um barracão, visando consumar o exorcismo. O que não esperavam era ter de lidar com um corpo de polícias possuídos, dispostos a tudo para travar as suas intenções.

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Fonte: G Floy Studio

Outcast continua a surpreender-me pela positiva. Da arte de Paul Azaceta ao argumento de Robert Kirkman, os avanços narrativos são demorados mas em todos os volumes ocorrem surpresas e volte-faces mais inesperados, para além de momentos de maior suspense que nos transmitem que algo de errado vai ocorrer. As cenas são maioritariamente violentas e sangrentas e sabemos de antemão que por muito bem que a ação se encaminhe, acontecimentos terríveis irão mudar o rumo à história. Decididamente, esta não é uma série para qualquer estômago.

Também não é uma série para quem deseje ver respostas rápidas, muitas personagens ou muita ação. A narrativa desenvolve-se de forma lenta e demorada, e as verdades veladas desde o primeiro volume vão pouco a pouco sendo descobertas, como a cobertura de um bolo que se derrete lentamente. Sob a Asa do Diabo é talvez o volume mais veloz até agora, mas ao aumento de ritmo adicionamos peças do puzzle àquelas que já tínhamos. Outcast é uma série que só tende a melhorar.

Avaliação: 8/10

Outcast (G Floy Studio Portugal):

#1 As Trevas que o Rodeiam

#2 Uma Ruína Sem Fim

#3 Uma Pequena Luz

#4 Sob a Asa do Diabo

#5 O Novo Caminho | Invasão

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