Estive a Ler: A Cor da Magia, Discworld #1


Os simples e risonhos habitantes da ilha acabaram reverenciando o papel como um deus, para enorme diversão dos vizinhos mais refinados. Por estranho que pareça, as chuvas e colheitas dos anos seguintes foram abundantes de maneira quase sobrenatural, o que levou o departamento de Religiões Menores da Universidade Invisível a enviar uma equipa de pesquisadores à ilha. O veredicto foi que esse facto servia como prova.

O TEXTO SEGUINTE ABORDA O LIVRO “A COR DA MAGIA”, PRIMEIRO VOLUME DA SAGA DISCWORLD

The Color of Magic foi o primeiro livro da famosa série de fantasia humorística Discworld, do autor britânico Terry Pratchett, falecido em 2015. O seu primeiro romance foi The Carpet People, publicado em 1971. Após trabalhar em jornalismo e assessoria de imprensa por vários anos, dedicando-se à escrita nas horas vagas, Pratchett publicou The Color of Magic em 1983, e o grande sucesso do livro acabou por levar o autor a uma carreira literária a tempo inteiro.

A série Discworld tem mais de 40 volumes publicados, sendo protagonizados por várias das personagens mais marcantes de Pratchett. Em Portugal, The Color of Magic foi publicado pela Círculo de Leitores e pela Temas e Debates, edição esta de 2003 com tradução de Mário Dias Correia e um total de 252 páginas. A Cor da Magia satiriza os livros de aventuras fantásticas, com bastantes reminiscências das criaturas criadas por Howard Phillips Lovecraft ao longo do livro.

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Fonte: https://nerdist.com/terry-pratchetts-discworld-tv-series/

Enérgico, bem humorado e cheio de boas vibrações, A Cor da Magia é um livro para todas as idades que oferecerá certamente ilações diferentes a quem o leia. Riquíssimo em metáforas, sátiras e conclusões, o primeiro volume da saga Discworld é um livro cheio de energia que me surpreendeu pela positiva. Nota-se perfeitamente que é o trabalho de um autor em início de carreira, mas isso não lhe rouba a virtude.

“Um livro delicioso.”

Por vezes, à inexperiência alia-se a energia de quem quer conquistar o público, de quem quer singrar num meio, e isso contribui imenso para o resultado final. Não foi a minha estreia com Terry Pratchett, razão pela qual procrastinei na leitura de Discworld, mas certamente que a minha experiência com Bons Augúrios foi prejudicada pela minha pouca afeição por fantasia urbana, pelo que Discworld é muito mais a minha praia. É daqueles livros que se levam para a vida.

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Fonte: https://www.temasedebates.pt/produtos/ficha/a-cor-da-magia/107454

Discworld é um mundo plano sustentado pelos ombros de quatro elefantes gigantescos chamados Grande T’phon, Tubul, Berilia e Jerakeen, que, por sua vez, estão sobre o casco de uma enorme tartaruga, a Grande A´Tuin. Esse mundo repleto de magia é povoado de magos, trolls, dragões, anões e elfos e tem um ciclo atmosférico pautado pela distância a que os astros se encontram do centro do disco. Os deuses parecem divertir-se com as personagens, tanto quanto nós ao observar as suas jogadas.

A Cor da Magia é protagonizado pelo mago Rincewind, um feiticeiro cobarde e desastrado que, na verdade, não sabe muito de magia. Isto porque foi expulso da Universidade Invisível, tendo aprendido um único feitiço. Por mero acaso ou conspiração divina, Rincewind dá de caras com Twoflower, um ingénuo corretor de seguros que chega àquele mundo como turista, com o intuito de conhecer um bárbaro verdadeiro, como os que conhecia das histórias.

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Fonte: https://geekculture.co/bbc-studios-plans-to-adapt-terry-pratchetts-discworld-for-tv/

Consigo traz uma mala cheia de ouro, matéria que não tem grande valor na sua terra. Essa mala foi feita com madeira de pêra sapiente e possui uma centena de perninhas e poderes mágicos, pelo que não será fácil pôr-lhe as mãos em cima. O que irá desagradar certamente a uma turma de ladrões sindicalizados, que irão perseguir a presa aparentemente frágil até pôr as mãos em cima do seu ouro. Quando Twoflower encontra Rincewind, faz dele o seu guia turístico, e este recebe desde logo o aviso da comarca de que nada de mal poderá acontecer a este turista, ou o próprio Discworld ficará em maus lençóis.

“Nota-se perfeitamente que é o trabalho de um autor em início de carreira, mas isso não lhe rouba a virtude.

Ankh-Morpork, a cidade onde todos ficam felizes só por sobreviverem mais um dia, é o ponto de partida para uma aventura onde tudo o que podia acontecer de mal realmente acontece. Durante a expedição, o mago, o turista e a sua maleta terão de enfrentar todo o tipo de perigos e criaturas mirabolantes, inclusive o Morte (sim, é masculino!), outra das personagens mais famosas da saga, bem como o bárbaro que Twoflower tanto almejava conhecer, Hrun.

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Fonte: https://www.tumblr.com/search/rincewind%20the%20alchemmist

A Cor da Magia é uma aventura emocionante num mundo mítico, cheia de ritmo e humor, que consegue ironizar outros autores de fantasia como Tolkien, Lovecraft ou Howard, mantendo o seu próprio nível de originalidade. Inspirado também na mitologia hindu, Pratchett convence com criações geniais e acima de tudo com uma linguagem enérgica e viciante.

As personagens são outra das mais-valias deste livro. Se Morte, Twoflower, Hrun o Bárbaro, o deus Bel-Shamharoth ou os magos hidrofóbicos são criações deliciosas de Pratchett, o que dizer de Rincewind? Assim de repente, este feiticeiro desastrado tornou-se uma das minhas personagens preferidas da fantasia. Absolutamente louco e absurdamente genial.

O livro peca por apresentar uma estrutura algo fragmentada e por se alongar demasiado em situações que não têm qualquer significado narrativo, tanto que Terry Pratchett não aconselhava a leitura de A Cor da Magia como primeira experiência no mundo do Discworld. Pessoalmente, gostei imenso do ritmo altíssimo deste volume e fiquei com mais curiosidade para conhecer este mundo do que tinha antes de lhe pegar. Trata-se de uma fantasia despretensiosa, divertida e cheia de camadas. Um livro delicioso.

Avaliação: 8/10

Discworld (Temas e Debates):

#1 A Cor da Magia

4 comentários em “Estive a Ler: A Cor da Magia, Discworld #1

  1. Eu gosto imenso do Rincewind, e fiquei com vontade de voltar a pegar no Discworld. Depois de terminar o wheel of time, que é a fantasia que me acompanha agora. Boa review!

    Boas Leituras!

    1. Obrigado. 🙂
      Também gostava de continuar.
      Boas leituras, né?

Comentário

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