Estive a Ler: Caraval, Caraval #1


O brilho esfumado da lamparina incidiu nas arestas metálicas do papel, emitindo um brilho dourado, da cor da magia, dos desejos e das promessas de coisas futuras. O endereço que decorava o sobrescrito iluminou-se com o mesmo fulgor:

Menina Scarlett Dragna

Ao cuidado do confessionário do sacerdote

Trisda

Ilhas Conquistadas do Império Meridiano

O TEXTO SEGUINTE ABORDA O LIVRO “CARAVAL”, PRIMEIRO VOLUME DA TRILOGIA CARAVAL

Caraval é o livro de estreia da autora Stephanie Garber, publicado a 31 de janeiro de 2017 pela Flatiron Books. Segundo a autora, não foi o seu primeiro ou segundo livro, mas o resultado final de várias tentativas infrutíferas de publicação. Como forma de pagar os seus estudos, a autora trabalhou num bar, num restaurante, numa empresa de consultoria e foi ainda vendedora. Foi também conselheira de jovens e professora de crianças com deficiência auditiva, no México.

Atualmente, Garber dá aulas de escrita criativa numa escola privada na Carolina do Norte. Publicar young adult fantasy é, porém, a sua paixão. Caraval é o primeiro volume de uma trilogia com o mesmo nome, cujo primeiro volume foi publicado em Portugal pela Editorial Presença, incluído na Colecção Via Láctea e com um total de 376 páginas. Vencedor do Prémio Goodreads de 2017, o livro Caraval tem os direitos vendidos para 32 países.

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Fonte: https://www.youtube.com/watch?v=aTyJg4hlajY

Peguei neste livro com os dois pés atrás. A capa e a sinopse atraíram-me, mas sabia de antemão que é um livro juvenil, pelo que o romance e a falta de sumo na personalidade das personagens eram garantidos. A experiência foi muito melhor do que imaginei. A aura de Caraval vai beber muito ao espírito das feiras populares e ao Carnaval de Veneza, mas também à Alice no País das Maravilhas, um livro que pessoalmente, não apreciei.

“Caraval foi uma ótima leitura.

A trama também é protagonizada pelos clássicos rapaz musculado, que mesmo aparentando ser um pintas malandro acaba por se revelar íntegro e generoso, e pela menina ingénua que vive num mundo cor-de-rosa. O principal defeito que tenho a apontar ao livro é mesmo a falta de originalidade na forma e no conteúdo dos protagonistas, mas também falta de maturidade no desenvolvimento da narrativa.

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Fonte: https://www.presenca.pt/livro/caraval/

Caraval, porém, surpreendeu-me bastante pela positiva. O evento que dá título ao livro trata-se de uma espécie de circo ambulante que viaja de terra em terra, mas é mais do que uma mera exibição de talentos ou feira popular. Ele é um jogo e todos aqueles que ali entram podem ficar apenas a observar, mas é quase impossível não o jogar… nem que seja com a própria vida. Todos os concorrentes são obrigados a seguir certas pistas, e só um pode vencer. O jogo passa-se durante a noite, sendo o recolher obrigatório assim que o sol nasce.

A complexidade do “evento” inclui uma parafernália de atores extremamente bem talentosos, capazes de produzir todo o tipo de magias. Ali, o tempo também passa mais depressa. São muitos os casos de pessoas que enlouqueceram a jogar o jogo, e também há relatos de quem tenha morrido. Aliada a todo este clima que mescla o dramatismo com o mistério, há o homem que organiza o jogo e comanda tudo o que nele acontece a seu bel-prazer: Legend.

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Fonte: https://aelin-and-feyre.tumblr.com/post/171346266405/morgana0anagrom-painted-legend-from-caraval

Mestre Legend é uma figura enigmática. Ninguém sabe quem ele é, há quem diga que já o tenham visto, também há quem diga que muda de face de jogo para jogo. Annalise foi a mulher por quem ele um dia se apaixonou, e também dizem que, quando ela o trocou por outro, ele jurou vingança. Os relatos sobre Legend e o Caraval são muitos e maravilhosos, o que deixou as jovens Scarlett e Donatella Dragna, como tantas outras, completamente excitadas.

“Delicada e elegante, Garber sabe causar emoções em quem a lê.

Durante anos, Scarlett enviou cartas a Mestre Legend na tentativa de que este fizesse o Caraval passar pela pequena ilha de Trisda, nas Ilhas Meridionais, onde elas vivem com o seu pai, o intragável Governador Marcello Dragna. Dragna tornara-se bastante violento desde que a esposa, a mãe das meninas, o abandonou, e Scarlett nutriu a esperança de que a magia do Caraval viesse trazer alegria tanto à ilha como ao seu pai. Legend nunca lhe respondeu.

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Fonte: https://dark-and-beautiful-art.tumblr.com/post/174704493163/julian-character-belongs-to-stephanie-garber

A história começa no ano 57 da Dinastia Elantina, quando Scarlett se encontra noiva de um conde com quem trocou várias cartas, mas o qual nunca viu, e está feliz porque finalmente irá ver-se livre da tirania do pai. Planeia levar a irmã, Tella, consigo, e acredita piamente que o conde as irá proteger. Por isso, decide escrever uma nova carta a Legend, anunciando o seu noivado e que talvez não seja boa ideia que o Caraval passe por Trisda nesse ano.

Contra qualquer previsão, dessa vez Legend responde à carta. Ele não só a parabeniza pelo enlace, como lhe dá dois bilhetes, um para ela e outro para o seu noivo, de modo a que eles participem no Caraval como seus convidados especiais… como prenda de noivado. Completamente estupefacta, ela dirige-se às caves em busca da irmã para lhe dar a novidade, quando a encontra aos beijos com um marinheiro. Quem também os encontra é o pai, que rapidamente percebe tudo ao contrário e pensa ter sido Tella a apanhar Scarlett com o rapaz.

dark-and-beautiful-art:“dark-and-beautiful-art: ““I hate the rain; it washes all the magic away.” Scarlett & Julian - Caraval by Stephanie Garber I loved this book guys. I desperately wanted to do fanart as soon as I read it last year but my art...
Fonte: https://dark-and-beautiful-art.tumblr.com/post/174704493163/julian-character-belongs-to-stephanie-garber

Como sempre, o castigo do pai baseia-se em bater numa irmã quando a outra faz algo que lhe desagrada. A violência que ele perpetra contra Tella inflama ainda mais o ódio de Scarlett, que desenvolve rapidamente um plano de partir com a irmã de Trisda, utilizando a ajuda do marinheiro, um jovem chamado Julian. As irmãs e o rapaz partem rumo ao Caraval, mas uma tempestade marítima acaba por arruinar a embarcação. Os três chegam à ilha que alberga o evento, mas a irmã de Scarlett desaparece.

“O ritmo também foi excelente, galopante, pelo que as páginas foram facilmente devoradas.

Pouco a pouco, a jovem percebe que encontrar a irmã é muito mais do que uma tarefa premente, uma vez que o tempo que a separa do seu casamento se dissipa ali com muito mais velocidade. Scarlett percebe que encontrar a irmã é o objetivo do jogo desse ano, e que os acasos que vai encontrando pelo caminho podem fazer parte de um programa obscenamente elaborado por Legend.

dark-and-beautiful-art:“✨ LEGEND ✨ It’s taken me forever to finish this. But here he is! The Man, The Myth, The Legend. Remember, It’s Only A Game. Character from Stephanie Garber’s novel ‘Caraval’ ”
Fonte: https://dark-and-beautiful-art.tumblr.com/post/174704493163/julian-character-belongs-to-stephanie-garber

A imprevisibilidade do jogo, o não saber o que esperar do que vai acontecer a seguir e todo o mistério, a que muito contribui a aura negra e sinistra que envolve os mais variados atores, é uma das virtudes do livro. Mas também a excelente escrita de Stephanie Garber, que consegue fazer-nos arrepiar ao descrever a espessura da neve ou o perfume a ameixa do governador. Delicada e elegante, Garber sabe causar emoções em quem a lê.

O ritmo também foi excelente, galopante, pelo que as páginas foram facilmente devoradas. Não gostei muito do exagero de volte-faces na ponta final do livro, com um desenfreado “agora morreu, afinal está vivo, afinal está morto, está vivo”, sem explicar muito bem como, nem como funciona a magia do Caraval ao fim e ao cabo. Resta-me esperar pelo segundo volume, para saber mais sobre a verdadeira natureza destas personagens e deste evento, principalmente no que diz respeito ao enigmático Legend. Caraval foi uma ótima leitura.

Avaliação: 6/10

Caraval (Editorial Presença):

#1 Caraval

 

 

2 comentários em “Estive a Ler: Caraval, Caraval #1

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