Estive a Ler: 1984


Guerra é paz. Liberdade é escravidão. Ignorância é força.

O LIVRO SEGUINTE ABORDA O LIVRO MIL NOVECENTOS E OITENTA E QUATRO

Nineteen Eighty-Four, muitas vezes publicado como 1984, é um romance distópico da autoria do escritor inglês George Orwell, pseudónimo literário de Eric Arthur Blair e publicado em 1949. Orwell foi um escritor, jornalista e ensaísta político inglês, nascido na Índia Britânica. A sua obra é marcada por uma escrita clara, uma consciência vívida das injustiças sociais e uma intensa oposição aos princípios totalitaristas.

A influência de Orwell na cultura contemporânea, tanto popular quanto política, perdura até os dias de hoje. O termo orwelliano, palavra usada para definir qualquer prática social autoritária ou totalitária, bem como vários termos presentes na sua obra transformaram-se em palavras do vocabulário comum. 1984 conheceu várias edições em Portugal, sendo esta a versão de 2007 das Edições Antígona, com tradução de Ana Luísa Faria.

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Fonte: https://hy.wikipedia.org/wiki/Պատկեր:Cropped-big-brother-is-watching-1984.png

Este é um livro cuja opinião não me é fácil de escrever. 1984 marca pelo seu pessimismo, pela sua aura triste mas sobretudo pela sua tremenda pertinência. O livro foi escrito em 1949, mas podia ter sido nos dias de hoje. As questões levantadas no livro, que criticam abertamente os regimes totalitários como o nazismo, as tendências estalinistas e o comunismo, tratam de perigos reais dos nossos dias.

“1984 é um livro de qualidade inegável, tanto em prosa quanto em conteúdo.”

Este livro é uma reflexão sobre o mundo em que vivemos e sobre aquilo que pode vir a acontecer, se mantivermos os olhos abertos para as características manipuladoras que vêm emergindo nas nossas sociedades. Orwell fez um trabalho incrível na abordagem à temática do totalitarismo e inventou uma realidade alternativa com termos e “qualidades” que nos arrepiam, tal o estoicismo apresentado na sociedade fictícia.

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Fonte: https://antigona.pt/products/mil-novecentos-e-oitenta-e-quatro

Na verdade, não é difícil vermo-nos na pele daquelas personagens, no tom de nazismo futurista que é implementado, nem tão pouco é difícil odiar aquele mesmo sistema. As câmaras de vigilância permanentes, a redução gradual dos dicionários, a lavagem cerebral que é feita nos canais de comunicação social para moldar a mente dos cidadãos, as “verdades” impostas com base no medo, uma História escrita de acordo com a vontade dos governantes.

Só posso catalogar a obra como visionária, porque ela apresenta toda uma estrutura montada que age com base em fake news, estimula a ignorância e oblitera os caminhos do conhecimento e da evolução pessoal, condenando veementemente qualquer sentimento amoroso entre indivíduos ou crença religiosa. Orwell apresenta um tempo de silêncio onde resta ao homem aquiescer e agir como uma máquina face a um sistema impiedoso e amoral.

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Fonte: https://www.chapters.indigo.ca/en-ca/books/1984/9781788282369-item.html

O livro é ambientado numa Londres alternativa, onde a Grã-Bretanha se tornou uma província do superestado da Oceania, num mundo onde a guerra se perpetua em alianças que mudam de um dia para a noite e onde os inimigos de ontem não o foram, na visão imposta do hoje. Onde até notícias de jornais passados são mudadas para dar corpo às mentiras impostas pelo governo. Os que acreditam na sua própria memória, são etiquetados como loucos.

“Este livro é uma reflexão sobre o mundo em que vivemos e sobre aquilo que pode vir a acontecer, se mantivermos os olhos abertos para as características manipuladoras que vêm emergindo nas nossas sociedades.”

Existem três grandes impérios neste mundo distópico. A Oceania é o maior dos impérios mundiais, governando toda a Oceania, América, Islândia, Reino Unido, Irlanda e grande parte do sul da África. O segundo maior é a Eurásia, que governa grande parte da Europa, da Rússia e uma pequena parte da Ásia. Por sua vez, a Lestásia governa países orientais como as Coreias, o Japão, a China e parte da Índia, estando ainda territórios como o norte de África, o sudeste e centro asiáticos e a Antártica sob disputa.

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Fonte: https://www.tes.com/teaching-resource/1984-3-themes-propaganda-and-control-11476348

Os habitantes da Oceania são regulados por um regime político chamado de Socialismo Inglês, encurtado para “Ingsoc” na linguagem inventada pelo governo. Ele está sob o controle das elites do Partido Interno, perseguindo o individualismo e a liberdade de expressão como “crime de pensamento”, que é aplicado pela chamada Polícia do Pensamento.

A tirania é ostensivamente supervisionada pelo Big Brother, o líder do Partido que é representado com uma expressão caricatural nos panfletos, mas que pode mesmo nem existir como homem. Ainda assim, a sua face e a expressão Big Brother são usadas pelo Partido como armas de propaganda. Winston Smith é o protagonista da história, um membro do Partido Externo que trabalha para o Ministério da Verdade, responsável pelo trabalho editorial e releituras históricas.

Winston reescreve artigos de jornais do passado, de modo que o registro histórico sempre apoie a ideologia atual do partido. Ele é um trabalhador cumpridor, mas secretamente odeia o mundo em que vive. Existe uma figura, Goldstein, tida como líder de uma facção rebelde, mas ninguém sabe se ele é realmente um reivindicador ou se está sequer vivo. Depois de perder pais e irmã e de viver uma vida de sombras, Winston sonha com rebelião, e esses sonhos tornam-se palpáveis a partir do momento em que conhece a bela Julia.

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Fonte: https://fineartamerica.com/artists/1+john+hurt/paintings

Não é por acaso que 1984 se tornou um dos maiores sucessos literários do séc. XX e um dos mais influentes na cultura política e popular do nosso mundo. A história é asfixiante e nada cor-de-rosa, mas as suas personagens são tão credíveis quanto a realidade alternativa concebida, e George Orwell tem todo o mérito na sua concepção. É daqueles livros que, bem ou mal, marcam o leitor e deixam sementes na sua mente.

Mais do que alertar ou sugerir, que 1984 faz com maestria, ele faz-nos odiar. Odiar um regime. Odiar uma sociedade. Nem precisava haver sequer uma personagem que lhe desse rosto, apesar de existir. Na carne de Winston, o leitor não consegue deixar de odiar o mundo que Orwell tão bem construiu. Não aprecio o ambiente que o livro apresenta como, regra geral, não aprecio distopias, mas 1984 é um livro de qualidade inegável, tanto em prosa quanto em conteúdo.

Avaliação: 8/10

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