Estive a Ler: The Shape of Water


“The most intelligent of creatures,” he offers softly, “often make the fewest sounds.”

O TEXTO SEGUINTE ABORDA O LIVRO THE SHAPE OF WATER

The Shape of Water foi o filme vencedor do Oscar 2018 de Melhor Filme e desde logo foi publicada a novelização do mesmo, por parte dos seus criadores Guillermo del Toro e Daniel Kraus. Toro é um diretor cinematográfico mexicano, mais conhecido pelos filmes Pan’s Labyrinth, The Devils Backbone, Crimson Peak e pela franquia Hellboy. Na literatura, lançou-se com The Strain, que viria a ser transformada em série, o primeiro volume de uma saga sobre vampiros em co-autoria com Chuck Hogan.

Daniel Kraus é um autor premiado, editor e realizador. Vencedor de dois Odyssey Awards, com os títulos Rotters e Scowler, já recebeu também os prémios Yalsa Best Fiction for Young Adults, Parent’s Choice Gold Award e foi finalista do Prémio Bram Stocker, entre outros. As suas obras já foram traduzidas para mais de 15 línguas. Vive em Chicago com a sua esposa e escreveu, também com Guillermo del Toro, Caçadores de Trolls.

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Fonte: https://www.imdb.com/title/tt5580390/

Não vi o filme The Shape of Water mas foi com algum entusiasmo que mergulhei no livro. Del Toro é assim um símbolo da cultura nerd / geek e as suas obras primam, acima de tudo, pela ousadia e originalidade. A história de amor entre uma criatura alienígena / divindade e uma empregada de limpeza pode ser considerada estapafúrdia, mas a verdade é que resultou, e resultou tanto que pela primeira vez uma obra de fantasia venceu um Óscar.

“É impossível ficar indiferente a uma luta tão palpável contra os preconceitos que este livro tão bem nos oferece.

É um livro que se lê muito bem, apesar de não ter uma prosa de encher o olho. São 315 páginas cheias de ação e de acontecimentos flagrantes, que desenvolve personagens riquíssimas em alma e em estereótipos que, mais do que sonhar e imaginar, convidam-te a refletir sobre as nossas próprias idiossincrasias de comportamento, aquilo que fazemos por nós e pelos outros, mas também sobre a forma como olhamos para a sociedade.

Sem Título
Fonte: https://www.amazon.com/Shape-Water-Guillermo-del-Toro-ebook/dp/B0773H16WL

Richard Strickland é um oficial do governo dos Estados Unidos enviado à Amazónia para capturar um ser mítico e misterioso cujos poderes inimagináveis seriam utilizados para aumentar a potência militar do país, em plena Guerra Fria, criatura essa vista pelos nativos como uma divindade ancestral. Dezassete meses depois, o homem enfim retorna aos EUA, carregando o capturado deus Brânquia, um homem-peixe que representa para Strickland a barbárie em que ele próprio se tornou, e aquilo que mais odeia.

Elisa Esposito é uma mulher surda-muda, empregada de limpeza no centro de pesquisas onde a criatura é confinada. Para ela, o ser representa a esperança, a salvação para uma vida sem graça cercada de silêncio e invisibilidade. A pouco e pouco, é travada uma batalha psicológica entre Richard e Elisa. Enquanto para ele o homem-peixe é só um objeto a ser dissecado, subjugado e exterminado, para ela é um amigo, um companheiro que a escuta quando ninguém mais o faz.

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Fonte: https://variety.com/2018/artisans/news/how-guillermo-del-toro-shape-of-water-robert-redford-1202666047/

Mas o que pode uma mulher tão frágil como Elisa contra um sujeito misógino tão perigoso quanto poderoso? É aqui que entram Zelda, a colega de Elisa de cor negra, Giles, o seu vizinho homossexual, e o espião Robert Hoffstetler, que tanto representam minorias contra as quais Strickland tanto despreza, como se tornam também os seus maiores aliados na hora de proteger – e salvar – a criatura das mãos de um homem que menospreza a própria esposa.

“É um livro que se lê muito bem, apesar de não ter uma prosa de encher o olho.

É um livro muito ambicioso, que vai muito além das personagens. Não há qualquer dificuldade na leitura, porque os autores mostraram não ter qualquer problema no trabalho coletivo e ofereceram uma narrativa simples e genial na sua simplicidade, com uma grande carga de crítica social nas entrelinhas e uma boa dose de sentimentalismo. Porque a história de amor, que na verdade é o que menos importa na narrativa, apela aos sentimentos.

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Fonte: https://www.thenational.ae/arts-culture/film/guillermo-del-toro-on-the-deeper-meaning-in-the-shape-of-water-1.699621

E, ao fim e ao cabo, acaba por nos tocar por percebermos as limitações das personagens, e o quanto sofrem. Elisa e a criatura não se apaixonaram pelos lindos olhos um do outro. Aquilo que os une não pode ser chamado de um amor carnal tradicional. Eles encontraram afeto, alguém que os compreenda só com o olhar, e para o amor nascer, não é realmente preciso mais nada. Ainda que os riscos pelos quais Elisa se sujeita sejam no mínimo… caricatos.

The Shape of Water é um livro extremamente equilibrado, trata com elegância os dilemas morais das personagens, as conspirações junto aos agentes do governo americano e russo e a sátira é tão contundente como pertinente. A leitura flui de uma maneira muito positiva e os sentimentos saltam à flor da pele. É impossível ficar indiferente a uma luta tão palpável contra os preconceitos que este livro tão bem nos oferece.

Avaliação: 8/10

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