Estive a Ler: A Sombra Alastra, A Roda do Tempo #4


Uma coisa é saber que a profecia um dia será cumprida — respondeu o chefe de clã, medindo as palavras — outra é ver isso acontecendo bem diante dos próprios olhos.

O TEXTO SEGUINTE ABORDA O LIVRO “A SOMBRA ALASTRA”, QUARTO VOLUME DA SÉRIE A RODA DO TEMPO

The Shadow Rising é o quarto volume da saga The Wheel of Time de Robert Jordan, publicado originalmente em 1992. Em Portugal, o livro foi publicado pela Bertrand com o título A Sombra Alastra, com um total de (não, não é engano) 1104 páginas. Por opção editorial, este foi o último volume da saga publicado em Portugal, lá pelo ano de 2008. Uma petição pública foi assinada para que a editora continuasse a sua publicação, mas não obteve efeito.

A Sombra Alastra continua os eventos descritos nos volumes anteriores, O Olho do Mundo, A Grande Caçada e O Dragão Renascido, acompanhando a par e passo as aventuras de Rand al’Thor, Matrim Cauthon e Perrin Aybara, bem como dos seus companheiros e amigos. Porque, como o adágio presente nos livros vaticina, há de ser o que a Roda Tecer.

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Fonte: https://www.pinterest.pt/pin/844284261365493559/

É ao quarto volume, o último publicado em Portugal, que esta saga finalmente me começa a agradar. Apesar de a escrita de Jordan continuar bem mais ou menos, com alguns lances de genialidade e outros bem imaturos (o que me parece quase sacrilégio dizer de um dos grandes nomes da fantasia mundial), A Roda do Tempo melhorou, graças à divisão mais madura e intrincada dos núcleos e das nuances que o autor introduziu neles.

“A Roda do Tempo é uma série que para mim tem vindo a crescer em qualidade…”

A Sombra Alastra é mais um livro em que os vários protagonistas, não só Rand, Mat e Perrin, como todos os seus companheiros, se mostram mais entrosados naquilo que são os eixos da Roda do Tempo e os fios do destino. Eles mostram que os seus papéis não são tão mecânicos e arquetípicos como se imaginava, mas também que as suas escolhas e agendas podem influenciar os destinos do Universo. E Jordan faz isto muito bem.

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Fonte: https://www.bertrandeditora.pt/produtos/ficha/a-sombra-alastra/220785

O livro volta a ter os ingredientes por que qualquer fã de fantasia anseia: viagens de barco, jogos de azar em tabernas, grandes combates e lutas pelo poder. Mas faz isto de uma forma mais compassada e madura, sem perder cem páginas em eventos sem importância para narrar os acontecimentos mais cruciais em três, como vinha acontecendo nos livros predecessores. Gostei sobretudo do ponto de partida mais coeso do que havia acontecido anteriormente.

Depois da queda da fortaleza de Pedra de Tear, Rand al’Thor empunha a espada mágica Callandor e finalmente se assume como o Dragão Renascido, tendo povos a tecer-lhe laudas e a reverenciá-lo como tal. Apesar de temer a loucura que as profecias dizem vir associada ao seu poder, Rand finalmente revela uma posição firme e inteligência política, ocupando os melhores pontos de vista deste volume. Em alguns momentos, estabeleci um certo paralelismo com o famoso Paul Atreides de Duna.

Empunhando a Espada que não é Uma Espada, a arma que o poderá ajudar a combater o mal, Rand giza uma estratégia para encontrar a Fonte Derradeira, corrompida pelo Tenebroso, um poder que o poderá levar à loucura e servir o Grande Senhor das Trevas, mas é a única saída para evitar uma calamidade. Salvar o mundo ou destruí-lo, eis a questão.

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Fonte: http://wot.wikia.com/wiki/File:Access_key.jpg

É neste contexto que finalmente é desvendado um ramo das Aes Sedai que foi corrompido pelo Tenebroso, a Ajah Negra. Esta facção pretende capturar Rand para servir aos seus intentos, mas a tarefa não se revela fácil. Porém, esse é apenas um dos muitos tentáculos do Mal que se erguem sobre o mundo e como tal, é imperial que também as forças da Luz se dividam para as aplacar.

“A Roda do Tempo começou a agradar-me bastante, graças à divisão mais madura e intrincada dos núcleos e das nuances que o autor introduziu neles.

Seguido por Mat, Moiraine, Lan, Egwene, Aviendha e outros dos seus seguidores, Rand predispõe-se a viajar para um deserto místico através de uma pedra-portal, onde reencontrará histórias e momentos de um passado distante. O que ele não esperava era que a Aes Sedai que sempre o aconselhou o seguisse pela pedra e não regressasse tão depressa quanto o previsível.

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Fonte: https://www.barnesandnoble.com/blog/sci-fi-fantasy/statistical-analysis-wheel-time/

Thom Merrilin é encostado entre a espada e a parede por Moiraine, que descobrira a sua verdadeira identidade e o obriga a acompanhar Nynaeve e Elayne numa viagem naval em que as duas têm mais a descobrir e a aprender do que poderiam prever. Também Juilin Sandar os acompanha, apesar do seu último encontro não ter sido bem animador para qualquer um deles.

Perrin, por sua vez, continua apaixonado pela jovem que se diz chamar Faile, e envereda numa aventura de regresso a Dois Rios, a terra que o viu nascer, para a salvar da ameaça das Trevas. O ogier Loial acompanha o casal, sempre com os seus conselhos sábios e grande vivacidade. Mas os sonhos de lobo e o perigo das sombras atormentam Perrin, que se vê em vias de desafiar lordes pela liderança de um povo.

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Fonte: https://geeks.media/the-wheel-of-time-turns-one-of-the-greatest-series-of-fantasy-novels-is-coming-to-tv

Gostei dos volte-faces que envolveram o Trono de Amyrlin e da relação entre Rand com Aviendha, mas também de este se manter próximo de Mat e de Moiraine durante todo o volume. Já vos tinha dito que Moiraine era a minha personagem preferida, não já? E neste volume ela tem um papel determinante para o desenvolvimento da história, apesar de ainda permanecer tão misteriosa quanto nos habituara.

Por tudo isto, vou continuar a seguir a saga em 2019, apesar de não haver mais livros traduzidos em português de Portugal. A Roda do Tempo é uma série que para mim tem vindo a crescer em qualidade e quero ver até onde estes catorze tomos de alta fantasia me levarão, e o quanto conseguirão eles subverter uma história para mim tradicional e pouco apelativa que acabou por influenciar vários escritores de fantasia em todo o mundo.

Avaliação: 7/10

A Roda do Tempo (Bertrand Editora):

#1 O Olho do Mundo

#2 A Grande Caçada

#3 O Dragão Renascido

#4 A Sombra Alastra

#5 The Fires of Heaven

#6 Lord of Chaos

11 comentários em “Estive a Ler: A Sombra Alastra, A Roda do Tempo #4

  1. Eu comecei este agora, mas os primeiros capítulos seguiram os White Cloacks e os Seanchan, que eu não gosto mesmo nada, por isso está a custar-me progredir. De qualquer modo também quero continuar a seguir a série, e como já estou a ler em inglês já tenho os volumes todos na calha 🙂
    Boas Leituras!

    1. Nesta saga todos os livros me custaram a progredir 😩 Mas achei este o melhor.
      Obrigado pela visita e boas leituras 😊

      1. Eu já o retomei, mas estou tantas vezes enervada? Será masoquismo? 🙂
        Mas agora tenho que saber o fim da história.

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