Estive a Ler: O Dragão Renascido, A Roda do Tempo #3


O Padrão é tecido com primor em torno do ta’veren, e outros podem acompanhar a forma dessa trama se souberem onde olhar.

O TEXTO SEGUINTE ABORDA O LIVRO “O DRAGÃO RENASCIDO”, TERCEIRO VOLUME DA SÉRIE A RODA DO TEMPO

Robert Jordan era o pseudónimo de James Oliver Rigney, Jr., com o qual ficou conhecido pela famosa saga The Wheel of Time. Falecido em 2007, escreveu também com os pseudónimos Reagan O’Neal e Jackson O’Reilly. A saga foi planeada como uma série de seis livros, mas acabou por terminar com catorze. A Roda do Tempo, título da tradução portuguesa, será brevemente adaptada para uma série de TV pela Amazon Studios.

Nascido em Charleston, na Carolina do Sul, Jordan foi militar no Vietname entre 1968 e 1970, vindo mais tarde a destacar-se como engenheiro nuclear. Começou a escrever em 1977, embora nunca tenha vindo a terminar a sua série de fantasia, que publicara de 1990 até à data da sua morte. O terceiro volume de A Roda do Tempo, O Dragão Renascido, tem um total de 720 páginas e edição da Bertrand Editora.

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Fonte: jasonchanart.blogspot.pt

O Dragão Renascido é mais um livro de fantasia cheio de ingredientes incríveis e reviravoltas. Jornadas de personagens bem construídas, combates e viagens por montanha ou por mar. Uma toada críptica a fazer mover as peças do jogo, a dispersá-las e fazê-las confluir. Robert Jordan revelou uma grande capacidade na construção de uma narrativa sólida e bem apetrechada de elementos fantásticos, com diálogos cheios de ritmo e até alguns toques de humor.

“É uma série que entretém bem e que quero continuar a seguir, para ver se em algum momento ela me irá surpreender.

Acontece que voltou a não me cativar por aí além. Gostei do livro, mas não me encantei com as analogias à lenda do Rei Artur, com a permanente invulnerabilidade do dark lord e com os seus discípulos com nomes muito pouco originais. E, por mais ritmo que a história tenha, por mais aventuras que as personagens vivam, permaneço com uma sensação de tédio ao ler esta saga e não sei explicar muito bem o porquê.

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Fonte: https://www.bertrandeditora.pt/produtos/ficha/o-dragao-renascido/202960

Talvez pela sua previsibilidade. A passagem por cidades, tabernas e barcos foi muito bem narrada, apetecível para qualquer fã de fantasia, mas chego ao fim do livro, li 720 páginas e está tudo praticamente na mesma. O protagonista é o herói profetizado e o vilão continua a assombrar os destinos do mundo. Para além de toda a parafernália de criaturas das trevas me soar a uma miscelânea pouco convincente.

Recapitulando a história da série, bem inspirada na literatura do Ciclo Bretão que empola as façanhas do Rei Artur, lembro que houve até uma figura lendária chamada Artur Asa-de-Gavião, tanto o Universo como a Roda do Tempo foram criados por uma divindade conhecida como o Criador. A Roda não tem fim nem início, ela apenas existe e tece os dias na Terra, rodando graças ao Poder Único, obtido da Fonte Verdadeira, composta da energia de metades masculinas e femininas, saidin e saidar, respectivamente.

Os humanos que conseguem manipular essa força são chamados de canalizadores, e a principal organização mencionada nos livros capaz disso são as Aes Sedai, na atualidade apenas composta por mulheres. O Criador aprisionou Shai’tan no momento da criação, mas uma experiência fracassada das Aes Sedai libertou acidentalmente a sua energia maligna no mundo. O Tenebroso, como ficou conhecido Shai’tan, prometeu poder e imortalidade para aqueles que aceitassem juntar-se a ele.

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Fonte: https://kopitiambot.com/2018/10/page/1047/

Um século após a sua fuga, iniciaram-se guerras abertas entre as forças do Tenebroso e os seguidores da Luz, tendo estas como seu líder Lews Therin Telamon, o Dragão. Este liderou um grupo de homens e conseguiu selar novamente a prisão do Tenebroso, mas o resultado não lhes foi nada favorável, uma vez que os os saidin saíram de lá maculados pelo Shai’Than.

“O Dragão Renascido é mais um livro de fantasia cheio de ingredientes incríveis e reviravoltas.”

Os Aes Sedai masculinos enlouqueceram e causaram a ruptura do mundo, dando fim à Era das Lendas. As profecias diziam que um dia “O Sangue do Dragão Renascido sobre as pedras de Shayol Ghul libertará a humanidade da Sombra”. Como o tempo é regido por uma roda, esses acontecimentos estão prestes a voltar a suceder, com três jovens do vilarejo de Dois Rios, Rand al’Thor, Perrin Aybara e Matrim Cauthon ligados intrinsecamente a esses acontecimentos.

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Fonte: https://dragonmountbooks.wordpress.com/2012/09/12/banners-de-the-wheel-of-time-a-roda-do-tempo/

Em O Dragão Renascido acompanhamos estes jovens separados. Enquanto Rand se assume como a reencarnação de Lews Therin e parte para outro plano em busca da espada mágica Callandor, os seus companheiros empreendem jornadas realmente incríveis por terra e por mar. Mat, que procurava recuperar dos ferimentos do volume anterior sob a vigília das Aes Sedai, foge ao controlo do Trono de Amyrlin com a ajuda de Thom Merrilin.

Por sua vez, Nynaeve, Ewgene e Elayne também partem numa jornada para encontrar respostas sobre a Ajah Negra, a alegada facção de Aes Sedai que se diz ligada ao Tenebroso. Perrin também enfrenta vários obstáculos na perseguição a Rand, acompanhado por Moiraine, Lan, Loial e a jovem Zarine, que lhe recorda por várias vezes as profecias proferidas por Min.

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Fonte: https://andphilosophy.com/2014/07/09/wheel-of-time-and-philosophy/

Como pontos mais positivos deste livro, destaco o facto de Rand não ter grande protagonismo. Para além de mais um combate com o dark lord tão semelhante àqueles que aconteceram nos volumes anteriores, foram pouquíssimos os seus capítulos com pontos de vista. Perrin, Mat, Egwene e Nynaeve tiveram mais protagonismo, mas também Moiraine teve muito mais tempo de antena, o que é de assinalar visto ser a melhor personagem da saga.

Em suma, O Dragão Renascido é um livro de qualidade, mas largamente decepcionante pela falta de substância e pela contínua passagem pelos lugares-comuns do género, não tendo sequer uma escrita de encher o olho, ficando abaixo de várias sagas que tenho lido. É uma série que entretém bem e que quero continuar a seguir, para ver se em algum momento ela me irá surpreender. Porque quero, e muito, gostar desta saga.

Avaliação: 6/10

A Roda do Tempo (Bertrand Editora):

#1 O Olho do Mundo

#2 A Grande Caçada

#3 O Dragão Renascido

#4 A Sombra Alastra

#5 The Fires of Heaven

#6 Lord of Chaos

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