Resumo Trimestral de Leituras #16


Olá a todos! Chegamos ao fim de 2018 e posso dizer-vos que as minhas leituras do último trimestre não me desapontaram. Como vem sendo hábito, as melhores acontecem no outono, e este ano não foi diferente. Stephen King, Robin Hobb, Steven Erikson e Brandon Sanderson foram uma vez mais os destaques, mas li pela primeira vez Margaret Atwood; se A História de Uma Serva não me encheu as medidas, Chamavam-lhe Grace foi uma excelente leitura.

Também destaco nomes como Terry Pratchett ou Robert Jordan, mas tenho para mim que a grande surpresa do trimestre ou até do ano foi Mia Couto. Li livros incríveis em 2018 e estou já a preparar a listinha de leituras de 2019. Será um ano mais suave, mas espero poder presentear-vos com opiniões mais completas e artigos ainda mais interessantes. Continuem por aí.

Melhor Livro: A Coisa #1, Stephen King

Melhor BD: Saga #8, Brian K. Vaughan e Fiona Staples

Pior Avaliação: Os Irmãos Karámazov, Fiódor Dostoiévski

Sem TítuloComecei outubro com Jonathan Strange & O Sr. Norrell de Susanna Clarke, publicado no nosso país em 2004 pela Casa das Letras. Trata-se de uma realidade alternativa que fala sobre dois magos da Inglaterra do séc. XIX, os dois últimos praticantes da magia inglesa. Durante décadas, a magia foi apenas um exercício teórico, mas isso mudou quando descobriram Gilbert Norrell, um velho sovina conhecido pela sua obsessão em colecionar livros e em não deixar que alguém lhes toque. O maravilhamento à sua volta espalha-se pelo mundo, mas entra em colapso quando surge Jonathan Strange, um outro praticante de magia, mais jovem e com ideias bem polémicas. O livro fala sobre a rivalidade, mas sobretudo sobre a amizade entre estes dois homens, numa narrativa extremamente bem trabalhada pela autora. Com argumento de Jeff Lemire e arte de Dustin Nguyen, Lua Máquina é o segundo volume da BD Descender, publicada no nosso país pela G Floy. Neste álbum, acompanhamos o salvamento de TIM-21, Telsa e Dr. Quon por parte da Resistência, que os conduzem à Lua Máquina, enquanto Broca e o cão-robot de estimação de TIM permanecem aprisionados em Gnish. Com Andy a ganhar protagonismo e um encontro sinistro de TIM-21 com um robot menino da sua série, este segundo volume aumentou as minhas expectativas em relação a esta saga de ficção científica.

Sem TítuloTambém pela G Floy chegou-nos o tão aguardado oitavo volume de Saga. Nesta BD saudavelmente louca, Brian K. Vaughan e Fiona Staples voltam a oferecer um espetáculo de encontros e reencontros, situações caricatas e inesperadas, volte-faces incríveis, cenas familiares, cenas não tão familiares, mas sobretudo doseia mensagens subliminares e críticas sociais numa space opera colorida e apaixonante. Este volume não trouxe grandes avanços narrativos, mas surpreendeu nos detalhes. Publicado pela Bertrand, A Grande Caçada é o segundo volume da saga A Roda do Tempo de Robert Jordan. Começou com muitos ares tolkienianos, no seguimento de um primeiro volume que não me cativou. Felizmente a densificação da narrativa, o adicionar de intrigas na cidade de Cairhien e a separação dos núcleos contribuiu para que tenha gostado bem mais deste livro do que do primeiro. Não tem nada que se destaque e pouco interesse para ler depois de tanto que já se fez em fantasia, mas é uma leitura agradável.

Sem TítuloMenos comestível é o livro Os Irmãos Karamázov, que este ano conheceu uma nova edição pela Saída de Emergência. Escrito por Fiódor Dostoiévski e considerado um dos livros mais importantes da literatura russa, esta história fala-nos da família Karamázov, mais propriamente de um pai que nunca quis educar os filhos. Os mais novos forjam um grande debate entre a fé e o intelecto e o mais velho deseja furtar o dinheiro e a amante ao progenitor, trazendo uma série de questões que imortalizaram Os Irmãos Karamázov como uma obra de pendor filosófico e religioso, tratando ainda das questões da justiça e da parentalidade. Por muito interessante que possa parecer, os nomes são quase impronunciáveis e a leitura é extremamente dolorosa. Li Os Contos Mais Arrepiantes de Howard Phillips Lovecraft, que revela um trabalho de ilustração, tradução e edição incríveis, para além de uma biografia do autor muito bem conseguida por António Monteiro. A publicação, em capa dura, é uma merecida homenagem ao mestre do horror pela Saída de Emergência, com ilustrações de 22 artistas nacionais. Os contos que mais me fascinaram foram “Factos Acerca do Falecido Arthur Jermyn e Sua Família”, “As Ratazanas nas Paredes” ou “A Abominação de Dunwich”, mas todos eles são bastante homogéneos, de tal forma que por vezes fica a sensação que são bem repetitivos. Ainda assim, ler Lovecraft é sempre fantástico.

Sem Título 2Finalizei a trilogia Império das Tormentas de Jon Skovron, publicada pela Saída de Emergência. Neste terceiro volume, acompanhamos a jornada de Ruivo em busca de Esperança Sombria e a procura desta pelas suas raízes, à medida que as peças finalmente se posicionam para o embate decisivo contra a força dos biomantes. Por muito que os protagonistas sejam Ruivo e Esperança Sombria, para mim Meryvale Hempist e Rosa Negra salvaram a trilogia no seu todo, e este livro em particular. É uma trilogia abaixo das séries mais faladas, com um pendor mais juvenil, mas vale a pena. A G Floy Studio publicou o primeiro volume da série Moonshine de Brian Azzarello e Eduardo Risso, dupla conhecida pelo famoso 100 Balas, que está nas mãos da Levoir. Neste álbum inaugural, intitulado Sangue e Whisky, somos apresentados à América dos anos 20, onde a Lei Seca em voga condicionou a vida de milhares. O gangster que protagoniza a série vai às montanhas dos Apalaches para tentar negociar com um fabricante de bebidas ilegal, a mando do seu patrão, um rei do crime. A coisa não corre muito bem e ele acaba por se ver prostrado pela brutalidade dos locais, bem como pela existência inusitada de um lobisomem entre eles.

Sem Título E o que dizer de Sob a Asa do Diabo? Já havia gostado dos primeiros três volumes de Outcast, mas o quarto volume traz mais surpresas, mais suspense e mais possessões. Com argumento de Robert Kirkman e arte de Paul Azaceta, a narrativa leva-nos a um embate entre Kyle e Sidney, entre o Outcast e o homem que parece manobrar a chuva de possessões que assola a comunidade. Com uma arte extraordinária, a que se juntam as cores de Elizabeth Breitweiser, é uma série que me tem cativado bastante. Lançada no Fórum Fantástico 2018, O Resto É Paisagem é a mais recente antologia da Editorial Divergência. Trata-se da reunião de dez contos de fantasia rural, com coordenação editorial de Luís Filipe Silva. Apesar da Portugalidade e do regionalismo estarem bem representados, ele foca-se mais nas mitologias e crendices do nosso país, de aparições a casas assombradas, da célebre Maria Gancha a tragos e olharapos. Uma antologia de grande qualidade, em que destaco os contos “O Prego no Portão” de João Ventura e “O Poço” de Simão Cortês.

Sem Título 3Pela Editorial Caminho chegou A Espada e a Azagaia, segundo volume da trilogia moçambicana As Areias do Imperador de Mia Couto. Acrescentando as respostas de Ayres de Ornelas a Germano, este livro leva Imani e o sargento português numa barcaça até Sana Benene, um povoado onde um padre e uma curandeira parecem o inverso um do outro bem como o espelho da Humanidade, trazendo aos protagonistas reflexões e entendimentos que são o ponto de partida para o esperado encontro entre Ngungunyane e Mouzinho de Albuquerque. Couto não desilude em mais um livro riquíssimo em jogos de palavras que nos fazem pensar no mundo e em nós mesmos. Comecei novembro com Três Coroas Negras de Kendare Blake, publicado pela Porto Editora com direito a edição especial na ComicCon Portugal 2018. Este é o primeiro volume de uma saga de fantasia YA na qual três irmãs são educadas por um grupo restrito, envenenadoras, naturalistas e elementais, para se digladiarem mutuamente, após completarem os dezasseis anos. E isto porque só uma pode ser a rainha de Fennbirn. Foi uma história com vários focos de grande interesse, mas que acabou por se perder nos habituais dilemas amorosos, sem mostrar realmente o lado mais negro que a premissa prometia.

Sem TítuloLi o Sr. Mercedes de Stephen King, primeiro volume da trilogia protagonizada pelo polícia reformado Bill Hodges, publicado pela Bertrand. De facto, este livro ressuscitou a minha vontade de voltar a ler Stephen King. Por estranho que pareça, não há nada de sobrenatural nesta obra, tratando-se de um policial bem amarrado que prende o leitor da primeira à última página, mesmo que saibamos desde o início quem é o assassino e saibamos o quanto ele é fraquinho. Mas em oposição, o protagonista é excelente e nós só queremos vê-lo a desancar o cretino à porrada. Deuses Americanos de Neil Gaiman foi um livro que li em dezembro do ano passado e do qual não fiquei fã. Mas arrisquei aventurar-me na BD que adapta o livro e a verdade é que gostei muito mais. A história é exatamente a mesma, mas vê-la ilustrada – e que ilustrações – fê-la ganhar uma outra vida no meu subconsciente. Sombras é a primeira parte desta adaptação de P. Craig Russell, que conta ainda com ilustrações de Scott Hampton e foi publicada pela Saída de Emergência.

Sem TítuloRobin Hobb esteve em Portugal e eu não podia deixar de ir ver ao vivo uma das minhas autoras preferidas, numa altura em que A Viagem do Assassino, o penúltimo livro da Saga Assassino e o Bobo, foi lançado no nosso país pela Saída de Emergência. O livro é maravilhoso, como vem sendo hábito. Acompanhamos de um lado Abelha a tentar fugir aos terríveis Servos que acreditam que ela é uma profetisa poderosa, do outro o seu pai FitzCavalaria, a mover mundos e fundos para lhes dar vingança. Neste volume conhecemos ainda os navios vivos e vários outros segredos do sempre enigmático e fascinante Bobo. E li A Coisa, o tão aguardado livro de Stephen King que finalmente foi publicado pela Bertrand no nosso país em dois volumes (livro I e livro II). Não é uma obra que aconselho a qualquer um. A revisão não é das melhores, os livros são caros como tudo e a própria trama não convida a quem queira narrativas rápidas ou com perfeita lógica. É uma história para saborear a pouco e pouco, para se degustar e para se maravilhar. Um livro que fala sobre preconceitos, sobre dramas pessoais sérios e foca-se nisso até à exaustão, para depois te fazer arrancar da cadeira com as revelações mais fantasiosas e irreais que podes imaginar. Sinceramente amei este livro e é seguramente a minha melhor leitura de 2018.

Sem Título 3Já tinha lido Bons Augúrios de Terry Pratchett e, ao contrário de 99,9% da população de leitores, não gostei. Por isso tinha um pé atrás em voltar a ler Pratchett, mas a curiosidade sobre Discworld era grande e peguei em A Cor da Magia, edição da Temas e Debates. Talvez por ter as expectativas tão baixas, adorei o livro. Ele não traz realmente nada de novo ao mundo da fantasia, mas é uma sátira bem engraçada que ironiza elementos de autores como Tolkien, Howard ou Lovecraft nas suas personagens, todas elas extremamente bem conseguidas. O humor foi incrível e Rincewind tornou-se um dos meus magos preferidos. A História de Uma Serva é a versão portuguesa do tão badalado The Handmaid’s Tale de Margaret Atwood, pela Bertrand. Achei que a história é realmente muito representativa e importante, o livro mostra realmente os perigos de regimes políticos extremistas e, no caso, dos caminhos tortuosos que um governo misógino pode desencadear. Porém, aparte este simbolismo todo, o livro não me agradou muito. Achei a protagonista demasiado permissiva, talvez. Tudo demasiado mecânico, sem sentimentos. Personagens sem profundidade. Acredito que tenha sido propositado, mas foi isso que me fez não gostar muito dele.

Sem Título 3Um livro com menor qualidade mas que me entusiasmou mais foi Caraval de Stephanie Garber, no catálogo da Editorial Presença. É um YA sobre duas irmãs que vivem aterrorizadas pela crueldade do pai e que sonham desde meninas encontrar o Caraval, que se trata de uma espécie de feira popular itinerante que convida os seus espectadores a participarem num jogo no mínimo… perigoso. A irmã mais velha enviou por anos e anos cartas para que o Caraval passasse pela ilha onde vivem, mas Legend, o criador e dono do jogo, nunca lhe respondeu. Até ao momento em que ela, numa carta, anuncia o seu noivado. Disponível online, Mistborn: Secret History é uma noveleta de 150 páginas de Brandon Sanderson que acompanha a ação da primeira saga Mistborn, pela perspetiva de uma personagem que não vemos ao longo do segundo e terceiro livros. Ele traz novas revelações sobre a série e sobre o mundo, apresentando ainda cenários e personagens de outras séries do autor, como White Sand, The Stormlight Archive e do conto “Sombras Para Silêncio nas Florestas do Inferno”, presente em Mulheres Perigosas. Não consigo, chamem-me nomes, comprar as explicações rebuscadas do autor, mas a Cosmere tem todo um ambiente e estrutura que me fascina por si só.

Sem Título 2Pela Saída de Emergência chegou Memórias do Gelo, quarto volume da Saga do Império Malazano de Steven Erikson. Este é outro dos meus autores preferidos e esta saga não pára de me surpreender. Trocando por miúdos, este livro mostra basicamente todas as personagens de Jardins da Lua unidas, contando ainda com a ajuda de hordas de mortos-vivos, os t’lan imass, contra um inimigo comum do qual pouco ou nada se sabe, para além de que os seus exércitos são canibais e que usam em combate uma espécie de velociraptors com espadas no lugar de braços. Mas o livro é muito mais do que isso, há personagens em vias de se tornarem deuses e inúmeras intrigas menores dentro de cada núcleo. A série está on fire e este livro é, no mínimo, incrível! Comecei dezembro com Chamavam-lhe Grace de Margaret Atwood, publicado em setembro pela Bertrand. Trata-se de um romance histórico que documenta a história de uma rapariga condenada por ter participado no homicídio do patrão e da governanta da casa onde trabalhava. A história é verídica, os contornos da mesma, nem por isso. Atwood tomou bastantes liberdades narrativas, conduzindo-nos pela mente de uma rapariga, pelo seu passado e pelo presente, enquanto transmite ao médico que a visita na prisão a sua versão dos acontecimentos. Terá ela sido a mentora do crime ou foi arrastada por outros, terá sido cúmplice ou estava no sítio errado à hora errada? Pessoalmente, melhor que A História de Uma Serva, a obra maior da autora.

Sem Título 2Finalizei a trilogia Executores de Brandon Sanderson. Trata-se de uma série de super-heróis para jovens adultos, publicada no Brasil pela Aleph. No terceiro volume, Calamidade, acompanhamos os eventos que se seguiram à estadia em Babilar do grupo chamado Executores, dedicado a exterminar os super-heróis maléficos. Neste livro sabemos finalmente porque é que o objeto espacial chamado Calamidade dotou os humanos de super poderes e porque é que eles o usam para o mal. A série protagonizada por David Charleston foi muito dinâmica e até divertida, mas não me deixa saudades e o terceiro livro foi o pior dos três. O thriller de Paula Hawkins Escrito na Água vem na senda do sucesso de A Rapariga no Comboio. Publicado pela TopSeller, esta história revela um amadurecimento da autora em relação ao primeiro romance. Nel Abbott tinha uma fixação pelo rio da sua vila natal, Beckford, também conhecido como o Poço das Afogadas. Várias mulheres foram levadas para ele, e ali morreram. Quando também ela aparece morta, tudo indica que não tenha sido apenas um suicídio. Este livro tem capítulos do ponto de vista de várias personagens, pelo que o início é um pouco confuso e mesmo ao longo do livro acabamos por não conseguir criar muita empatia com qualquer uma delas. Ainda assim, é uma história muito boa de uma autora com potencial.

Sem Título 3Clássico da Ficção Especulativa, 1984 de George Orwell é uma distopia intemporal que não podia ser mais atual. Publicado pela Antígona, o livro traça uma crítica veemente às sociedades dictatoriais, ao estalinismo e ao nazismo, abordando a temática da vigilância abusiva e da propaganda política. Num mundo em que o que hoje é verdade amanhã pode não ser e é o Partido que determina os factos históricos da nação, Winston Smith luta contra a sua própria prática, tentando fugir da manipulação que o envolve e continuar vivo com isso. Um livro extraordinário. A Guerra É Para os Velhos é a tradução portuguesa de The Old Men’s War de John Scalzi, que a Gailivro trouxe até nós em 2009. Tinha muita curiosidade em conhecer esta série de ficção científica muito bem referenciada, que mostra um futuro em que os idosos se podem alistar no serviço militar por um período que se pode estender a uma década. A questão é que através de manipulação genética, eles são transportados para corpos em tudo semelhantes aos que tinham na juventude e travar assim batalhas na colonização do espaço. A história é interessante e gostei da escrita de Scalzi, mas achei toda a ação muito corrida e sem grande importância. Esperava melhor.

Sem TítuloPelas mãos da Saída de Emergência chegou-nos A Esposa Minúscula de Andrew Kaufman. Uma fábula dos tempos modernos, esta noveleta conta-nos a história de um invulgar assalto ao banco, em que o assaltante exigiu às pessoas que lá se encontravam os objetos que lhes fossem sentimentalmente mais importantes. Antes de se despedir, avisou que algo iria acontecer e a verdade é que coisas estranhas começaram a ocorrer com todos eles. A esposa do protagonista começou a encolher até ficar minúscula. Um livro muito bonito com uma moral interessante. Li também a novelização do filme The Shape of Water, de Guillermo del Toro e Daniel Krauss. O livro tinha sido planeado antes da longa-metragem que ganhou o Óscar de Melhor Filme em 2018, mas só foi publicado posteriormente, aproveitando o sucesso da mesma. A história trata muito bem da questão dos preconceitos, narrando a história de um homem racista e misógino que captura uma criatura vista pelos indígenas como um deus, enquanto uma empregada de limpeza surda muda cria uma relação de grande empatia com o monstro e predispõe-se a resgatá-lo com a ajuda da sua colega de cor e o seu vizinho gay. Uma história lindíssima, que sensibiliza quem a lê.

Sem TítuloNo segundo e último volume da BD O Legado de Júpiter de Mark Millar e Frank Quitely, Revolta, continuamos a acompanhar os desafios sócio-políticos das personagens envolvidas, numa história que nos mostra o que acontece aos filhos de super-heróis que cresceram como celebridades. Neste volume, Chloe junta-se a uma equipa de super-vilões cuja missão será travar a forma errada com que alguns pretendem salvar o mundo. Extremamente cinzenta na abordagem e colorida nas imagens, O Legado de Júpiter é mais uma comic de referência, que nos chega pelas mãos da G Floy Studio. O Bebedor de Horizontes é o terceiro e último volume da trilogia moçambicana As Areias do Imperador, de Mia Couto. Repleto de metáforas, o livro publicado pela Caminho oferece uma narrativa única que conta a história da captura do imperador Ngungunyane por Mouzinho de Albuquerque, trazendo-o para Portugal usando a protagonista Imani como intérprete e espia. A jovem sofre com uma gravidez solitária e com a distância que a separa de Germano de Melo, ao mesmo tempo que é obrigada a enfrentar as disputas de ideais entre Mouzinho e Álvaro Andrea, bem como uma sogra truculenta. Mais uma narração maravilhosa de Mia Couto, um dos autores que mais me surpreenderam este ano.

Sem Título 2Os volumes 3 e 4 de A Roda do Tempo foram os últimos publicados em Portugal pela Bertrand. Robert Jordan volta a não me encantar, com uma narração morosa e muitos acontecimentos, mas pouco significativos. Ainda assim, é uma saga que tem todos os elementos que podem encantar aos fãs de fantástico: combates, grandes batalhas, jogatanas em tabernas, espionagem, travessias por mar, demandas heróicas e relações bem desenvolvidas. O conceito, porém, parece-me bastante cliché, a mítica luta do herói profetizado contra um dark lord inacessível. O Dragão Renascido teve um bom ritmo mas custou-me bastante a ler, embora me pareça que a história tenha melhorado no quarto volume. Finalmente li a icónica história de Natal que inspirou a criação da famosa personagem Tio Patinhas da Disney. Um Conto de Natal de Charles Dickens é um livro imperdível sobre a verdadeira essência do Natal. A publicação, em Portugal distribuída pela Europa-América, acompanha o avarento Ebenezer Scrooge que recebe a visita do seu antigo sócio, já falecido. O espírito diz-lhe que falhou em vida e que não vai a tempo de remendar os seus erros, mas que Scrooge ainda se pode redimir de uma vida de tacanhice e desapego. Avisa-o também que irá receber a visita de três fantasmas. E é o que acontece. O espírito dos Natais Passados, o do Natal Presente e o dos Natais Futuros mostram-lhe a vida que leva e a que os seus empregados são obrigados a ter, oferecendo-lhe uma nova visão sobre o mundo. Scrooge torna-se então um símbolo do espírito natalício e este conto é, ele próprio, um símbolo desta época.

Até ao fim do ano, trarei ainda até vós uma retrospectiva do meu ano fora e dentro do blogue. Fiquem por aí!

Um comentário em “Resumo Trimestral de Leituras #16

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