Estive a Ler: Starlight


Bem, tu mereces uma. Aterraste aqui por acidente e derrubaste um ditador, Duke.

O TEXTO SEGUINTE ABORDA O LIVRO STARLIGHT (FORMATO BD)

E que tal uma comic interestelar a fazer lembrar Flash Gordon? Mark Millar já não precisa de apresentações ao público de BD português: é o criador de comics como Kick-Ass, Kingsman, O Legado de Júpiter, Nemesis, KM/H – MPH, Wanted e muitos outros, para além de ter assinado algumas das grandes sagas de super-heróis na DC e na Marvel, com livros como Super-Homem: Herança Vermelha ou Guerra Civil. Muitos dos seus livros foram já adaptados ao grande ecrã ou estão a caminho também do pequeno ecrã, depois da Netflix ter adquirido a chancela Millarworld e ter iniciado o processo de adaptação das suas séries de comics a séries de TV.

Goran Parlov é um ilustrador croata que construiu a sua carreira de artista de BD  principalmente em Itália. Os seus primeiros trabalhos foram para a Sergio Bonelli Editore, incluindo para Tex, uma das mais populares personagens de BD em Itália e no mundo. Goran começou a trabalhar para o mercado americano no início dos anos 2000, em séries como Outlaw Nation e Y: O Último Homem, para a Vertigo; Terminator 3, para a Becket Comics; Black Widow, The Punisher: MAX, e Fury: MAX para a Marvel. Starlight é a sua primeira colaboração com Mark Millar.

Sem Título 3
Fonte: G Floy Studio

A nova aposta da G Floy Studio não me podia ter agradado mais. Numa clara homenagem aos pulps de ficção científica em que um comum mortal se torna o salvador da galáxia, Starlight de Mark Millar e Goran Parlov apresenta-nos uma aventura incrível entre planetas, cheia de campeões e vilões arquetípicos. Apesar da roupagem clássica e da visão pouco credível de um herói interestelar, a obra traz não só um ritmo bem interessante como fala nas entrelinhas sobre saudosismo e sobre o verdadeiro sentido de família.

“As cores fortes são chamativas, contribuindo também para que este Starlight seja de facto um trabalho de grande qualidade.”

Podemos adivinhar desde o início o desenlace da história, não há surpresas e a mesmice é gritante. Só que para além da homenagem bem executada ao género de obras como Flash Gordon ou Princesa de Marte, Starlight é uma aventura empolgante que fala muito sobre tirania, sobre os efeitos colossais de um regime despótico e sobre a promessa eterna de um D. Sebastião que chegue para salvar o mundo. Mas mais do que isso, esta BD fala sobre velhice, passado e perda. E é rica em significados.

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Fonte: G Floy Studio

Nada como a sinopse da editora para entenderes a premissa:

Na sua juventude, Duke McQueen foi transportado para o distante planeta Tantalus, onde ajudou a salvar a população de um tirano terrível. Mas isso foi há quarenta anos, e entretanto ele regressou à Terra, casou com a única pessoa que sempre acreditou na sua história, teve filhos e tornou-se num homem velho, a quem já nada resta senão as suas memórias de um tempo mais glorioso… até uma noite em que uma astronave desce dos céus e aterra no seu jardim, a pedir-lhe que aceite regressar para uma última aventura! Será que Duke vai conseguir esquecer que já é um homem velho, e relembrar o herói que em tempos foi? Ah, e claro, cabeças e naves vão explodir, corpos vão ser cortados ao meio por lasers, e a contagem de corpos de vilões não vai parar de subir à medida que o leitor for virando as páginas do livro!

Duke McQueen perdeu a esposa, a única que realmente acreditava no seu relato de ter salvo um planeta inteiro de um ditador inescrupuloso. Planeta que o homenageou com honrarias e até uma estátua. Mas o que acontecerá a este velho decrépito a quem não resta nada? Quando um jovem de cabelo cor de rosa aterra à porta de sua casa numa nave espacial e lhe diz que Tantalus precisa novamente da sua ajuda, Duke esquece-se que é um velho e volta a empunhar a sua pistola laser para salvar o planeta. Mas será que ainda está em forma?

Sem Título 3
Fonte: G Floy Studio

Starlight é uma BD rica em vários aspectos. Na homenagem às pulps, no simbolismo subjacente e na proximidade com que ele chega ao leitor através das debilidades e incertezas do protagonista. O argumento de Mark Millar volta a convencer-me, depois de no ano passado já ter gostado de algumas das suas histórias. Starlight não é nada inferior a Imperatriz, O Legado de Júpiter ou KM/H – MPH.

Para isso contribui a arte de Goran Parlov, ilustrador que já conhecia da sua participação em Y: O Último Homem. A ilustração é forte e chamativa, com traços de vívida inspiração pulp, realçando a masculinidade do herói e as formas lúbricas das mulheres, sem esquecer as características inusitadas, mas familiares, dos extraterrestres. As cores fortes são chamativas, contribuindo também para que este Starlight seja de facto um trabalho de grande qualidade.

Avaliação: 9/10

2 comentários em “Estive a Ler: Starlight

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