Estive a Ler: O Trono dos Crânios, Ciclo dos Demónios #4


Havia mais mulheres a tornarem-se Sharum’ting todos os dias, mas só elas tinham o sangue do Libertador. Só elas envergavam os véus brancos.

O TEXTO SEGUINTE ABORDA O LIVRO “O TRONO DOS CRÂNIOS”, QUARTO VOLUME DA SÉRIE CICLO DOS DEMÓNIOS

O Trono dos Crânios é a tradução portuguesa de The Skull Throne de Peter V. Brett, autor norte-americano que se tornou best-seller internacional com O Homem Pintado e A Lança do Deserto. Criado com uma dieta contínua de romances de fantasia, banda desenhada e jogos Dungeons & Dragons, Brett tem escrito histórias de fantasia desde que se lembra. Formou-se em Literatura Inglesa e História da Arte na Universidade de Buffalo em 1995 e passou mais de uma década no ramo das publicações farmacêuticas, antes de regressar à sua paixão. Vive em Brooklyn, Nova Iorque.

A saga The Demon Cycle apresenta um mundo despedaçado em que demónios sedentos de sangue surgem à noite, perseguindo a raça humana até esta se recolher em fortificações e confiar na proteção das magias dos seus antepassados, baseadas em runas e ossos de demónio. Em Portugal, a saga que já teve como título A Noite é dos Demónios e Ciclo dos Demónios foi já concluída pela Coleção 1001 Mundos da ASA. O quarto e penúltimo volume foi publicado em fevereiro de 2016, com um total de 752 páginas e tradução do português Renato Carreira.

Resultado de imagem para the village gif
Fonte: https://giphy.com/gifs/the-village-yqrL2eVRdg5gs

Ao nível dos antecessores, a quarta entrega de Peter V. Brett no mundo de Thesa vem confirmar uma vez mais o talento do autor norte-americano e a sua capacidade de enredar o leitor nas suas muitas histórias e pontos de vista. O Trono dos Crânios é, possivelmente, o livro mais emocionante da série até então. E a sequência de acontecimentos suscitava, possivelmente, momentos verosímeis e realistas como Brett tão bem nos habituou.

“O livro é muito bom como um todo.”

O que não me pareceu acontecer neste volume. Esperava reações mais fortes e realistas por parte das personagens, que acabaram por não ocorrer. Tudo aconteceu com alguma frivolidade, sem o impacto que realmente se exigia. Também senti que algumas sequências foram demasiado rápidas, quando situações sem qualquer valor narrativo se demoraram por páginas e páginas, numa lentidão que não compreendi muito bem, se compararmos com outras mais importantes.

Sem Título
Fonte: https://www.wook.pt/livro/o-trono-dos-cranios-peter-v-brett/17389805

Construído com crânios de generais caídos e de príncipes demónios, o Trono dos Crânios de Krasia é um lugar honrado onde a magia dos hora impera, mantendo longe os demónios nuclitas. Ahmann Jardir sentava-se no trono, destinado a ser o Libertador, salvador do mundo conhecido de Thesa, e transformar numa unidade as várias povoações de hortelões através da conquista, com o intuito de pôr fim à guerra com os nuclitas de uma vez por todas.

Quis o destino que Jardir amasse como um irmão um desses hortelões, um homem chamado Arlen, que foi obrigado a trair para preservar o seu lugar como o Libertador profetizado. Agora que descobriu que Arlen sobreviveu e é saudado também ele como o Libertador, o combate entre os dois tornou-se inevitável. Mas as ideias de Arlen são nebulosas e ele lança-se e a Jardir por um precipício, deixando o mundo sem um salvador. É aqui que a guerra pela sucessão no Trono dos Crânios tem início, entre os filhos de Jardir.

Resultado de imagem para lawrence of arabia omar sharif gif
Fonte: https://gifer.com/en/2H8r

Inevera, a primeira mulher de Jardir, tem de recorrer à sua astúcia e magia de hora para impedir que os filhos se matem uns aos outros, tendo para isso que recorrer ao homem mais inteligente do reino: Abban, o khaffit. Mas será a inteligência destes dois suficiente para impedir um massacre em terras do Libertador? Com uma guerra civil à porta, há cordelinhos a mexer e jogadas a ser planeadas, com o ducado de Lakton como um alvo mais do que apetecível. Um ponto de partida.

“Ciclo dos Demónios está entre as melhores séries literárias já concluídas no nosso país.”

No Outeiro do Lenhador, Leesha Papel encontra-se dividida entre a consciência e a proteção do bebé que alberga no ventre. Mas, à medida que usa o conde Thamos para os seus interesses pessoais, sente que se vai deixando envolver. Leesha é obrigada a enfrentar a sua própria hipocrisia, mas tem também um papel ativo a desempenhar na paz entre Rizon e Angiers e na defesa contra o avanço dos homens do deserto, povo por quem ela não nutre especial antipatia.

Imagem relacionada
Fonte: https://aminoapps.com/c/ocs-original-character/page/blog/la-bella-y-el-jabali-colaborativo-1-10/G58V_BEXhnuJeKQ7o7Nv3eMg053lR4NlQ7g

Tal como nos volumes anteriores, O Trono dos Crânios dedica o seu primeiro terço à complexa vida na corte krasiana, agora envolta numa disputa envolvente com Inevera como protagonista. Mas apesar de a personagem ser fantástica, uma das melhores criações de Peter V. Brett, os imensos capítulos dedicados a personagens sem grande significado para o leitor apenas oferece volume ao livro. Pode até oferecer alguma consistência, mas pessoalmente traz-me mais barulho de luzes e só.

O destaque dado às personagens principais foi, em comparação, diminuto neste volume. Apesar de protagonizarem alguns capítulos consecutivos, não voltaram a aparecer em todo o tomo. Houve outros momentos e outras personagens a reclamar o protagonismo, mas fiquei com a sensação que não houve uma distribuição de páginas devida às personagens neste volume. Apesar disso, é uma opção de autor que não quero apontar como falha. É uma questão pessoal.

Imagem relacionada
Fonte: https://frivolouswastesoftime.wordpress.com/tag/peter-v-brett/

O livro é muito bom como um todo. A escrita de Brett é simples mas madura, oferecendo um mundo original que convence o leitor pela forma como cria personagens passíveis de falhar, sem uma linha narrativa que possamos dizer previsível. As nuances das personagens são riquíssimas e o futuro de todas elas permanece incerto, porque assim como na vida real, os sentimentos de todos não são estanques, bem como as ideias e prioridades.

O Trono dos Crânios apresenta uma narrativa que não me pareceu bem estruturada, mas que me cativou tanto ou mais que os volumes anteriores. Depois das situações surpreendentes que aconteceram neste volume, não posso demorar muito a pegar no quinto e último volume, que foi lançado em Portugal no último ano. Ciclo dos Demónios está entre as melhores séries literárias já concluídas no nosso país.

Avaliação: 7/10

Ciclo dos Demónios (ASA / 1001 Mundos):

#1 O Homem Pintado

#2 A Lança do Deserto

#3 A Guerra Diurna

#4 O Trono dos Crânios

#5 O Núcleo

9 comentários em “Estive a Ler: O Trono dos Crânios, Ciclo dos Demónios #4

  1. Oie,

    Uma saga muito boa, já li até aqui e espero poder ler os restantes livros, do melhor que tenho lido de Fantasia

    Abraço

    Fiacha

    1. Não diria do melhor, mas é bom sim.
      Obrigado pelos comentários.
      Abraço e boas leituras. Já sei que estás a ler Cornwell.

Deixe uma resposta para Anônimo Cancelar resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto:
search previous next tag category expand menu location phone mail time cart zoom edit close