Estive a Ler: Perdido e Achado, Trilogia Bill Hodges #2


Meu amigo, consigo, o conceito de retenção anal adquire um novo significado.

O TEXTO SEGUINTE ABORDA O LIVRO “PERDIDO E ACHADO”, SEGUNDO VOLUME DA TRILOGIA BILL HODGES

Finders Keepers é o segundo volume da Trilogia Bill Hodges de Stephen King, traduzido em Portugal pela Bertrand Editora como Perdido e Achado. O livro é precedido por Sr. Mercedes e concluído com Fim de Turno, livros também já publicados pela Bertrand. Esta edição tem 392 páginas e conta com tradução de Ana Lourenço e Maria João Lourenço. Perdido e Achado foi publicado originalmente em junho de 2015 e no nosso país em março de 2018.

Autor de múltiplos livros de terror, sobrenatural e fantasia, Stephen King escreve também livros que se encaixam no género policial, onde podemos incluir esta Trilogia Bill Hodges. O autor do Maine é também conhecido por fazer vários crossovers entre as suas várias histórias e é visto como um dos maiores escritores contemporâneos, ou, pelo menos, um dos autores vivos que reúne um maior fandom na atualidade. A trilogia está a ser adaptada como série de tv, intitulada Mr. Mercedes.

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Este é daqueles livros que daqui por dois ou três meses vou achar que foi só mais um, é um fast food que satisfaz no momento mas que não deixa grandes marcas. Porém, que livraço! Não consegui deixá-lo de lado sem o terminar. Vibrante, viciante e essas coisas começadas por V são adjetivos mais do que apropriados para um livro que, não sendo superior ao primeiro, me deixou mais amarrado às páginas.

“Com realismo ou sobrenatural, Stephen King continua a apaixonar e a inquietar leitores em todo o mundo.”

A primeira metade é boa, boa mesmo, mas peca por termos muito pouco ou nada de Bill Hodges, o protagonista intenso de Sr. Mercedes que dá nome à trilogia, o polícia reformado mais badass de que tenho memória. Na verdade, ele só entra quase a meio, e a partir daí a trama adquire uma velocidade e uma intensidade incríveis. Se Sr. Mercedes foi uma senhora surpresa, Perdido e Achado foi um livro mais frenético e emocionante.

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Fonte: https://www.bertrand.pt/livro/perdido-e-achado-stephen-king/21041411

A história começa por ser dividida em vários espaços temporais. Em 1978, encontramos o icónico autor norte-americano John Rothstein, que reúne em sua casa não só a sua fortuna como os manuscritos engavetados de uma série muito popular que escreveu. Ficou-se pela primeira trilogia, por opção própria, apesar de ter continuado a redigir a saga. O velhote acorda de um sonho húmido com a sua casa a ser assaltada. O que ele não podia esperar era pelas motivações do seu ladrão.

Morris Bellamy é apaixonado pela trilogia protagonizada por Jimmy Gold, e adorava aquela personagem até ao terceiro e último livro, onde Rothstein o transformou num homem de família, com todas as futilidades do dia-a-dia, questões que interferiram com a mente retorcida e paranóica de Bellamy, que odiou aquilo em que a personagem se transformou. Ele invade a casa do escritor para o fazer pagar por aquilo que fez ao seu tão amado Jimmy, com dois ajudantes que tinham em vista a sua fortuna.

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Fonte: https://start.att.net/exclusive/audience/mr-mercedes/season-2

Bellamy assassina Rothstein e foge com o conteúdo do cofre, onde se encontram manuscritos nunca editados de histórias protagonizadas por Jimmy Gold, que mostram que o seu ídolo voltaria à identidade que ele amara. Mas Bellamy não chega a ler os manuscritos porque, depois de assassinar os seus cúmplices e ver uma oportunidade de vender os livros barrada, embebeda-se e é preso por violação. Até que, trinta e cinco anos depois, sai em liberdade condicional.

“Se Sr. Mercedes foi uma senhora surpresa, Perdido e Achado foi um livro mais frenético e emocionante.

Em 2009, quando Morris Bellamy está preso, Pete Saubers, um rapaz cujo pai foi brutalmente ferido por um Mercedes roubado, descobre uma mala cheia de dinheiro e os cadernos de Rothstein. Coincidência, ele vive na casa que foi de Bellamy e encontra um trilho que dá para o sítio onde o dinheiro e os cadernos foram enterrados. Com os pais a passarem por dificuldades, Pete começa a enviar-lhes dinheiro de forma anónima. Mas um dia, o dinheiro acaba e os cadernos são a única solução para poder continuar a ajudar a família.

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A história conta com várias ligações ao primeiro volume. Desde logo, o facto de o pai de Pete ser uma das vítimas do ataque do Sr. Mercedes. Depois, a irmã de Pete, Tina, ser a melhor amiga de Barbara Robinson, irmã de Jerome. E, por fim, a aparição de várias personagens, com o trio formado por Bill, um velho polícia reformado, Holly, uma nerd com síndrome de Asperger, e Jerome, um estudante negro bem-parecido, a voltar a arrasar.

Como aspetos menos positivos, realço a entrada tardia de Bill e companhia no enredo. Na verdade, aparte os momentos incríveis que estes personagens acrescentam à trama sempre que aparecem, não fizeram grande falta. Na minha opinião, o jovem Pete conseguiu resolver sozinho a grande enrascada em que se meteu, o que pareceria pouco provável numa fase inicial do livro. O rapaz foi uma das boas adições à trama.

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Também o desaparecimento súbito de Tom da história me pareceu estranho. Houve uma construção de personalidade e uma relação familiar protagonizada pelo pai de Pete que previ que fosse mais desenvolvida. É verdade que não senti a falta dele, mas o completo desaparecimento da personagem, justificada com fins laborais, não me pareceu a escolha mais indicada. Gostaria de ver a reação da personagem aos acontecimentos que envolveram a família.

Mas nada disto belisca um livro excelente que aborda a questão da idolatria para com livros e histórias, que não deixa nenhum leitor indiferente e faz-nos perguntar até onde vai a liberdade de um fã e os perigos que um escritor pode sofrer, como qualquer outra pessoa. Os paralelismos entre Bellamy e Pete são muito bem aprofundados e o livro melhora do meio para a frente.

As visitas de Bill à unidade hospitalar em que está Brady Hartsfield, o Assassino do Mercedes, foram excelentes bónus à trama e deixaram-me com uma vontade urgente de ler o terceiro livro da trilogia. É, no mínimo, desconcertante. Com realismo ou sobrenatural, Stephen King continua a apaixonar e a inquietar leitores em todo o mundo.

Avaliação: 9/10

Trilogia Bill Hodges (Bertrand Editora):

#1 Sr. Mercedes

#2 Perdido e Achado

#3 Fim de Turno

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