Fala-se de: Dumbo (2019)


Eis que vi o novo filme de Tim Burton, nada mais nada menos do que a adaptação em live-action do clássico da Disney Dumbo de 1941. Escrito por Ehren Kruger com base no enredo de Helen Aberson, o filme foi produzido pela Walt Disney Pictures e Tim Burton Productions. Com distribuição da responsabilidade da Walt Disney Studios Motion Pictures, que continua a senda de remakes em live-action de clássicos animados, Dumbo estreou na última semana de março nos cinemas nacionais e internacionais.

Depois dos êxitos de Alice in Wonderland (2010), Maleficent (2014), Cinderella (2015), The Jungle Book (2016) e Beauty and the Beast (2017), a Disney regressa em força aos seus live-action, retomando a parceria com o famoso director Tim Burton, com quem havia trabalhado anteriormente em Alice. Apesar de a crítica não ser muito unânime e pouco abonatória para com esta adaptação, será difícil tomar este remake como um fracasso. Dumbo de 2019 é uma experiência de efeitos especiais esmagadora, numa trama familiar de cortar a respiração.

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Fonte: https://www.slashfilm.com/dumbo-early-buzz/

A essência do clássico de 1941 está lá. O pequeno elefante que trabalha num circo e a sua busca desesperada pela mãe e pela liberdade. Mas o live-action vai muito para lá de tentar traduzir essa essência para um filme em carne e osso. Esqueçam a adaptação cirúrgica de A Bela e o Monstro. Burton pegou no curtíssimo clássico da Disney, com um orçamento de impossível comparação com o do original, e usou-o para fazer o que mais gosta: excentricidade visual e a exploração vívida de um protagonista olhado de lado pela sociedade.

Porque Dumbo é o protagonista do filme e é importante que não o esqueçamos. Fofinho, querido, irresistível, é impossível não olhar para aqueles olhinhos sem ter vontade de o abraçar. Mas as suas orelhas demasiado grandes transformam-no num pária para a sociedade onde está incluído, um circo. O circo dos Irmãos Medici. Para o proteger da chacota do público, a mãe acaba por provocar um acidente mortal que a transforma a si mesma num alvo a abater, e a única solução para o dono do circo, Max Medici (Danny DeVito), é vendê-la.

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Fonte: https://estacaonerd.com/critica-dumbo/

Aqui começa verdadeiramente o drama de Dumbo, embora o próprio circo já estivesse envolto em problemas. Mas o filme não deixa de trazer a habitual homenagem aos viúvos com filhos pequenos que tanto enternece os espectadores mais emotivos. Se o recente Mary Poppins já nos havia recuperado alguma dessa magia, o que dizer de um Colin Farrell que regressa da guerra sem um braço e encontra os seus dois filhos (Nico Parker e Finley Hobbins) à deriva no circo, em que tudo parece ruir à sua volta, excepto o sentido de família.

Holt (a personagem de Farrell) é o típico pai de crianças Disney, mas apesar do estereótipo de um homem despedaçado, porém justo e corajoso, a produtora arranja sempre forma de se reinventar, e aliado a um inventivo Tim Burton, transformou este herói num homem sem braço pertence a um circo arruinado. Um homem repleto de fragilidades. Na primeira parte do filme, assistimos a uma adaptação muito humana do clássico, com personagens de carne e osso mais ou menos tradicionais em filmes do género, mas também não dispensa uma boa dose de referências sobre o original. Quem não reparou no ratinho e na cegonha?

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Fonte: https://www.geekalerts.com/dumbo-generations-tv-spot/

Esta fase inicial concentra-se no nascimento de Dumbo e no seu drama, assim como no período em que Medici se vê às voltas com as dívidas, o decréscimo de público e um macaquinho irrequieto. O que corresponde sensivelmente ao argumento original da animação. A partir daí, pode-se dizer que Burton deixa o remake e passa para uma sequela. A inclusão de Michael Keaton como VA Vandevere e de Eva Green como Colette Marchant vem trazer mais ao filme.

De facto, quando os filhos de Holt percebem que Dumbo consegue voar e o dom do pequeno elefante salva o circo da falência, os oportunistas surgem. A personagem de Keaton vende os seus sonhos a Medici e depressa o pequeno circo de família torna-se parte do seu exuberante Dreamland. E este circo, sim, pode-se dizer que é um circo à imagem de Tim Burton, assim como os acontecimentos excêntricos e fulgurantes que ali são levados a cabo.

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Fonte: https://wallpapersite.com/movies/dumbo-2019-animation-4k-5k-17448.html

Eva Green e Colin Farrell acabaram por não se destacar nos seus papéis, ao contrário de DeVitto, que acaba por ter a personagem mais bem construída, passando por uma transformação credível e muito bem executada. Mas apesar de ser uma personagem pouco profunda em conteúdo, para além de não ficar certamente nos papéis mais relevantes de Eva, Colette Marchant acabou por me surpreender, uma vez que esperava uma personagem com outra índole. Outro destaque vai para Michael Keaton, um dos desempenhos de maior destaque na trama.

O período Dreamland é aquele em que podemos dizer ser muito mais Burton que Dumbo da Disney. Embora no cômputo geral o diretor tenha feito um trabalho muito bom, possivelmente não será do agrado de quem espera ver o clássico de 1941 espelhado em live-action. Este filme de 1 hora e 44 minutos consegue trazer várias reminiscências do original, mas é acima de tudo uma nova leitura, um filme sobre esperança, sobre a importância da família e sobre o potencial que existe em cada um de nós, na forma como podemos transformar as nossas fraquezas em recursos de sucesso.

Avaliação: 7/10

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