Estive a Ler: Singularidades, Descender #3


O Broca é uma moca!

O TEXTO SEGUINTE ABORDA O LIVRO “SINGULARIDADES”, TERCEIRO VOLUME DA SÉRIE DESCENDER (FORMATO BD)

Autor best-seller do New York Times, Jeff Lemire (Sweet Tooth, Green Arrow, Animal Man e Hawkeye) junta-se a Dustin Nguyen (Wildcats v3.o, The Authority Revolution, Batman, Supergirl, Detective Comics) para nos oferecer mais uma space opera de grande qualidade. Descender chegou a Portugal para conquistar os adeptos da nona arte e está já no seu terceiro volume, que inclui os números #12 a #16 da publicação original. Em 2016, Descender venceu o Prémio Eisner para Melhor Arte Pintada, um dos mais prestigiados dos comics.

Lemire ganhou em 2008 e 2013 o Shuster Award for Best Canadian Cartoonist, que premeia o melhor artista de BD canadiano. Foi também nomeado oito vezes para os prémios Eisner, e venceu em 2017 com a sua série de super-heróis Black Hammer o prémio de Melhor Nova Série. O artista é Dustin Nguyen, ilustrador de comics best-seller nos EUA, mais conhecido pelo seu trabalho em Wildcats v3.o, The Authority Revolution, Batman, Superman/Batman, Detective Comics, Batgirl e Batman: Streets of Gotham.

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Fonte: http://sogdia.blockablock.info/why-would-he-say-that-gif.shtml

Este terceiro volume de Descender é um álbum mais reflexivo. Ele começa e termina mais ou menos no mesmo ponto em que se encerrou o segundo volume, mas essa falta de avanço prático não vem retirar qualidade à série, não obstante a sua quebra de ritmo. É um livro que serve para nos mostrar ao certo quem são estas personagens que conhecemos até agora, o porquê de estarem onde estão e o passado que, de uma maneira ou de outra, os liga.

“Lemire e Nguyen são uma dupla bizarra que criou a space opera mais competente dos últimos anos, numa mistura explosiva de drama e ação em doses perfeitas.”

Não é um volume que surpreenda nem que adiante algo à história já contada, mas Singularidades vem reforçar a consistência da série, como uma espécie de infodump em forma visual que faz muito mais sentido agora do que no volume inaugural, onde fomos desde logo atirados para a ação, quando TIM-21 acorda. E é extremamente gratificante para o leitor conhecer o passado das personagens da forma como foi feito.

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Fonte: G Floy Studio

Estamos a falar de uma história protagonizada por um menino andróide que acorda de um sono de dez anos e descobre que todos os robots foram proibidos e catalogados como fora-da-lei. Descobre também que tem sentimentos. Mas a hipótese de que esconda os segredos dos Colectores no seu ADN mecânico transforma-o na máquina mais procurada do universo.

Depois de escapar ao pesadelo de Gnish, ele, o Dr. Quon e a Capitã Telsa são resgatados para a Lua Máquina, onde aparentemente se encontram em segurança, enquanto o cão robot Bandit, o dróide mineiro Broca e o “irmão” humano de TIM, Andy, sobrevivem num planeta em ebulição, onde Andy reencontra a sua ex-mulher, Effie, bem como a sua quadrilha.

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Fonte: G Floy Studio

Este terceiro volume mostra várias personagens e o porquê das suas ações atuais. Começa com TIM-22, o menino robot da mesma classe de TIM-21, que desenvolve um ódio visceral pelo seu semelhante, e compreendemos que o seu comportamento deriva do ciúme. Passamos para Telsa Nagoki, quando a capitã era apenas uma menina que viu a mãe morrer, restando-lhe apenas o pai, o General Nagoki.

Logo depois, após o ponto de vista de Bandit, testemunhamos a fidelidade do cão robot e a relação de Andy e TIM-21 quando o primeiro era uma criança, até ao acordar do andróide. Conhecemos também o ponto de vista de Andy e como sobreviveu ao longo do tempo, assim como os vários estágios da sua relação com Effie. E o volume termina com o POV de Broca, que não é menos relevante que os anteriores.

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Foi de facto um livro em que pouco ou nada aconteceu, mas serviu para aprofundar bastante as personagens e deixa antever um quarto volume muito mais impactante. A arte de Nguyen continua a parecer-me estranha, mas é uma questão de perspetiva, porque ela casa na perfeição com a história e não há como roubar o mérito aos seus desenhos.

Descender é uma BD com que me identifico bastante e que me dá muito gozo de ler. Não são muitas as séries gráficas que me conseguem conquistar logo nos primeiros capítulos e esta conseguiu-o com facilidade. Lemire e Nguyen são uma dupla bizarra que criou a space opera mais competente dos últimos anos, numa mistura explosiva de drama e ação em doses perfeitas.

Avaliação: 8/10

Descender (G Floy Studio Portugal):

#1 Estrelas de Lata

#2 Lua Máquina

#3 Singularidades

#4 Mecânica Orbital

#5 Ascensão das Máquinas

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