Fala-se de: Aladdin (2019)


Puzzles e animações de Aladdin pontuaram a minha infância, percebesse eu muito, pouco ou muito pouco da história. De facto, vi a versão original de Aladdin pela primeira há tanto tempo de que não tenho memória. Por isso, ver a versão em live-action era, mais do que uma oportunidade, um desejo. Ora bem, ora bem! E assim se esgota o primeiro, diria o Génio.

Aladdin (2019) é um filme musical com muito romance e fantasia, com direção de Guy Ritchie e guião do próprio com a colaboração de John August e Vanessa Taylor. Trata-se de um remake em live-action do longa-metragem animado de 1992, que por sua vez já tinha sido baseado no conto árabe As Mil e Uma Noites e na versão francesa de Antoine Galland. A produção não se fez por esperar e entre números e equipas envolvidas basta dizer que a Walt Disney Pictures, que distribuiu o filme, teve a colaboração da Rideback, Vertigo Entertainment, Big Talk Films e Marc Platt Productions.

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Fonte: https://disney.co.uk/movies/aladdin-2019

O filme é um dos vários remakes em live-action que a Disney tem vindo a desenvolver, como foi o caso de Alice no País das Maravilhas em 2010, Maléfica em 2014, Cinderela em 2015, O Livro da Selva em 2016, A Bela e o Monstro em 2017 e, já este ano, os casos de Dumbo e O Rei Leão, este último ainda por estrear. Aladdin tem um elenco pouco conhecido, encabeçado por Will Smith ao lado de nomes como Mena Massoud, Naomi Scott, Marwan Kenzari, Navid Negahban, Nasim Pedrad, Billy Magnussen ou Numan Acar.

Daquilo que me recordava da história, sabia que Aladdin era um jovem ladrão num país do Médio Oriente, que se apaixonava pela princesa Jasmine, filha do sultão, e se via arrastado pelas intenções malévolas do grão-vizir Jafar, que precisava de um ladrão de bom coração para capturar um tesouro antigo, a lâmpada mágica. Porém, Aladdin consegue escapar da gruta onde ela está protegida com a ajuda do seu macaco de estimação Abu e de um tapete mágico, que o conduz para segurança. Ali, ele limpa a lâmpada e desperta um génio, uma criatura azul que lhe oferece três desejos.

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Fonte: https://www.polygon.com/2019/2/10/18204217/aladdin-trailer-will-smith-genie-grammys-2019

O remake capta o essencial da animação. Os coloridos estão lá, as personagens assemelham-se, as músicas são lindíssimas e mesmo a narrativa não difere muito do que foi apresentado na versão de 1992. Pode-se dizer que o live-action captou a essência da animação e transportou-a sem perder grande coisa. Mas, cá dentro, fica mesmo a sensação que perdeu algo. Este novo filme é bom, mas devo deixar claro que prefiro o original.

Will Smith está irrepreensível. Ele dá uma nova versão ao génio da lâmpada sem se distrair com imitações. Estamos a olhar para a personagem e não vemos o génio, vemos o Will Smith, com toda a sua extravagância e até momentos rap. O que podia ser considerado um problema, não fosse a sua interpretação proporcionar momentos super divertidos e esta roupagem ser bem acertada no cômputo geral do filme. Agora que não bate a versão de Robin Williams, aí é uma questão de gosto e eu digo que só há um Génio verdadeiro, e esse é o de Williams.

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Fonte: https://io9.gizmodo.com/ive-got-a-bad-feeling-about-this-aladdin-1834746402

As interações de Jasmine (Naomi Scott) com a sua aia Dalila (Nasim Pedrad) são excelentes, bem-humoradas e uma verdadeira lufada de ar fresco. A Jasmine conhece mesmo aqui também ela uma nova roupagem, deixando de ser a jovem servil que quer agradar ao pai para ser uma pretendente ao trono. Ela é agora uma mulher cheia de girl power, o que se revela um acerto incrível por parte da Disney.

E por falar em acertos, Mena Massoud. Confesso que torci ao nariz ao saber que seria este perfeito desconhecido a interpretar Aladdin, mas que nada. O jovem ator canadiano de ascendência egípcia, fundador de um programa de viagens gastronómico de índole vegan, revelou-se uma aposta mais do que à altura. Mena é Aladdin, sem tirar nem pôr. O mesmo não podemos dizer de Marwan Kenzari, um Jafar que me desiludiu e não foi pouco.

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Fonte: https://stylecaster.com/aladdin-2019-live-action-cast/

Jafar é uma das minhas personagens preferidas e o ator não conseguiu traduzir minimamente as características da personagem, o humor retorcido, a malvadeza no olhar. Kenzari não tem qualquer característica física que o distinga dos tantos guardas que apareceram no filme, nem o carisma que a personagem exigia. Não fosse a mitra e o ceptro, e podia jurar estar a falar de outra personagem.

Em suma, acabou por ser um filme muito mais fiel ao original do que foi Dumbo, o que não é de estranhar uma vez que o original tinha muito mais tempo de película e material canónico para adaptar. Os efeitos especiais foram muito bem reproduzidos, personagens icónicos como o macaco Abu, o papagaio Iago ou o tigre Rajah a fazerem-me sentir novamente uma criança. Apenas tive pena que nesta versão Agrabah fosse um centro multicultural demasiado aberto, sem “cortar orelhas” como no original.

Foi inferior à animação de 1992, mas ainda assim um bom filme.

Avaliação: 7/10

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