Fala-se de: Into The Badlands T3


Eis que chegou ao fim. Depois de três temporadas, a série Into The Badlands foi cancelada, mais por problemas na relação custos / audiência do que por rejeição da crítica, que fez soar laudas ao projeto da AMC. Into the Badlands é uma série de artes marciais inspirada em Journey To The West, a clássica fábula chinesa, que conta com os produtores de Pulp Fiction e Django Libertado e os criadores de Smallville, para além de contarem com as mesmas equipas técnicas de Kill Bill, O Tigre e o Dragão e Matrix. À partida, a série teria tudo para ser um sucesso, mas não o foi.

Into The Badlands pisca o olho a vários géneros, do entretenimento mais juvenil aos clássicos das artes marciais, mas acaba por mostrar um mundo pós-apocalíptico à deriva, onde aqueles que conseguem pegar na civilização e organizar estruturalmente um povo se autodenominam de barões. Com um elenco maioritariamente americano mas com toda uma cenografia e roupagem a aludir ao Japão feudal, aqui e ali com toques de Steampunk, Into The Badlands é acima de tudo uma série de nicho.

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Fonte: https://variety.com/2017/tv/features/into-the-badlands-amc-exclusive-clip-daniel-wu-emily-beecham-five-reasons-terrific-1202433701/

As duas primeiras temporadas mostraram todos estes ingredientes, mas revelaram-nos de uma forma muito meiga, mais focadas em encontros e desencontros, amores e desamores, a procura por um El Dorado capaz de dar todas as respostas e soluções: a inatingível Azra. Foram duas temporadas que me agradaram medianamente, principalmente pelas coreografias de luta e fácil deglutição. As personagens também são empáticas e de fácil compreensão, apesar de escaparem aos clichés.

Mas talvez por se mostrar mais direcionada a um público juvenil, a série foi perdendo um pouco o público adulto que se sentira atraído pela premissa, afinal estamos a falar de uma civilização nova, com os resquícios da que hoje conhecemos, onde morreram milhões de pessoas, soçobraram nações e cidades. As terras conhecidas como Badlands começaram a ser governadas por sete barões rivais que tudo faziam para controlar os recursos remanescentes, usando para se defenderem uns dos outros a arte dos Clippers, os seus assassinos altamente treinados.

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Fonte: https://www.hypable.com/into-the-badlands-season-3-update/

O nosso protagonista é Sunny (Daniel Wu) um desses Clippers e o braço-direito do Barão Quinn (Marton Csokas), apesar de a narrativa invariavelmente se ter começado a focar na relação entre o jovem MK (Aramis Knight) e Tilda (Ally Ioannides) filha da terrível Viúva (Emily Beecham), ao mesmo tempo que o rapaz descobria mais sobre o seu poder inusitado – ao ferir-se, os seus olhos ficavam negros e tornava-se super-poderoso – e tentava encontrar a Azra perdida que julgava o seu lar.

A jornada comum de Sunny e MK e os diversos encontros e reencontros com outras personagens, com rivalidades e interesses paralelos, foram a tónica dominante das duas primeiras temporadas e foram as pequenas surpresas de episódio atrás de episódio que sobretudo me mantiveram ligado à série, apesar de nunca ter sido realmente arrebatado por ela. Não mesmo.

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Fonte: https://comicbook.com/tv-shows/2018/04/22/into-the-badlands-season-3-review/

Esta terceira temporada foi, de longe, a melhor de todas. Após a morte de Veil (Madeleine Mantock), Sunny afasta-se e lança-se no objetivo de dar um futuro melhor ao seu filho, o pequeno Henry. Mas o menino revela possuir uma misteriosa doença e Sunny é obrigado a unir forças com Baijie (Nick Frost) e regressar às Badlands, onde A Viúva e a Barão Chau (Eleanor Matsuura) medem forças.

Sem Tilda por perto, a Viúva encontrar novos aliados em Lydia (Orla Brady) e Nathaniel Moon (Sherman Augustus), um antigo regente que perdera a mão num combate contra Sunny e Baijie. No entanto, um velho conhecido de Sunny chamado Peregrino (Babou Ceesay) chega às Badlands com um propósito maligno, ainda que o embandeire como o início de uma nova era de paz, e pretende criar um exército terrível para restaurar Azra. Com MK cego pela fidelidade ao Peregrino e pelo que acredita terem sido as mentiras de Sunny, os velhos inimigos precisam unir-se para deter uma nova legião assassina.

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Fonte: https://www.syfy.com/syfywire/interview-into-the-badlands-writer-producer-latoya-morgan-chats-about-season-3-and-future

Não obstante os acontecimentos muito convenientes e os deus ex-machina até mais não, é uma série que compensa e muito pelo ritmo elevado e surpresas a cada episódio, bem como o entrosamento das relações muito aliciante de se ver. Não sendo nenhuma maravilha do pequeno ecrã e tendo algumas personagens demasiado plásticas, sinto que a série merecia uma aceitação melhor. A conclusão foi tudo o que eu nunca poderia imaginar ao acompanhar os primeiros episódios, ainda que tudo indicasse a sua continuação.

Into The Badlands é uma série que se vê muito bem e esta terceira temporada especialmente primou pelo foco nos meios obscuros utilizados pelas bandeiras religiosas. Com um visual de videojogo, personagens bem construídas, credíveis e as relações a estreitarem-se, é o sentimento de derrota, de injustiça e de fim que esta temporada me trouxe o que mais me manteve colado ao ecrã. A esperança no futuro de mãos dadas com a falta de fé na existência do mesmo.

Avaliação: 8/10

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