Estive a Ler: A Torre da Andorinha, The Witcher #6


Lançaram-se contra ele como lobos, ágeis como um relâmpago, silenciosamente, sem aviso. As lâminas uivaram no ar, enchendo a rua com um tinir agudo de aço.

O TEXTO SEGUINTE ABORDA O LIVRO “A TORRE DA ANDORINHA”, SEXTO VOLUME DA SÉRIE THE WITCHER

Celebrizada pelo videojogo homónimo, a saga literária The Witcher chegará também brevemente aos pequenos ecrãs com uma série protagonizada por Henry Cavill. O autor da saga é o polaco Andrzej Sapkowski, reconhecido internacionalmente pelos livros da série The Witcher. Vencedor de inúmeros prémios polacos e europeus, a sua obra já foi traduzida para mais de vinte línguas.

Publicado originalmente em 1997, Wieża Jaskółki é o sexto volume da série The Witcher, editada em Portugal na Coleção Bang! das Edições Saída de Emergência. Chamado por cá de A Torre da Andorinha, o livro continua as histórias que Sapkowski difundiu com os volumes anteriores, O Sangue dos Elfos, O Tempo do Desprezo e Batismo de Fogo. A versão nacional tem um total de 400 páginas e tradução de Olga Baginska-Shinzato, com adaptação para português pelo tradutor Rui Azeredo.

Resultado de imagem para the witcher gif
Fonte: https://tenor.com/view/ciri-witcher-gwent-behind-you-gif-11451499

A Torre da Andorinha é mais uma prova da criatividade vívida de Andrzej Sapkowski, que parece não se cansar de se reinventar a cada livro. A forma como subverte os paradigmas da fantasia é muito interessante, mas a sua maior qualidade é o talento para oferecer momentos de ação imperdíveis, tensão, crueldade e violência, e polvilhar tudo com um humor mais que refrescante.

“Com um tom cada vez mais grimdark e um sentido de humor sempre refrescante, The Witcher revela-se a cada livro como uma nova surpresa.

Através do humor e da subversão de estereótipos, Sapkowski apresenta-nos um livro polémico em linguagem e em mensagens subliminares. Questões como o abuso sexual, o racismo e a igualdade de género são o prato cheio desta narrativa, apresentadas de forma fria pelo autor. Com um rol de situações algo excêntricas, ele mostra-nos que o respeito e a equidade podem ser conquistados sem cair no mundo tóxico do politicamente correto.

Sem Título
Fonte: http://www.saidadeemergencia.com/produto/litfantastica-bang/fantasia-o-202346/a-torre-da-andorinha/

Alguns momentos da leitura tornaram-se cansativos, devido às minúcias políticas e à contínua apresentação de personagens que, antes de se misturarem nos assuntos principais da trama, acabam por nos ser desconhecidos e irrelevantes. Mas Sapkowski consegue guiar-nos por diversas cenas através dos olhos de várias personagens em simultâneo, mostrar situações distintas para percebermos depois que aconteceram em espaços temporais distintos, e consegue fazer isso com muito sucesso.

Sapkowski tem muito mérito em saber atar todas as pontinhas, e independentemente da minha impressão ao longo do livro, chego ao fim com a sensação de oh yeah isto é tão bom!, uma opinião bem diferente da que tive ao ler os primeiros dois livros da saga, que me pareciam uma mera subversão dos contos de fada polacos. O autor trilhou o seu caminho de uma forma despretensiosa, uma forma de contar as histórias meio louca e que roça o genial.

Resultado de imagem para the witcher gif
Fonte: https://www.deviantart.com/saliov/art/GIF-Ciri-the-witcher-678402981

A Torre da Andorinha é um livro mais violento, com cenas de tortura e massacres, e com o arco de Ciri com uma vibe mais faroeste do que propriamente fantasia clássica. E é em Ciri que este livro se foca, depois de Batismo de Fogo ter sido mais centrado em Geralt. A rapariga aparece gravemente ferida e é salva por Vysogota, a quem conta posteriormente o que lhe aconteceu, antes dos eventos e confrontos com que o livro se encerra.

Da sua convivência com o bando chamado Ratos até às arenas de diversão pública, é manietada pelo odioso caçador de recompensas Leo Bonhart – para mim, sem dúvida uma das melhores criações de Sapkowski até agora. Ciri deve ainda responder à chamada do seu sangue, o poderoso Sangue Antigo que a irá conduzir a um futuro há muito profetizado, a que deve aceder através da Torre da Andorinha, uma espécie de portal que me faz lembrar as Pedras de Talento de Robin Hobb, a Torre Negra de Stephen King ou mesmo Stargate.

Resultado de imagem para the witcher gif
Fonte: https://giphy.com/explore/the-witcher-3

Por sua vez, Geralt de Rivia continua à procura da rapariga, ao lado do nilfgaardiano Cahir Mawr Dyffryn aep Ceallach, um espião enviado para a levar ao Imperador, que revela contudo uma agenda própria, o vampiro Regis, a resiliente Milva e, claro, o bardo Jaskier, que por onde passa prima pela falta de discrição e que, sinceramente, não é das personagens com quem mais simpatizo. Geralt acaba por tropeçar numa rapariga chamada Angoulême, e descobre que alguém o quer matar.

Se Geralt trava conhecimento com apicultores, mineiros, bandidos, Presidentes de Câmara, elfos e até hobgoblins, vemos também Yennefer e finalmente compreendemos as suas motivações. A bruxa continua tão empenhada em encontrar e salvar Ciri como Geralt, usando os seus próprios recursos junto dos ilhéus e de um antigo amante, mas quem disse realmente a estes dois que Ciri precisa ser salva?

Resultado de imagem para the witcher gif
Fonte: https://windowscustomization.com/2018/11/19/the-witcher-3-geralt-ciri/

Com um tom cada vez mais grimdark e um sentido de humor sempre refrescante, The Witcher revela-se a cada livro como uma nova surpresa. Nunca, em momento algum, diria que viria a gostar tanto desta saga, durante a leitura dos primeiros livros. Apesar de tudo parecer solto, desconexo, doidivanas, o autor consegue sempre manter o foco e atar todas as pontas, oferecendo-nos um bolo mais que convincente.

Realço momentos hilariantes como a companhia de Ciri a um personagem chamado Hotsporn, cujo nome não foi nada despropositado, ou a reacção de uma bruxa às marcas de batom no pescoço de Filippa Eilhart. Personagens como Ciri, Bonhart, Skellen, Cahir, Vilgefortz, Rience ou Cantarella são o destaque deste A Torre da Andorinha, protagonizando capítulos únicos de alta fantasia e de intriga política que se aproxima a passos largos do final.

Este livro foi cedido em parceria com a editora Saída de Emergência.

Avaliação: 9/10

The Witcher (Edições Saída de Emergência):

#1 O Terceiro Desejo

#2 A Espada do Destino

#3 O Sangue dos Elfos

#4 O Tempo do Desprezo

#5 Batismo de Fogo

#6 A Torre da Andorinha

Imagem de capa: https://www.polygon.com/2015/6/9/8751113/the-witcher-3-sales (Reprodução)

9 comentários em “Estive a Ler: A Torre da Andorinha, The Witcher #6

  1. Viva,

    estou seriamente a retomar em breve esta serie, até porque estava a gostar bastante então com o surgimento de Ciri, mas pronto vamos ver quando, acredito que me ponho em dia num tiro 😉

    Bom comentário 😉

    Abraço

    Fiacha

    1. Viva amigo corvo.
      Acho que fazes muito bem.

      Grande abraço e ótimas leituras.

Comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto:
search previous next tag category expand menu location phone mail time cart zoom edit close