Estive a Ler: A Ilha do Doutor Moreau


Desceu pelo emaranhado de cabos sob os estais do gurupés partido; quando saltou, prendeu o calcanhar num deles e ficou por instantes pendurado de cabeça para baixo, até cair e bater numa roldana ou numa verga que flutuava na água. Remámos na sua direção, mas ele nunca chegou a vir à superfície.

O TEXTO SEGUINTE ABORDA O LIVRO A ILHA DO DOUTOR MOREAU

Um livro bastante peculiar! Lançado originalmente em 1896, A Ilha do Doutor Moreau é uma das primeiras obras de H. G. Wells (Herbert George Wells), muito conhecido pelos livros A Máquina do Tempo, O Homem Invisível e A Guerra dos Mundos. Foi adaptado também ao cinema por duas vezes, em 1977 protagonizado por Burt Lancaster e em 1996 por Marlon Brando.

Apesar de ser vasto o seu trabalho na área da Ficção Científica, a sua obra História do Mundo e a intervenção que fez a favor da paz após a I Guerra Mundial tornaram-no uma figura de renome. Em Portugal, A Ilha do Doutor Moreau foi publicado pela Relógio D’Água, com tradução de Inês Dias e um total de 168 páginas.

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Fonte: https://gifer.com/en/4ne5

Não tendo sido uma leitura maravilhosa, A Ilha do Doutor Moreau é um livro que se lê muito rápido, tem uma escrita bem fluída e um ritmo bem elevado. Não sei se houve algum tipo de influência num ou noutro, mas H. G. Wells foi contemporâneo de H. P. Lovecraft e notei grandes similaridades tanto na escrita dos dois, como na forma como apresentam um humano comum a um mal indizível e mostram a loucura que esse horror é capaz de produzir na mente humana. Para além do mais, são prosas bem depressivas.

“Não é por acaso que A Ilha do Doutor Moreau se tornou uma obra de culto no género do terror científico.

Numa fase inicial do livro, senti que estava a ler algo bem parecido ao The Terror, e é possível que Dan Simmons tenha bebido inspiração aqui. Também me pareceu que Aniquilação de Jeff VanderMeer possa ter sorvido muito de Wells, ao mostrar uma natureza deturpada e um clima de suspense rodeado de uma fauna e flora pouco confiáveis. São apenas impressões que quis partilhar convosco, sem qualquer suporte que as possam comprovar, mas é muito isto a vibe do livro.

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Fonte: https://relogiodagua.pt/produto/a-ilha-do-doutor-moreau/

É possível, porém, que existam muitos mais livros com as mesmas características que eu desconheço, mas anotei este ou aquele paralelismo que vos quis mostrar para saberem do que estou a falar. O livro em si é interessante. Tem poucas personagens, mas são marcantes e bem desenvolvidas, há verdadeiramente um clima de suspeição no ar e uma sensação de desconforto para com as aberrações que nos são apresentadas neste livro.

Não é uma leitura arrebatadora, não tem um grande plot e podia muito bem passar como pouco mais que um conto, não fosse ele “alargado” com algumas barrigas narrativas que não foram de maneira nenhuma desinteressantes. O meu entusiasmo inicial acabou por se esbater um pouco na previsibilidade da trama, mas com tantas histórias já escritas, filmes e séries que podem muito bem ter sido “filhos” de Wells, era difícil que não acontecesse. E até porque a fórmula é muito semelhante à que Lovecraft utiliza “ad nauseam” e já conheço bem a obra dele.

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Filme de 96 | Fonte: https://port.hu/adatlap/film/tv/dr-moreau-szigete–the-island-of-dr-moreau/movie-487

A narrativa é contada na primeira pessoa por Charles Pendrick, o único sobrevivente do navio Lady Vain, que em 1887 naufraga no Oceano Pacífico. Completamente perdido, Pendrick é resgatado por um navio, onde encontra Montgomery, um homem de gostos refinados mas misterioso, acompanhado por um auxiliar disforme que lhe parece grotesco. Montgomery transporta uma carga de animais para uma ilha e trava uma relação próxima com Pendrick.

Depois de um conflito com o capitão do navio, que vive corrompido pelo álcool, desembarcam numa pequena ilha onde Pendrick reconhece um homem de idade que vinha a encontrar-se com Montgomery: Moreau, um cientista que fora em tempos proscrito da comunidade científica devido às suas experiências e comportamentos polémicos. É acolhido pelos homens na sua sede logística, mas a pouco e pouco aquilo que vai vendo deixa-o repleto de dúvidas e suspeitas.

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Fonte: https://tenor.com/view/natalie-portman-annihilation-rowing-row-boat-gif-9866713

Serão Moreau e Montgomery pessoas de confiança? Quererão eles realizar consigo alguma experiência? Ou as suas ações são de uma benignidade que ainda não compreendeu? Através do olhar de Prendick, o leitor conhece o Povo Animal e é conduzido a uma voragem de acontecimentos e de percalços sempre muito bem escritos pelas mãos à época ainda pouco experientes de H. G. Wells.

Não é por acaso que A Ilha do Doutor Moreau se tornou uma obra de culto no género do terror científico. Como primeira experiência a ler H. G. Wells, foi uma leitura bem agradável e que me deixou seguro de que o quero voltar a ler, não tanto pela disposição melancólica que provoca mas sobretudo pela fluidez da leitura, que me agradou o suficiente.

Avaliação: 7/10

3 comentários em “Estive a Ler: A Ilha do Doutor Moreau

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