Especial: Os Demónios de Peter V. Brett


Num cenário de literatura fantástica em que os nomes mais sonantes têm revelado alguma dificuldade em concluir as suas sagas, eis que há um autor bastante competente que conseguiu, com êxito, concluir a sua série de cinco livros: Peter V. Brett. Neste especial, vou-vos falar um pouco do seu trabalho e da sua capacidade inequívoca para conquistar o leitor. Em Portugal, o Ciclo dos Demónios foi publicado pela Coleção 1001 Mundos das Edições ASA / Gailivro.

Com este artigo, pretendo fazer um pequeno resumo das opiniões que teci à saga e apresentar de uma forma geral o mundo de Thesa, as suas personagens e núcleos, bem como analisar de forma detalhada o que mais me agradou e desagradou numa saga que opinei livro a livro. Aqui poderão encontrar uma reunião de tudo o que escrevi até agora sobre o autor.

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Fonte: https://aleafinalibrary.wordpress.com/2015/04/22/demon-cycle-author-peter-v-brett-greets-his-fans/
QUEM É O ESCRITOR?

Peter V. Brett é reconhecido internacionalmente, não só pelos livros da série Ciclo dos Demónios, cujo último volume, The Core, foi publicado em 2017, mas também por vários contos passados no mesmo mundo. Escreveu também a novela gráfica Red Sonja: Unchained para a Dynamite Entertainment. O autor norte-americano é formado em Literatura Inglesa e História da Arte e fã confesso de bandas-desenhadas e de Dungeons & Dragons.

O CICLO DOS DEMÓNIOS

The Demon Cycle foi publicado em Portugal com poucos meses de diferença do original, sem grandes falhas. O único problema da editora Edições ASA foi não colocar o título da série na capa, o que originou uma série de confusões relativas ao seu título. Por exemplo, nos sites de venda online esteve vulgarmente nomeado como A Noite É dos Demónios ou A Noite Pertence aos Demónios, quando noutras, e particularmente nas edições físicas veio denominado como O Ciclo dos Demónios, como se pode ler na página de agradecimentos do autor.

Mas vamos ao que interessa: a obra.

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Fonte: https://www.gamesradar.com/win-a-set-of-peter-v-bretts-demon-cycle-books/

O Homem Pintado

A história é contada em capítulos com ponto de vista protagonizados por Arlen, Rojer e Leesha. Quando a história começa, eles são crianças, cada um a viver numa povoação distinta. É aqui que conhecemos os dramas e dilemas de Arlen, personagem central da narrativa.

Todas as noites, os nuclitas atacam. São demónios de fogo, de ar, de madeira, de rocha, de água ou de areia, que assumem diferentes formas e respeitam uma ordem natural de entreajuda, rivalidade ou estratificação entre eles. Quando a noite cai, erguem-se do Núcleo e materializam-se, correndo atrás de vidas humanas para delas se alimentarem. É a típica história do papão que só aparece à noite, mas aqui todos sabem que eles vêem e cada um faz o que pode para se proteger.

A essa proteção chamaram guardas. Tratam-se de símbolos mágicos herdados de tempos imemoriais que, gravados, repelem os demónios e os impedem de entrar em determinados territórios. As guardas podem ser encontradas nos limites amuralhados das Cidades Livres, em postes, na madeira das residências ermas ou mesmo em círculos portáteis, usados em viagens.

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Fonte: https://www.artstation.com/artwork/rdl2L

Quem se utiliza muito desses círculos são os Mensageiros. De Fort Miln a Angiers, passando pelo Rio Divisor e pelas muitas terras do mundo fracturado de Thesa, esta figura viaja de terra em terra distribuindo correio e notícias, geralmente acompanhada de um Jogral. Tanto um como o outro são filiados a uma Associação, devendo responder a certas normas e deveres. Estes Mensageiros, uma vez que passam a grande maioria das noites ao relento, são também Guardadores, exímios na arte de esculpir ou traçar guardas.

Por sua vez, os Jograis mitigam os medos e dramas pessoais dos populares com os seus malabarismos, canções e pantominas. Uma das histórias que cantavam remonta a um passado longínquo, quando um sujeito chamado de Libertador escorraçou os demónios da face de Thesa com guardas de ataque. Os demónios viriam, porém, a regressar muito tempo depois, quando os homens já se haviam esquecido dos símbolos de ataque, restando-lhes apenas as guardas defensivas.

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Fonte: https://www.amazon.fr/Demon-Cycle-4-Book-Bundle-Daylight-ebook/dp/B01EQ2S3ME

A primeira parte do livro é seguramente aquela em que mais gostei de Arlen, embora nunca tenha sido um personagem que me suscitasse grandes simpatias. O seu papel na comunidade do Ribeiro de Tibbet, os conflitos com o pai, as certezas do que não queria para a sua vida e a devastadora perda que sofreu foram um aperitivo interessante para esta história. Também gostei do seu tempo em Miln, com o Mensageiro Ragen e a sua esposa Elissa, que o acolheram, e da sua aprendizagem com Cob.

Mas foram os capítulos protagonizados por Rojer e Leesha a alma do livro. O trajeto de Rojer surpreendeu-me desde o primeiro momento, quando Brett o colocou, quase um bebé, nas mãos do Jogral baboso que olhava para o generoso decote da sua mãe. As suas desventuras com Arrick Doce-Canção foram muito boas, revelando um dom inusitado para a música, sempre acompanhado pela tragédia que permeia a vida de artista.

Com Leesha, Brett revelou mão firme e uma consistência narrativa de salutar. Fez-me lembrar as intrigas de Ken Follett em Kingsbridge, tal a forma como conseguiu cativar-me e fazer-me torcer pela protagonista, da mesma forma com que me fez odiar Elona e os restantes vilões. No Outeiro do Lenhador, todos pareciam pessoas verídicas, de carne e osso, e só posso granjear elogios à forma como o autor explorou as hipocrisias da sociedade.

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Fonte: http://www.geekchicelite.com/pvbrett/

A Lança do Deserto

A secção inicial é focada em Ahmann Jardir, o Shar’Dama Ka de Krasia, a cidade conhecida como a Lança do Deserto. No primeiro volume, Jardir foi um senhor krasiano que traiu Arlen durante a sua estadia no forte, ficando com a lança mística cravejada de guardas (as protecções contra os demónios) que este encontrara numas ruínas antigas em pleno deserto. Guardas que Arlen copiou antes de Jardir o expulsar e condenar à morte na noite desértica de Krasia. Foram mesmo esses conhecimentos que fizeram Arlen tornar-se o Homem Pintado, cujos feitos bélicos contra os demónios fizeram muitos chamá-lo de Libertador, à sua passagem.

Por quase dois quartos do livro conhecemos ao pormenor Jardir, desde a sua infância, à amizade com o mercador Abban e como este se tornou khaffit, um homem menor de acordo com os padrões krasianos, mas também revisitamos a estadia do Par’Chin (Arlen) em Krasia e como Jardir começou a ver-se como o novo Libertador, seguindo os passos de Kaji. Achei bem interessantes todas as passagens que envolveram Jardir, mas confesso que os flashbacks que mostraram a sua infância e desenvolvimento pessoal tornaram o livro algo maçudo, especialmente porque foi apresentado numa fase inicial do mesmo.

As intrigas palacianas, a sua ascensão e o desafio ao Andrah foram excelentes, acima de tudo pelo emergir de uma das personagens mais incríveis da série até agora: a Dama’ting Inevera, uma das esposas de Jardir. Mais do que uma esposa, é ela quem controla o harém e decide com quem Jardir deve casar. Para além disso, tem capacidades místicas, pois vê o futuro no lançamento de dados e porta um crânio de demónio da chama, a chamada magia de hora. Inevera é também responsável por decisões políticas, graças à sua influência em muitos círculos.

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Fonte: https://civilianreader.com/2013/03/01/the-daylight-war-by-peter-v-brett-voyager/

A Guerra Diurna

Inevera foi uma das minhas personagens favoritas de A Lança do Deserto, e com os seus pontos de vista em A Guerra Diurna, fiquei ainda mais encantado com o misticismo e perseverança desta mulher. A forma como chegou ao poder e como tentou, a qualquer custo, preservá-lo, faz dela uma personagem cheia de carisma que é de certo modo a antítese do khaffit gordo e coxo Abban, o mercador que, também ao seu jeito, tenta influenciar Ahmann Jardir de acordo com os seus interesses.

As personagens krasianas, uma cultura inspirada na Antiga Esparta, no Japão Medieval mas sobretudo no Islamismo do Médio Oriente, vêm ganhando força na trama e os títulos dos livros, só por si, retratam fragmentos dessa cultura e das suas crenças. A ideia do autor foi construir uma civilização aglutinadora, que acredita que só unificando todos os povos através da chamada Guerra Diurna conseguirá a União profetizada pelo seu Criador, capaz de esmagar os demónios da noite.

Foi para evitar que o seu povo fosse esmagado que Leesha Papel, a herbanária de Outeiro do Lenhador, que embora jovem revelara-se já uma mãe para o seu povo, decidiu rumar à Fortuna de Everam, como fora apelidado o Forte Rizon após a conquista dos krasianos, para conhecer os seus credos, tradições e costumes. A ideia de Jardir em tomá-la como esposa veio, no entanto, originar uma série de desdobramentos na trama.

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Fonte: https://www.picsbud.com/images/demon-cycle-characters-cc.html

Várias personagens cresceram e ganharam ênfase ao longo dos últimos livros. Rojer sempre foi uma personagem à parte, que nunca acrescentou muito à narrativa e, no entanto, os seus capítulos sempre foram dos mais gostosos de se ler. A interação com as suas duas esposas foi uma das mais interessantes deste livro, com interferência no clima instalado entre os krasianos e os “hortelões”. Até personagens mais secundárias como Gared e Wonda vieram, pouco a pouco, a ganhar vida.

Leesha Papel e Renna Curtidor mostraram ser duas protagonistas bem diferentes. Brett fez-nos apaixonar pela Leesha indefesa que aprendeu, face a várias tragédias, a monitorar e manusear os recursos e as pessoas à sua volta. Mas, ao longo dos livros, vem a torná-la também cada vez mais semelhante à sua mãe, Elona, uma mulher hipócrita e manipuladora. É difícil não gostar de Leesha enquanto personagem e ainda bem que está longe de ser uma protagonista tradicional.

Já Renna representa um lado mais duro e em simultâneo, meigo. Ela veio humanizar o protagonista, Arlen, e ao mesmo tempo que passou por situações tão ou mais difíceis que Leesha, reagiu às adversidades de outra forma, sobretudo devido ao modo como o Homem Pintado a resgatou ao mundo que a flagelava. A dependência emocional a Arlen e a forma como ambos estão ligados à dimensão sobrenatural dos demónios torna vívida e consistente a relação do casal.

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Fonte: https://thedemoncycle.fandom.com/wiki/Renna_Tanner

No outro pólo da barricada, encontram-se os dois Libertadores. Tanto o Cânone como o Evejah não deixam dúvidas de que só há espaço para um Libertador, por isso, mais cedo ou mais tarde, o confronto entre Arlen e Jardir teria de ocorrer. Arlen é o Homem Pintado, aquele que inspirou povos e incitou os mais vulgares camponeses a enfrentar os demónios da noite. Jardir, por sua vez, é o autoproclamado Libertador, aquele que está destinado a erguer a Lança de Kaji e a escorraçar de uma vez para sempre os demónios para as profundezas do Núcleo.

No cômputo geral, este terceiro livro não avançou muito na narrativa. Tivemos vários regressos e reencontros no Outeiro, assim como uma grande batalha, mas não aconteceu realmente uma evolução espaço-tempo significativa. Perdeu por começar com força na história de Inevera, alternando-a com o estado presente de outros personagens, para deixar a Dama’ting de novo no seu papel secundário na segunda parte do livro.

Independentemente das opções do autor, foi um livro bastante coeso e bem amarrado, com os acontecimentos no Outeiro a satisfazerem-me bastante. A evolução geográfica da localidade, os planos do duque Rhinebeck de Angiers e do seu filho, o conde Thamos e a forma como eles estão interligados à individualidade das personagens principais foi extremamente bem desenvolvida pelo autor.

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Fonte: http://www.geekchicelite.com/pvbrett/

O Trono dos Crânios

Construído com crânios de generais caídos e de príncipes demónios, o Trono dos Crânios de Krasia é um lugar honrado onde a magia dos hora impera, mantendo longe os demónios nuclitas. Ahmann Jardir sentava-se no trono, destinado a ser o Libertador, salvador do mundo conhecido de Thesa, e transformar numa unidade as várias povoações de “hortelões” através da conquista, com o intuito de pôr fim à guerra com os nuclitas de uma vez por todas.

Agora que descobriu que Arlen sobreviveu e é saudado também ele como o Libertador, o combate entre os dois tornou-se inevitável. Mas as ideias de Arlen são nebulosas e ele lança-se e a Jardir por um precipício, deixando o mundo sem um salvador. É aqui que a guerra pela sucessão no Trono dos Crânios tem início, entre os vários filhos de Ahmmann Jardir.

Inevera, a primeira mulher de Jardir, tem de recorrer à sua astúcia e magia de hora para impedir que os filhos se matem uns aos outros, tendo para isso que recorrer ao homem mais inteligente do reino: Abban, o khaffit. Mas será a inteligência destes dois suficiente para impedir um massacre em terras do Libertador? Com uma guerra civil à porta, há cordelinhos a mexer e jogadas a ser planeadas, com o ducado de Lakton como um alvo mais do que apetecível. Um ponto de partida para a conquista.

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Fonte: https://gameplay.pl/news.asp?ID=78042

No Outeiro do Lenhador, Leesha Papel encontra-se dividida entre a consciência e a proteção do bebé que alberga no ventre. Mas, à medida que usa o conde Thamos para os seus interesses pessoais, sente que se vai deixando envolver. Leesha é obrigada a enfrentar a sua própria hipocrisia, mas tem também um papel ativo a desempenhar na paz entre Rizon e Angiers e na defesa contra o avanço dos homens do deserto, povo por quem ela não nutre especial antipatia.

Tal como nos volumes anteriores, O Trono dos Crânios dedica o seu primeiro terço à complexa vida na corte krasiana, agora envolta numa disputa envolvente com Inevera como protagonista. Mas apesar de a personagem ser fantástica, uma das melhores criações de Peter V. Brett, os imensos capítulos dedicados a personagens sem grande significado para o leitor apenas oferece volume ao livro. Pode até oferecer alguma consistência, mas pessoalmente traz-me mais barulho de luzes e só.

O destaque dado às personagens principais foi, em comparação, diminuto neste volume. Apesar de protagonizarem alguns capítulos consecutivos, não voltaram a aparecer em todo o tomo. Houve outros momentos e outras personagens a reclamar o protagonismo, mas fiquei com a sensação que não houve uma distribuição de páginas devida às personagens neste volume. Apesar disso, é uma opção de autor que não quero apontar como falha. É uma questão pessoal.

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Fonte: https://geektyrant.com/news/the-warded-man-sci-fifantasy-book-getting-a-film-adaptation

O Núcleo

No último volume, Leesha Papel continuou a ser o grande destaque da saga. Apesar de apreciar mais os capítulos protagonizados por Arlen e Jardir, ela não deixa de ser uma personagem incrível e o seu destino, onde realço o nascimento de um filho hermafrodita, foi muito bem executado pelo autor. Quem disse que as protagonistas femininas têm de ser boazinhas e perfeitas? Brett acertou em cheio nesta personagem que em alguns momentos odiei. Mas muitas foram as personagens que me ganharam.

Exemplo disso foram Inevera e Abban. Que estrategas! Que personagens! Adorei a luta pelo Trono dos Crânios que percorreu estes últimos dois volumes. Mesmo assim, personagens como Ashia, Briar, Amanvah ou Sikvah pareceram-me dispensáveis, com demasiadas páginas para si em comparação com outras mais apetecíveis, como Elona, Gared ou Araine, para o meu gosto. Esperava ver mais pormenores relacionados ao trono de hera e um final mais fechado.

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Fonte: http://www.petervbrett.com/2013/05/20/naked-fan-art/

A série continua a narrar os perigos narrados nos livros anteriores. A resistência aos demónios da noite está dispersa, numa guerra diurna entre “hortelões”e krasianos. Mas de entre estes, restam dois heróis, e um deles será o Libertador profetizado. Tão próximos como irmãos, e, no entanto, divididos por uma amarga traição. Arlen Bales, o Homem Pintado, está coberto de tatuagens de poderosos símbolos mágicos que lhe permitem combater e vencer os demónios, de uma forma tão incisiva que se arrisca a tornar-se um deles. O outro é o monarca krasiano Ahmann Jardir, possuidor das armas mágicas do seu lendário ancestral.

No seu esforço por se infiltrar no Núcleo, porém, Arlen e Jardir desencadearam uma força que poderá destruir a Humanidade: um Enxame. A guerra está à porta, e a única esperança da humanidade reside em dois homens extremamente diferentes em mentalidade e ideologias. Com a ajuda de Renna, tentam subjugar um príncipe dos demónios, obrigando-o a indicar-lhes o caminho até ao Núcleo, onde a Mãe dos Demónios se prepara para formar um exército invencível.

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Fonte: https://sapphireth.wordpress.com/2012/06/29/a-different-approach-to-the-concept-of-a-chosen-one/
CONCLUSÃO

Ficou claro, com esta conclusão, de que nada foi concluído. Arlen reclamou para si o papel de Libertador, mas o senhor dos demónios ainda vive e Brett não foi minimamente discreto em realçar o futuro das várias crianças que nasceram. É lógico que haverão novas aventuras no mundo de Thesa e que estas crianças terão papel de protagonistas numa série subsequente.

Ainda assim, o sacrifício que permeia os últimos capítulos agradou-me, bem como o final mais ou menos bonitinho que colocou personagens que se opuseram ao longo da saga no início de um entendimento que pode ser duradouro. É um final que acima de tudo alude à harmonia e à esperança num amanhã melhor, que não obstante o expectável ou um ou outro deus ex-machina, me agradou bastante como um todo. É uma saga consistente e credível, com pouca complexidade mas muita discussão sobre os valores e crenças de cada um.

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