Fala-se de: The Witcher T1


Lançada a 20 de dezembro e com um total de 8 episódios, a primeira temporada de The Witcher começou a adaptação para série de TV da saga literária com o mesmo nome, escrita pelo autor polaco Andrzej Sapkowski. Depois do sucesso nos videojogos que, de resto, deu nome e prestígio à franquia, chegou a vez de The Witcher chegar ao pequeno ecrã pelas mãos da Netflix, a plataforma de streaming sediada em Los Gatos, na Califórnia.

A série de tv foi criada por Lauren Schmidt Hissrich com base nos livros, tendo a primeira temporada adaptado os contos dos primeiros livros, O Terceiro Desejo e A Espada do Destino, adicionando-lhe ainda alguns pózinhos do terceiro volume e uma história anterior para explicar as origens de Yennefer (Anya Chalotra), o interesse romântico do personagem que dá título à saga. The Witcher não conseguiu convencer a crítica mundial, mas desde o seu lançamento tornou-se um ícone para os fãs.

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Fonte: https://observatoriodocinema.bol.uol.com.br/series-e-tv/2019/12/2a-temporada-de-the-witcher-sera-menos-confusa-promete-chefe-da-serie

Desde já, convém explicar como foi feita a adaptação. A saga literária de The Witcher tem sete livros e alguns derivados, mas, dentro da série principal, os dois primeiros servem apenas para introduzir personagens. Estes dois livros que a primeira temporada adapta são divididos em contos, narrando as aventuras de Geralt de Rivia com o seu amigo, o bardo Jaskier, a matar monstros. A caça à estrige é o primeiro conto do livro inaugural, o conto do djinn é o último, e o segundo volume tem histórias como a caça ao dragão e a festa em Cintra onde Geralt fica preso à criança de Duny e Pavetta através da Lei da Surpresa.

Como leitor, foram dois livros que se leram bem mas que me pareceram frugais, sem nada de inovador ou de muito interessante para a fantasia. Por isso, apesar de os que apenas viram a série a acharem um tanto ou quanto confusa (e explicarei adiante porquê) devo dizer que o material dos livros foi extremamente bem aproveitado; a série foi extremamente bem feita. Imaginem que Yennefer só vos aparecia a meio da temporada e que Ciri (Freya Allan) nem mostraria o rosto. Quão aborrecido seria ver apenas Geralt e Jaskier por aqui e por ali?

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Fonte: https://www.theverge.com/2019/12/20/21026537/the-witcher-netflix-review-henry-cavill

A confusão dos espectadores, e o que gerou mais crítica ao público que não conhece os livros, foi o facto de os três protagonistas, o Geralt de Henry Cavill, Yennefer e Ciri, serem apresentados em linhas temporais distintas. Yennefer é a que está mais atrás, cerca de cinquenta anos no passado. Conhecemos as suas fraquezas, as suas deformidades, os problemas de adaptação em Aretusa, a relação com Tissaia de Vries (MyAnna Buring) e como ela se transformou na feiticeira linda e maravilhosa que faz o nosso Witcher babar-se de amores. E, claro está, o seu perfume a lilás e groselha é bem referido.

Geralt está no tempo intermédio, bem no meio das suas aventuras e a desempenhar a sua profissão o melhor possível, ou não fosse o seu amigo Jaskier (Joey Batey) passar o tempo a incomodá-lo com as suas cantorias e sarilhos. Ciri está no tempo presente, quando Cintra é atacada pelos exércitos de Nilfgaard e a sua avó, a Rainha Calanthe (Jodhi May) lhe diz para procurar Geralt de Rivia, o homem a quem está destinada através da Lei da Surpresa (como agradecimento, reclamar de alguém aquilo que a pessoa tem mas não sabe) que uniu os seus destinos no dia em que Pavetta descobriu estar grávida.

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Fonte: https://noticiasdatv.uol.com.br/noticia/series/netflix-faz-investimento-milionario-em-witcher-para-ter-sua-game-thrones-31913

A personagem Yennefer dá um salto temporal que a faz “apanhar” o tempo de Geralt a meio da temporada, adaptando o conto do djinn em que a conhecemos nos livros pela primeira vez e dando início a uma história de amor que não é nova para os leitores mas que fica extremamente bem na série, uma vez que vínhamos acompanhando as duas personagens separadamente. A química entre Chalotra e Cavill também é ótima e posso dizer que, apesar de não achar o “Homem de Aço” grande ator, ele encaixa na perfeição neste Lobo Branco.

O último episódio da temporada é estrondoso, ele não só coloca Geralt e Yennefer na mesma linha temporal de Ciri, como faz revelações sobre onde estava o Witcher no momento da queda de Cintra, a sua relação no momento com as demais personagens e uma batalha incrível ocorre em Sodden. Trapaças e traidores são revelados e, o melhor, um grande encontro acontece, deixando um gancho incrível para a segunda temporada, cujas gravações devem começar em breve.

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Fonte: https://comicbook.com/gaming/2019/12/06/netflix-the-witcher-clip-yennefer-transformation-into-a-sorceress/

As linhas temporais distintas podem confundir o espectador mais desprevenido, mas as pistas que mostram onde eles estão são deixadas de forma bem denunciada, elas são bem contextualizadas e é fácil perceber o momento em que cada um deles se encontra. Não há aqui viagens para trás e para a frente, está tudo muito bem definido. Os flashbacks são poucos e também focados, mais no passado longínquo das personagens do que em épocas que possam confundir ainda mais quem vê.

A nível de desempenhos, Anya Chalotra convenceu-me completamente, e eu torci muito o nariz à escolha dela para o papel de Yennefer. Destaco ainda mais dois nomes. Joey Batey consegue dar um bom alívio cómico à série, quando a personagem (Jaskier) nos livros me irrita solenemente. Eamon Farren é um dos melhores actores que estão aí em voga e conhecendo a personagem dele (Cahir) como conheço, só vos posso dizer que ainda não viram nada. Ator e personagem são fenomenais.

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Fonte: https://redanianintelligence.com/2019/07/26/yennefer-season-one/

Quem leu a saga (eu estou perto do fim) deve partilhar da minha opinião que os dois primeiros livros não são nada de especial e que a série soube tirar o melhor delas com muito mérito. E se os livros a partir do terceiro melhoram muito, resta-me esperar que a série também lhes faça justiça, agora que estão todos no mesmo patamar temporal e que a ação vai começar a aquecer.

Avaliação: 8/10

Um comentário em “Fala-se de: The Witcher T1

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