Estive a Ler: Coma


Havia muitas pessoas que brincavam com Susan por causa da sua espantosa assiduidade.

O TEXTO SEGUINTE ABORDA O LIVRO COMA

Robert Brian “Robin” Cook é um médico e escritor norte-americano considerado o introdutor do termo “médico” como género literário. Graduou-se em Medicina na Universidade de Columbia antes de se tornar um escritor especialista em thrillers médicos. Em 1966, concluiu o seu doutorado em Harvard e seis anos depois publicou o primeiro livro: Memórias de um médico interno. Cook escreveu uma sucessão de best-sellers do The New York Times. Atualmente divide seu tempo entre suas residências na Flórida e em Boston.

Coma foi o segundo livro publicado pelo autor, no ano de 1977, e chegou no final do ano passado às livrarias nacionais pelas mãos da Bertrand. Com tradução de Eugénio Santos e um total de 360 páginas, Coma foi também adaptado ao grande ecrã por Michael Crichton, amigo pessoal do escritor, em 1978, num filme com Michael Douglas e Geneviève Bujold, e ao pequeno ecrã em 2012, numa minisérie produzida por Ridley Scott com Lauren Ambrose, Steven Pasquale e Geena Davis.

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Oh não! Este é para os fãs de Grey. | Fonte: https://www.metrojornal.com.br/entretenimento/2019/07/04/greys-anatomy-data-de-estreia-da-16a-temporada-acaba-de-ser-revelada.html

Comecei Coma sem saber grande coisa sobre o livro, apenas com a informação de que o seu autor, Robin Cook, fora o percursor dos thrillers médicos e que era tido em alta conta nesse segmento. Por isso, tinha as expectativas algo elevadas e elas foram completamente defraudadas. Estava à espera de encontrar um thriller complexo e interessante, mas acabei por encontrar um mistério que me parece de clara resolução nos primeiros capítulos.

“Uma coincidência que irá mudar para sempre a vida no movimentado Boston Memorial Hospital.”

É também uma história mais virada para um público feminino, com personagens cliché do género Anatomia de Grey, protagonizada por uma estudante de Medicina com uma bagagem de conhecimento algo irreal para os poucos anos de aprendizagem que tem e uma atitude muito tradicional no género. As relações são típicas dos romances de cordel, com poucas nuances em relação ao que tanto foi já reproduzido nos media.

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A capa nacional | Fonte: https://www.bertrandeditora.pt/produtos/ficha/coma/22563334

O livro peca também pela introdução lenta, com imensos infodumps sobre quem é a personagem a ou b, bem como pelas mudanças abruptas de pontos de vista dentro dos mesmos capítulos. É um livro marcadamente fraco, para quem espera ler um grande thriller com a medicina como tema central. Ainda assim, em abono do autor, posso dizer que nem tudo é mau.

Os conhecimentos de medicina de Robin Cook são muito bons, ou não fosse ele médico, e a mensagem que o autor quis passar acaba por ser de salutar, tanto no que concerne aos perigos que a ganância pode despoletar na saúde e aquilo que os homens estão dispostos para dar lucro ao sistema, como no que diz respeito à discriminação contra a mulher no mundo dos médicos. Só quando terminei o livro percebi que ele havia sido escrito em 1977, e perdoei logo ali muita da inconsistência do livro.

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Fonte: https://giphy.com/gifs/unsigrandsoleil-hospital-injured-coma-igUVsK82mdCmzHOtA0

O livro é, na maioria, passado num hospital. Nancy Greenly e Sean Berman, que ali foram internados para pequenas intervenções cirúrgicas de rotina, tornam-se inexplicavelmente vítimas da mesma surpreendente e horrível tragédia na mesa de operações. Os dois, sem que aparentemente nada os una a não ser as instalações que os acolheram, entraram em coma. Uma coincidência que irá mudar para sempre a vida no movimentado Boston Memorial Hospital.

Disposta a lutar contra o desprezo dos seus colegas e da classe médica, Susan Wheeler, estudante de medicina do terceiro ano, começa a investigar por sua conta e risco as causas por trás destes comas alarmantes. Pelo caminho, conhece o misterioso cirurgião residente Mark Bellows, que coloca as suas certezas e seguranças à prova. A investigação irá conduzi-la a uma verdade inquietante que coloca a sua própria vida em risco. Ao mesmo tempo, ela luta pelos seus pacientes, pelo papel das mulheres na Medicina e pela sua estabilidade emocional.

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Fonte: https://www.gazetadopovo.com.br/vozes/clube-do-seriado/quatro-series-do-netflix-para-voce-assistir-agora/

Ainda assim, Coma não deixa de ser um livro atual e as suas fragilidades podem ser mitigadas se olharmos tanto para o ano em que foi publicado, como à inexperiência literária do autor à época. Mas também para o facto de que aquilo que é arquetípico de filmes e séries do género hoje, não o era à época e por isso, sim, Robin Cook tem inquestionavelmente o seu mérito.

Pessoalmente, esperava outra coisa completamente diferente. Foi tudo demasiado raso, cansativo e previsível para o que eu precisava, ao apostar neste autor. Mas então, muito provavelmente não é responsabilidade de Cook ou do livro em si, não se tratando sim de um livro a que eu me possa chamar de público-alvo. Pode ser um livro mais adequado a leitores do sexo feminino, com pouca exigência neste género de thriller ou com maior propensão ao romance.

Avaliação: 2/10

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