Estive a Ler: Huck


O que tem o comandante Veselov na mão?

O TEXTO SEGUINTE ABORDA O LIVRO HUCK (FORMATO BD)

Huck é mais um livro da série Millarworld que a G Floy Studio publica. Com argumento de Mark Millar e arte de Rafael Albuquerque, trata-se de uma abordagem mais tradicional à temática dos super-heróis. Mark Millar é o escritor de séries de comics aclamadas como Kick-Ass, Kingsman: Serviço Secreto, O Legado de Júpiter e O Círculo de Júpiter, Nemesis, etc…. vários deles já foram adaptados ao grande ecrã, e muitos outros estão em adaptação para o cinema e televisão.

Rafael Albuquerque venceu já vários Eisner e Harvey Awards e é o co-criador da série best-seller do New York Times American Vampire (DC Comics/Vertigo), escrita por Scott Snyder e Stephen King, e de Ei8ht, da Dark Horse. Rafael já trabalha na indústria de comics desde o início dos anos 2000, e tem trabalhos assinados para a maioria das editoras americanas, tendo ilustrado séries populares como Batman, Wolverine, Animal Man, e mais recentemente Batgirl. Huck inclui os seis números da publicação auto-contida original.

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Fonte: G Floy Studio

Mark Millar tem o dom de, nunca me arrebatando completamente, me deixar sempre aliciado pelas suas premissas interessantes. Huck é o caso em que a sua premissa podia não ser tão aliciante, mas com o seu desenvolvimento e execução cumpriu e bem com as minhas expectativas. Millar explicou as razões pelas quais escreveu Huck num artigo que se intitulava “Como Homem de Aço [o filme] me traumatizou de tal maneira que decidi escrever Huck”, como uma espécie de reacção a um excesso de violência e de “lado negro” dos comics e dos filmes neles baseados. O próprio Millar é responsável por várias histórias de grande violência, pelo que decidiu, desta feita, fazer algo que se diferenciasse do estilo.

“O argumento (…) poderia cair facilmente no mediano, se a arte que o acompanha não fosse tão bem feita.”

“Ver o Super-Homem a partir o pescoço do General Zod no filme chocou-me, e fez-me pensar se não teríamos ido finalmente até ao fim da linha em termos de violência nos super-heróis. (…) Para mim a moral dos comics de super-heróis era que eles podiam fazer quase tudo com os seus poderes, mas no fim escolhiam ser bons. (…) Gostava que Huck lembrasse aos meus leitores que quando nos vestíamos de super-heróis em crianças, não era para sermos os mauzões, os bad-ass, não era por eles serem violentos e cruéis. Quero que Huck funcione como um antídoto aos anti-heróis, e acho que é uma experiência muito interessante nesse sentido.

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Fonte: G Floy Studio

E se a escrita de Millar, bem como as suas ideias nunca me desiludem, a arte de Rafael Albuquerque é bem deliciosa e aprazível ao olhar. Neste álbum, a ideia – e já li algures a comparação, não sou o autor da mesma – procura recuperar a generosidade e ingenuidade dos super-heróis numa mistura de Superman com Forrest Gump. Pessoalmente, gostei muito do caráter benevolente do protagonista, que não enjoa de tão bom que é porque as curvas do enredo não deixam espaço para isso. E, ao fim, é apenas um único volume.

O álbum começa com a ideia de um super-herói tradicional, para logo a subverter. Huck é um rapaz de 34 anos que trabalha numa bomba de gasolina e ajuda os seus vizinhos apenas por bondade, sem usar falsas identidades, fatos ou máscaras. As suas origens remetem-se ao dia em que foi abandonado à porta de um orfanato, dizendo para que os seus cuidadores o amem. Assim sendo, foi criado para fazer uma boa ação por dia. Mas este herói também tem as suas dificuldades, problemas em aprender, vulnerável e visto por muitos como simplório.

Se, por um lado, as suas habilidades foram mantidas em segredo por aqueles que vivem à sua volta por muito tempo, essa pacificidade é posta em cheque quando chega uma nova habitante ao lugar, chamando as atenções da comunicação social para este homem extraordinário, transformando-o numa celebridade. A partir daí, muitos se irão tentar aproveitar das suas fraquezas e bom coração. Da ruralidade dos EUA aos laboratórios científicos da Sibéria, Huck terá de usar as suas capacidades para se ver livre de inimigos que desconhecia e salvar a sua própria história pessoal.

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Fonte: G Floy Studio

Apesar de ser uma premissa pouco inventiva, sem grandes guinadas do guião que nos deixem de boca aberta, é um volume auto-conclusivo bastante interessante e agradável de ler e de seguir. Entretenimento puro, seguindo a linha de criatividade que Mark Millar sempre tão bem nos habituou. Repleto de personagens cliché, como o vilão Professor Orlov, Huck não deixa de ser uma lufada de ar fresco.

O argumento não desilude, surpreendo-me na história que envolve a mãe do protagonista, mas poderia cair facilmente no mediano, se a arte que o acompanha não fosse tão bem feita. Albuquerque dá vida e expressão a este super-herói benigno de forma incisiva, empática, sentimental, e consegue mostrar o modo de vida daquelas personagens com uma expressividade e beleza de contrastes dignas de nota. Para ler e reler.

Avaliação: 7/10

2 comentários em “Estive a Ler: Huck

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