It’s Alive 2020


Olá a todos! No passado dia 04 de abril realizou-se o #itsalive2020, um evento que pretende homenagear a reunião bem produtiva que em 1816 resultou da erupção de um vulcão. Quatro escritores, que ali se encontravam de férias, ficaram fechados na Villa Diodati e da proposta de escrita de Lord Byron nasceu, por exemplo, a criação de Frankenstein por Mary Shelley. Este ano, por via das contingências, a maratona de escrita foi feita a partir das nossas casas. O objectivo, trocar impressões através da escrita e fazer nascer uma nova história – preferencialmente de terror.

Em condições normais não deixaria aqui um conto completo, mas nos tempos que vivemos, dar um pouquinho de nós à comunidade torna-se fulcral. O evento surgiu de uma iniciativa da Imaginauta e juntou cerca de 50 escritores à conversa enquanto cada um escrevia um conto. Começou às 18h. Terminou ao final do dia. Sem revisões ou grandes ideias, muito na base do improviso, deixo-vos aquilo que saiu da minha experiência.

Mary Shelley e a metáfora da mulher em Frankenstein - Jornal Opção
Mary Shelley | Fonte: https://www.jornalopcao.com.br/opcao-cultural/mary-shelley-e-a-metafora-da-mulher-em-frankenstein-221883/
O MELRO

A jóia desapareceu. Ninguém sabe muito bem o que aconteceu. Vejo cabeças a virar-se para um lado e para o outro, confusas, como seria de esperar. Retorço-me todo por dentro, de um regozijo febril. Que pestanejem, que desenhem Os com a boca, que enruguem as peles do rosto com a sua tão escandalizada reacção. Escarneço de todos. A piada de os ver à toa como ratos lançados em liberdade dá-me vontade de começar a dançar, abanar os ossinhos todos e soltar gargalhadas à frente deles. Em vez disso, limito-me a observar.

O palácio tornou-se palco para o jantar de apresentação da nova linha de diamantes. Está aqui a nata da sociedade. O dono da marca Cleópatra, Augusto Arruda, sacode eventuais migalhas da lapela do casaco. Tem um rosto ossudo e moreno, o cabelo grisalho a tender para o calvo. Sentada à sua esquerda está a esposa, Martinha, uma senhora toda empertigada com uma aparelhagem nos cabelos digna de uma rainha das Astúrias. Veste-se toda de rendas e cetins, e a sua fisionomia obesa lembra um ganso inchado. Não pára de falar e qualquer palavra que se verta da sua boca acusa uma ofensa.

Vejo à sua volta um par de raparigas muito bonitas, que devem ser as suas filhas; um senhor todo emproado e aspecto de septuagenário, que por acaso é o director executivo da organização do desfile, com as mãos na cabeça. Por todo o lado a incredulidade é notória. Apresentadores de televisão, actores e agentes de modelos entreolham-se, sem perceber minimamente o que ali aconteceu. Uma delas é Eva Calado, a pivot do jornal da noite, que vi a roçar as pernas, por baixo da mesa, com Pedro Piloto, um antigo manequim que se tornou agente publicitário.

Os copos de cristal que há momentos chocavam uns nos outros parecem agora esvaziados sobre os tampos das mesas, esquecidos por momentos. Metade dos convidados cedeu já um pouco à embriaguez. A outra metade pôs-se de pé, com os olhos postos na passadeira, onde Diana Souto, a prima-dona da marca Cleópatra, chega à orla do estrado e olha com real assombro para o seu peito, vazio de diamantes. A surpresa transforma-se num rugido quando abre as mãos e vê o sangue que delas se escoa, sangue que se confunde com o vermelho do seu espartilho.

⸺ Anda cá, Melro! ⸺ Oiço alguém chamar e quase me sinto a estremecer, não fosse o espectáculo tão aliciante.

A surpresa transforma-se em gritaria. Sei que já pensei nisto antes, mas regozijo-me. Regozijo-me à grande. Há mais senhoras todas cheias de não-me-toques que começam a gritar. Os cortezinhos nas mãos são só para o show-off. Para acentuar o choque. Seja como for, acho que o choque delas está mesmo mais relacionado com o desaparecimento dos diamantes. Como putas embrulhadas que são, venderiam os dedos para não perder os anéis. Para seu infortúnio, todos eles desapareceram. Todos os anéis e colares, brincos e pedrarias, apontamentos e coroas de braços. Todos os diamantes presentes na festa imiscuíram-se.

Vejo os seguranças a espalhar-se como baratas tontas, alguém com um altifalante ordena que ninguém entra nem sai do recinto. Olho para cima, onde arcos de dupla curvatura se cruzam em redes largas que rasgam o tecto. Foco o olhar nas câmaras de vigilância, que parecem girar lentamente, a sondar eventuais movimentos suspeitos. Ninguém sabe. Ninguém pode ver. Ninguém viu. O sumiço das jóias não foi testemunhado por ninguém. Agora, agora é que vêm. Todos. Vêm aquilo que desapareceu. Sentem a sua falta. E isto, ainda não é nada. Há um responsável pela organização a mandar as pessoas levantar-se e dirigir-se para o cotovelo entre os estrados, há uma série de seguranças com lanternas LED a inspeccionar todos os cantos da sala. Os estofos das cadeiras são inspeccionados, elas são viradas ao contrário, as mesas idem, e os focos de luz tornam perceptíveis a olho nu as partículas de poeira e de estuque que descem do tecto, como tentáculos fantasmagóricos.

Meia-dúzia de seguranças procede à inspecção dos convidados. Entre gritinhos e contestações, todos são alvo de um exame minucioso por parte das autoridades. Quando um dos seguranças leva a mão ao peito da dona Martinha, a matrona com feições de ganso solta um gemido afectado e atinge o homem com uma bofetada no rosto. O segurança recua, assustado, e o esposo dela, Augusto Arruda, hirto como um fuso, parece oscilar entre um e o outro sem saber bem a quem acudir.

⸺ Augusto, aquele… Aquele homem apalpou-me! ⸺ acusa com um gritinho.

⸺ Mas, querida… São os protocolos. Eles só estão a fazer o seu trabalho.

⸺ Ah é? Um estupor qualquer aperta-me as mamas e tu achas bem? ⸺ Completamente alterada, Martinha afasta o marido com um empurrão e vira-lhe costas, abandonando a área a que os convidados foram confinados.

É certo que os convivas têm o cerco apertado e ninguém consegue sair dali, ou não fosse o cordão de segurança criado pelos seguranças uma coisa de respeito, mas nenhum deles ousa barrar o caminho a Martinha de Arruda. A mulher, toda espampanante, segue empertigada por entre as mesas, com o queixo atirado para cima e a sua cauda de cabelos aparelhados em vários coques a sacudir-se na sua esteira.

Sigo-a atentamente e vejo as suas gordurinhas a abanarem-se. Pergunto-me com alguma malevolência como é que ela consegue ter sempre o traseiro tão empinado para trás e o peito tão protuberante para a frente. Ainda há um empregado de mesa, de fato e avental, que a tenta abordar, mas uma paragem súbita e um braço erguido são esforço suficiente para o fazer mudar de ideias. O homem nem sequer a vê dirigir-lhe o olhar, porque rapidamente disfarça o embaraço com o trabalho.

Sem Título

Martinha de Arruda visa então a porta de madeira que conduz às instalações sanitárias e dirige-se para lá. Faço o mesmo percurso e admiro o prolífico trabalho de marcenaria que envolve a porta entreaberta. Deito um relance à câmara de vigilância, mas nem ela parece se importar que eu siga a senhora para as casas de banho. Lá dentro, vejo-a a desabar sobre o lavatório. Tem um espelho de tela bem grande à sua frente, todo orlado a metal, e é através do seu reflexo que a vejo a soluçar, deixando cair o minúsculo par de óculos para a bacia do lavabo, chorando como uma menina.

Então, ela cai. Lança os braços gordos sobre o lavatório e deixa-se cair de joelhos, sobre o chão de mosaicos. Tem as pernas cruzadas uma sobre a outra, os braços parecem os de uma marioneta, pela forma vã e despropositada em que os sobrepõe, e do seu nariz abolachado desce uma linha de muco que lhe toca os lábios carnudos. Há um perfume a lavanda a pairar no ar, que se sobrepõe a todos os outros. Aproximo-me vagarosamente e, quando Martinha sente o meu toque ao seu ombro, limita-se a olhar.

É um olhar triste, porém. Por um segundo, sinto uma pontada de comiseração. Ou sentiria, não fosse eu tão amargo. Volta a afastar vagarosamente a cabeça e pergunto-me se ela sabe realmente por que é que eu estou ali.

⸺ Meu querido ⸺ diz. ⸺ O que é que estás aqui a fazer?

⸺ Calculei que precisasse de… um pouco de conforto.

Lágrimas voltam a escorregar pelo seu rosto, mas sem o soluço e amuo que eu esperava. Volta a visar-me com o seu olhar e a afastá-lo. Toca-me com carinho, um carinho despojado de arrogância, um carinho nu em prepotência.

⸺ És um bom amigo. Fiel, terno, atento. Tenho muita sorte em te ter comigo, este tempo todo.

⸺ A senhora trata-me bem ⸺ afirmo, apesar de duvidar da veracidade das minhas palavras. ⸺ No fundo, sabe o que aconteceu. Gostaria que isto tivesse acontecido de outra forma. Não era de todo a minha intenção…

O olhar dela vira-se então para mim transformado. Há ali raiva, uma fúria acumulada desejosa de me explodir em cima. Tento fugir a ela, recuar, mas é tarde demais. Conheço Martinha de Arruda há muito tempo. Não conheço de todo o seu marido, as suas filhas, tampouco aqueles que socialmente se movimentam, ganham e perdem com o seu negócio. Mas conheço Martinha, sim. Ah, como conheço.

⸺ Minha senhora. Estou aqui, como sempre estive.

⸺ Mentes. Mentes! ⸺ grunhe ela quando segura com força na orla do lavatório para se erguer. ⸺ Isto é tudo culpa tua. Tudo. Isto não podia ser. Tu disseste que, se eu te desse o que me pediste, que tudo ia ficar bem. Que ninguém se ia magoar. Que…

⸺ Alguém se magoou, minha senhora? Fiz aquilo que lhe prometi. Ninguém se magoou.

⸺ Eu vi o sangue, seu maldito bastardo! E agora vejo que foste tu… Não te esforças sequer por o esconder.

⸺ O sangue foi fogo-de-vista. O espectáculo tem de ser alimentado.

⸺ E a minha vida? O que vai ser da minha vida?

Ela estava a referir-se à opulência que rodeia o seu dia-a-dia. A marca de jóias do marido ficaria arruinada, a falência seria um final provável para aquele desastre. Tudo o luxo em que ela vive sofrerá um abate severo.

⸺ Danos colaterais.

⸺ Cabrão. Filho da mãe. Cão sarnento.

A mulher baloiça-se toda para cima de mim. Todas as suas gorduras se sacodem com uma fúria que me ameaça engolir. As feições de Martinha enrubescem. Traços de suor perlam-lhe o pescoço.

⸺ Ofender-me não irá mitigar os danos.

⸺ Eu acreditei em ti ⸺ grita, com o indicador em riste. ⸺ Acreditei que tudo o que me deste era genuíno. O teu carinho, a tua compreensão, o teu afecto. Aquilo que me pediste… Eu… Demorei tempo a perceber. Agora, não percebo mais nada. Por que fizeste isto? Como? Como é que conseguiste? Eu…

Ofereço-lhe o meu melhor sorriso. A minha condescendência não chega a tanto, mas quase sinto o ímpeto de a confortar. É justo o que me diz. Aproximei-me dela naquela noite, há sete anos atrás, com toda a minha cordialidade e simpatia. Foi numa festa de beneficência, quando me dobrei para lhe apanhar o chapéu. Deixei-a rubicunda com a minha gentileza. Persegui-a por dias, sem que me notasse. Quando acusou a minha presença, ofereceu-me um sorriso afectado, mas cheio de si. Como se fosse demasiado valiosa para que eu lhe pudesse pôr os olhos em cima. Palavras simples e marcantes, suaves como mel, ganharam o seu afecto. Interrompeu dois chás com as amigas para me falar. Trocou horas de tédio pela minha companhia e, uma vez, beijou-me.

Aquele beijo deixou-a perdida. Senti pela maneira como o ar lhe faltou e como, naquele mesmo dia, me levou de roldão até à sua alcova, onde os lençóis perfumados testemunharam o seu fervor. Só a imagética pode reflectir o que vivi naquele instante, mas a repugnância que trago na mente não se coaduna com o que sinto realmente a esse respeito. Diversão. Apenas e só diversão.

O Terror Gótico e a Villa Diodati – HISTÓRIA DA ARTE E ARQUITETURA
Villa Diodati | Fonte: https://historiaartearquitetura.com/2017/02/13/o-terror-gotico-e-a-villa-diodati/

Martinha de Arruda não é a melhor das amantes, mas também não é uma garota ingénua. Pode ter-se apaixonado por mim, continuar a chamar-me de fiel amigo e confidente, características que qualificam realmente a relação que encetamos, mas sabe ao que fui. Por isso, não se impressionou realmente quando lhe pedi a primeira jóia. Fui tomado por alpinista social, seguramente. E, ainda assim, ela não se importou. O luxo, o dinheiro, era o que mais lhe sobejava. Eram detalhes na sua vida, migalhas a que ela poderia aceder com facilidade. O que eu lhe oferecia em troca, compensava.

Apesar do seu carinho por mim, precisei suportar durante anos o fogo diário da sua reprovação, a sua extrema implicância para com o mais ínfimo pormenor. Se um quadro está ligeiramente inclinado, quase que fumo sai pelas suas narinas como se de um dragão se tratasse. Martinha é assim. Um dragão fêmea preparado para atacar a qualquer instante. Com todos, menos comigo. E, ainda assim, vi-me a recorrer a uma paciência que, segundo a minha avaliação sumária ao longo dos anos, me parecia bem ilimitada.

Ano após ano, fui-lhe solicitando mais jóias. Uma vez ou outra ela mostrou maiores reservas. Disse que me pagava em dinheiro. Dinheiro vivo. Insistiu nisso por várias vezes, e sempre se viu inquieta e intrigada ao perceber que tal não me interessava. Apenas jóias. Apenas diamantes. Ouro ou prata. Objectos líquidos. Objectos carregados de luz. Brilhantes. Cedo concluiu que se tratava de uma tara. Há tarados para tudo, na verdade, e por que não um amante que deseja enriquecer apenas à custa de jóias? Para lhe mitigar a curiosidade, deixei-a acreditar que estaria envolvido em tráfico. Mas, após os eventos de hoje, torna-se realmente difícil esconder dela a verdade.

⸺ Poderia dizer que lamento que tudo tenha terminado desta forma. Mas não estaria a ser… verdadeiro. Tudo correu como eu sempre planeei, querida Martinha. ⸺ Ela avançou para mim e temi que realmente me atingisse o rosto com um murro, mas perdeu as forças a meio do caminho. Desejava realmente que eu a amasse como ela me amava. ⸺ Este lançamento foi o mais produtivo dos meus golpes, assim como o maior evento da Cleópatra ao longo dos anos. Sabe perfeitamente que o seu marido nunca antes empreendeu uma nova linha com tanta criatividade nem requinte, ao longo da sua carreira. O real valor desta colecção advém das ideias que você lhe deu, ideias que germinei na sua mente.

⸺ Velhaco…

⸺ Tudo isto, para que o meu momento chegasse.

⸺ Tu não conseguirias fazer isto sozinho. Diz-me, quem te ajudou? Quem te ajudou a furtar todos estes diamantes? Onde é que eles estão?

A voz de Martinha sai esganiçada na última frase, quando me agarra no casaco e me puxa para ela. Limito-me a esboçar um sorriso de sacana. Podia dizer-lhe a verdade, se a verdade não fosse tão… assombrosa. O que diria ela se soubesse a verdade? Dá-me uma vontade inequívoca de gargarejar, mas preciso controlar-me. Não duvido que Martinha iria urinar nas cuecas, quando conhecesse a natureza do seu amante. Será melhor que pense mesmo que não passo de um alpinista social, alguém com uma engrenagem de conhecimentos e de influência tão elaborada que facilmente organizaria um furto em larga escala, num evento desta dimensão e com uma segurança tão apertada.

Ouço os passos a aproximarem-se e preparo a minha retirada estratégica.

⸺ Pense o que quiser, Martinha. Mas não duvide que a tenho em grande conta. ⸺ O gesto amplo que as minhas mãos traçam indica claramente que estou a troçar das suas dimensões, o que desperta nela um soluço.

Quando um murro choca na porta, a voz áspera do segurança pergunta:

⸺ Está tudo bem, minha senhora?

Por um instante, temo que ela grite aos seguranças que um ladrão se esconde ali consigo, mas por muito que a sua mágoa seja real, os seus olhos brilham de amor por mim e quase me sinto tentado a levá-los comigo. Podia pedir-lhe para me defender, para não abrir a boca, ou para que lhes diga que está tudo bem e que se encontra ali sozinha, mas não é esse o meu plano. Não preciso de nada disso. Avanço tranquilamente para a porta e, quando a abro com uma mão, a figura robusta e delicada do amante de Martinha de Arruda evapora-se aos seus olhos. Assim pensa ela, embora não seja necessariamente verdade.

A forma que eu tomo é a minha real forma. Aquela com que me passeei pelo salão antes, para apreciar o caos gerado pela minha acção. Passo por entre as pernas dos seguranças, que continuam aturdidos, sem perceber o que aconteceu ali ou onde raios estão as jóias. Passo pelo empregado de mesa chamado Melro, passo por Diana Souto, sentada no estrado com um ar devastado, e passo por Augusto, cuja veia alterada na testa revela o seu estado nervoso a discutir com o pessoal da segurança.

E, pouco a pouco, abandono o palácio, deixando-os entregues ao enigma. Lá fora, o luar brilha, lindo, magnífico, e enquanto atravesso a paisagem bucólica do exterior do palácio, onde arbustos delicadamente podados servem de paisagem aos automóveis topo de gama ali estacionados, volto a mudar de forma.

Nem tudo o que luz é ouro, diz o adágio popular, mas tudo o que luz alimenta-me. Sacia a minha fome.

É disso que vivo.

É isso que sou.

Um ladrão de brilhos. Um comedor de joias. Um melro.

O melro.

FIM

 

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