Estive a Ler: Carrie


Na Escola Primária de Barker Street, em Chamberlain, apareceu escrevinhado no tampo de uma cadeira:

Carrie White come trampa.

O TEXTO SEGUINTE ABORDA O LIVRO CARRIE

Sendo o primeiro livro publicado por Stephen King, corria o ano de 1974, Carrie começou desde cedo a afirmar-se como um nome sonante na literatura de horror. O escritor de The Shining, It: A Coisa, A Torre Negra, A Hora do Vampiro e Misery é licenciado pela Universidade do Maine e considerado o grande mestre contemporâneo do género, com a grande maioria das suas obras adaptada tanto ao cinema como à televisão.

Carrie conheceu várias adaptações, incluindo uma longa-metragem em 1976, um musical da Broadway em 1988 e uma peça off-Broadway em 2012, uma sequência de longas-metragens em 1999, um filme de televisão em 2002 e um outro no grande ecrã em 2013. O livro é dedicado à esposa do autor, Tabitha King. Em Portugal, Carrie foi publicado pela Bertand; a minha edição de agosto de 2017, que pertence à chancela 11×17, tem tradução de Maria Filomena Duarte e um total de 272 páginas.

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Fonte: https://giphy.com/gifs/horror-scary-eyes-q3vTnLA9DWoeY

Este é um livro que se lê muito facilmente, e apesar de não me ter fascinado, não deixa de ser uma leitura muito boa. Aliás, sendo o primeiro livro publicado pelo autor esperava uma escrita bastante mais verde. É uma obra de horror puro, mas que horroriza sobretudo pelo comportamento humano, pelas obsessões religiosas e pela crueldade intrínseca à sociedade.

“Não sendo dos melhores livros do autor, Carrie foi uma leitura bem agradável.

O livro inclui algumas cenas mais sufocantes que sinceramente não me surpreenderam tanto como em outras obras do autor, como The Shining ou It, notando-se nesta fase uma certa inspiração em H.P. Lovecraft, um dos ídolos do autor do Maine, na forma como a história é contada. Talvez tenha sentido falta de algum trabalho de suspense, embora não seja essa a proposta do livro.

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Capa 11/17 | Fonte: https://www.11×17.pt/produtos/ficha/carrie/19366638

Dividido em três partes, o livro aposta numa narração em forma de factos, ou não fosse a maioria do livro narrada através de recortes de jornais, artigos de revistas, cartas, diários e trechos de livros para contar como a menina Carrie White, vítima de bullying, destruiu a cidade fictícia de Chamberlain, no Maine, enquanto se vingava dos seus colegas sádicos e da sua própria mãe Margaret, uma fanática religiosa.

A história de Carrie foi inspirada por duas adolescentes que o escritor conheceu na escola, rejeitadas pelos colegas, que morreram muito antes de completarem trintas anos. Durante a escrita do livro, King foi muitas vezes acometido de incertezas que o levaram a desistir de tentar a carreira de autor, mas a esposa Tabitha não o deixou baixar os braços, razão pelo qual o livro lhe é dedicado.

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Wallpaper | Fonte: https://wall.alphacoders.com/big.php?i=465117&lang=Portuguese

Há um foco na repressão da menina, na forma como o “mundo” a olha de lado, como os colegas a descriminam pela sua natureza anti-social e pelo seu desconhecimento do mundo, mas também pela maneira como a mãe a educou de forma rígida e pouco saudável. Mas a rejeição no ambiente escolar, esse tema sempre incómodo e colocado de lado por quem de direito, acaba por ser apenas o pano de fundo para conhecermos uma capacidade inusitada e que lança King no mundo das capacidades sobrenaturais: a telecinesia.

Em vários momentos, Carrie faz-nos olhar pela óptica do leitor de jornal ou pela mente da menina que olha para Carrie com desprezo, mas por muito que o livro nos drible, parecendo querer fazer-nos temer a jovem, estranhar a sua educação e natureza, em todos os momentos me senti a torcer para que a jovem destruísse realmente todo aquele mundo bárbaro de repressão, opressão e discriminação.

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Filme de 2013 | Fonte: https://wallpapermemory.com/334640

Há uma insanidade despreparada na condução da narrativa, tudo acontece de forma bastante natural e sem barrigas, é um livro rápido de se ler e repleto de emoções, em que senti talvez a falta de mais algum tempo para conhecer Carrie pela sua própria experiência, pelos seus olhos. É o livro inaugural de um autor brilhante, que não deixa de ter um final coerente e um “todo” competente.

Da primeira menstruação de Carrie ao baile em que tudo parece acontecer, a ação do livro acontece num curto espaço temporal, sendo sobretudo contada a sua história anterior e posterior através dos vários relatos. Desde o início sabemos que tudo aquilo correu mal e é essa maneira de contar as histórias de King que sempre me deixou empolgado. Não sendo dos melhores livros do autor, Carrie foi uma leitura bem agradável.

Avaliação: 7/10

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