Estive a Ler: Criminal #2 e #3


Durante anos, especialmente quando estava casado, tentava dormir à noite, como as pessoas normais.

O TEXTO SEGUINTE ABORDA O SEGUNDO E TERCEIRO VOLUMES DE CRIMINAL (FORMATO BD)

O argumentista Ed Brubaker (que esteve no nosso país na última ComicCon Portugal) e o ilustrador Sean Phillips são um exemplo sério de dupla bem-sucedida, tendo solidificado o seu nome na cultura policial de bandas-desenhadas, nomeadamente no género noir. Sleeper e Incognito foram algumas das suas obras mais conhecidas, para além de The Fade Out, Fatale e Criminal, obras publicadas em Portugal pela editora G Floy Studio.

O ano passado tivemos também a oportunidade de ler o spin-off de Criminal, Os Meus Heróis Foram Sempre Drogados, antes de conhecer o segundo e terceiro álbuns da famosa série. O segundo volume contém as histórias The Dead and the Dying e Bad Night, enquanto o terceiro fala-nos de The Sinners e de The Last of the Innocent, tendo-nos chegado ambos com poucos meses de diferença e lançados em capa dura. Criminal é uma das séries mais aclamadas da banda desenhada actual.

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Fonte: G Floy Studio

Sem apresentar uma sequência obrigatória de leitura, as histórias de Criminal são avulsas e vários núcleos que se cruzam, ou não fossem todas elas passadas em Center City, tendo os protagonistas índoles e motivos também eles idênticos. Se o primeiro volume foi um festival de tiroteios, desacatos e promiscuidade, estes segundo e terceiro álbuns seguem-lhe o exemplo. Eles são o rosto da dupla, que parece se ter tornado das mais bem oleadas da nona arte.

“Sexo, sangue e devassidão.”

A arte de Philips é um show à parte. Consegue reflectir completamente o ar frívolo e vazio de moral que a narrativa de Brubaker impõe, deixando-nos acreditar que aquelas personagens de banda-desenhada são pessoas de carne e osso, sem em nenhum momento duvidarmos disso. Malevolência, desinteresse, corrupção e brutalidade são o prato cheio que a dupla nos impõe. Aspectos que tornam esta banda-desenhada obrigatória para os fãs do noir e do policial.

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Fonte: G Floy Studio

Em Os Mortos e os Moribundos, uma mulher que sofreu na pele a crueldade do mundo que a rodeia, regressa à cidade com uma ideia em mente apenas: vingança. E os seus melhores amigos, o filho do mais poderoso senhor do crime da cidade, e um pugilista em ascensão, vão ser apanhados no fogo cruzado da sua raiva. Uma única tragédia, contada de três pontos de vista diferentes.

Em Uma Noite Má, a mais estranha das histórias da série segue um autor de banda desenhada com insónias, Jacob, o criador da tira “Franz Kafka Detective Privado”, que vai ser apanhado num furacão auto-destrutivo de sexo, mentiras e violência. Duas vontades de vingança opostas vão colidir numa história com um desfecho surpreendente.

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Fonte: G Floy Studio

O Livro Dois desenvolve o passado de várias personagens, para além de nos apresentar novos protagonistas. Aqui vemos como os Hyde ascenderam a senhores do crime em Center City e conhecemos as relações complexas entre Teeg Lawless, Sebastian Hyde e Jake Brown. O Livro Três apresenta-nos mais duas histórias que tratam do eterno regresso da violência e da queda, numa espiral negra sem fim e da qual não há fuga possível.

Em Os Pecadores, reencontramos Tracy Lawless, o veterano da guerra transformado em assassino a soldo da máfia. Encarregado de investigar uma série de misteriosos homicídios que atingiram mafiosos leais ao seu chefe, Lawless vai ver o seu inusitado código de honra meter-se no caminho da resolução do mistério, numa história com o final trágico à altura daquilo que está em jogo.

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Fonte: G Floy Studio

Em O Último dos Inocentes, a história mais inquietante do álbum, conhecemos Riley Richards, que sempre teve tudo o que queria (a miúda mais sexy do liceu, os amigos e o dinheiro) e que é confrontado com a solidão da sua vida na cidade, bem como a incapacidade de esquecer a vida pacata que teve em Brookview na infância, levantando-se a questão se terá sido por isso que assassinara a esposa.

Sexo, sangue e devassidão. Assim se pode resumir a série Criminal, que, não estando entre os meus trabalhos preferidos da dupla (The Fade Out ocupa a minha preferência destacada), confirma a sua incrível capacidade de contar histórias de uma forma realista, sem descurar a tradicional reflexão à natureza humana que Brubaker e Philips tão bem espelham nos seus trabalhos. Recomendadíssimo!

Avaliação: 8/10

Criminal (G Floy Studio Portugal):

#1 Livro Um

#2 Livro Dois

#3 Livro Três

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