Estive a Ler: The Mad Ship, The Liveship Traders #2


Tomorrow owes you the sum of your yesterdays. No more than that. And no less.

O TEXTO SEGUINTE ABORDA O LIVRO “THE MAD SHIP”, SEGUNDO VOLUME DA SÉRIE THE LIVESHIP TRADERS

Margaret Astrid Lindholm Ogden, mais conhecida pelo pseudónimo Robin Hobb, é uma escritora de ficção, principalmente de fantasia, embora ela tenha publicado alguns livros de ficção científica. A série de fantasia mais popular de Hobb é A Saga do Assassino, publicada em Portugal pela Saída de Emergência (bem como as séries O Regresso do Assassino e O Assassino e o Bobo). A ideia para a trilogia surgiu num pedaço de papel que conservava numa gaveta, que dizia simplesmente “E se a magia fosse viciante?” e “E se a magia fosse destrutiva ou degenerativa?”.

Realm of the Elderlings é uma macrossérie constituída de cinco sagas interligadas. Constituída por três volumes, publicados entre 1995 e 1997, a primeira saga segue as aventuras de um assassino treinado de nome Fitz. A Saga do Assassino catapultou Robin Hobb para a fama e sucesso, mas pouco depois de completar a primeira trilogia, escreveu a trilogia The Liveship Traders, uma história náutica que começou com Ship of Magic, lançado em 1998. O segundo volume, The Mad Ship, foi publicado em 1999 pela Voyager, com um total de 400 páginas.

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The Mad Ship | Fonte: https://www.pinterest.es/pin/369858188128068428/

Ler Robin Hobb é sempre um bálsamo para a alma. Se o primeiro volume, que li em português do Brasil, foi uma experiência única, este segundo livro eleva a fasquia. The Liveship Traders é um exemplo claro do que a autora sabe fazer de melhor, criar personagens incríveis e desenvolvê-las com uma humanidade e carinho extremosos. A escrita é aquela elegância que eu não me canso de elogiar, com uma frescura da Natureza e um calor maternal que poucas autoras conseguem transmitir. A leitura de The Mad Ship foi deliciosa.

“Quem quiser ler um bom livro, Robin Hobb é um nome que nunca desilude.

O Navio Arcano (Ship of Magic) apresentou-me uma série de personagens que eu já conhecia da série Assassino e o Bobo, uma vez que li primeiro as sagas protagonizadas por Fitz antes de partir para esta, e neste volume, Hobb desconstrói-as com uma simplicidade notável. As peças começam a encaixar e tudo parece fazer sentido. As personagens, sobretudo as femininas, conhecem aqui um destaque absolutamente maravilhoso.

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Capa | Fonte: https://www.amazon.co.uk/Mad-Ship-Book-Liveship-Traders/dp/0002254794
O TEXTO SEGUINTE APRESENTA SPOILERS, NÃO DIGAS QUE NÃO TE AVISEI!

A saga foca-se na existência de navios vivos, embarcações construídas com uma madeira especial (madeira de feiticeiro na versão portuguesa, madeira arcana na versão pt-br) que, quando três gerações de marinheiros morrem, despertam com a consciência de tudo o que os três homens da família neles viveram. O navio da família Vestrit é Vivácia, que acorda quando Ephron Vestrit, o patriarca, morre. A esposa, Ronica, coloca então o barco nas mãos do genro, Kyle Haven (Porto na versão portuguesa), o esposo da filha Keffria.

Quem não gostou dessa ideia foi a outra filha, Althea, que se tornou uma notável marinheira e que tinha uma ligação muito íntima com Vivácia. Kyle nunca gostou da rapariga e então, como homem de família, afasta-a e leva o navio para o mar. No entanto, o navio precisa de ter alguém do sangue Vestrit a bordo e é aí que Kyle chama Wintrow, o seu filho que se refugiara num mosteiro, determinado a seguir uma vida de sacerdócio em nome de Sa. Não esperava, porém, que o navio fosse reclamado pelo terrível pirata Kennit.

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Em cima: Althea e Brashen; Em baixo: Etta e Kennit | Fonte: https://www.pinterest.pt/pin/826551337833689910/

A história de The Mad Ship depara-se com três núcleos diversos. Em Bingtown (Vilamonte nos livros traduzidos em português) encontramos o remanescente dos Vestrit na cidade. A família vê-se ainda a braços com a dívida que têm para com os Rain Wild (Ermos Chuvosos) que lhes haviam concedido a madeira para a construção de Vivácia, três gerações atrás, e o desaparecimento de Kyle e Wintrow não augura um futuro risonho para a família, numa altura em que os novos mercadores ganham poder em Bingtown e as intenções do velho amigo de família, Davad Restart, parecem dúbias.

São as três mulheres da família que permanecem em Bingtown quem tem de resolver as questões práticas decorrentes da frágil situação política da cidade. Ronica continua a revelar-se uma mulher poderosa e arguta; Keffria surpreende pela coragem e pelas decisões tomadas na ponta final do livro; e Malta… é a grande surpresa do livro. Quem já leu as histórias de Fitz sabe quem são Malta e Reyn, mas quem lê O Navio Arcano dificilmente conseguirá ver algo daquela mulher exótica na criancinha mimada e narcisista que ali nos é apresentada. Há ainda o filho mais novo de Keffria e Kyle, Selden, que poderá ter importância futura.

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Fonte: https://www.pinterest.pt/pin/61220876157559801/

Malta Vestrit tem um desenvolvimento incrível neste livro. Ela passa de uma menina mimada a uma mulher com tato e senso político, e apesar de continuar a nutrir um amor cego pelo pai, desculpando-lhe todas as suas crueldades, acaba por se revelar muito mais que essa figura melindrada e mesquinha que parecera no primeiro livro, determinada em fazer inveja às amigas. Em The Mad Ship, Malta sacrifica-se em nome da família, de forma a pagar a dívida com os Rain Wild. Apesar de não ser um sacrifício totalmente altruísta, uma vez que o seu coração dispara sempre que vê Reyn Khuprus, ela sente mais amor pela sua liberdade; liberdade que está disposta a sacrificar.

Althea regressa a Bingtown no meio da confusão, depois de uma temporada a bordo de Ophelia, um navio vivo comandado por Grag Tenira. Tenira pertence a uma família de grande importância na cidade e deseja Althea para si, mas o coração dela pertence a Brashen Trell. Por muito que veja Tenira como um homem bonito e um bom partido, os seus extremos cuidados e pouca química fazem com que a ideia lhe seja puramente repulsiva. Brashen não tem jeito, é rude e não tem onde cair morto, mas é da centelha das suas discussões e da energia que passam um para o outro que fermentam os seus sentimentos.

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Fonte: https://forum.malazanempire.com/topic/28420-puck-ats-playground/page__st__60

O regresso à cidade traz também o reencontro com Brashen e a revelação de que Vivácia foi capturada por piratas. Se ela já regressara a Bingtown para recuperar o navio, então é claro que a descoberta do que aconteceu a impele a partir para o mar em busca de Vivácia. Apenas falta um pormenor – não tem dinheiro nem um navio para empreender essa jornada. É aí que entra Amber, a lojista, que tem passado os últimos tempos a cuidar de um navio ancorado no porto, Paragon. Trata-se de um navio louco, que sofre por não ter os cuidados da sua família, e vive num impasse por uma possível venda. Paragon é o Mad Ship do título e será o navio vivo onde Althea, Brashen e companhia se lançarão ao mar na peugada de Vivácia.

Quem já leu as sagas seguintes de Fitz sabe quem é Amber e esta personagem é por demais fascinante, independentemente dos livros em que apareça. Neste livro, vemos esta personagem a desempenhar um papel muito importante nas negociações entre os mercadores, e posteriormente, nos cuidados com Paragon, tanto a nível do seu psicológico, pois tenta encetar com ele conversas que acalmem a sua loucura, como a nível físico quando, a seu pedido, e mesmo sem perceber muito sobre a madeira de feiticeiro, Amber acede a mudar a aparência da sua figura de proa. Amber é acompanhada por Jek, uma segurança vinda… dos Seis Ducados.

Em Vivácia, Kyle é feito prisioneiro pelo pirata Kennit, mas por sua vez Wintrow ganha cada vez mais a confiança do pirata, principalmente desde que consegue cortar a perna ao pirata e mantê-lo vivo. Também Vivácia fica cada vez mais ligada ao pirata e, apesar de Kennit ser inegavelmente um grande vilão, revela também cada vez mais traços de humanidade. Ainda assim, a sua generosidade para com os povos com que contacta não é mais do que um artifício para garantir a sua gratidão, uma vez que se pretende transformar num rei entre os piratas.

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Kennit e Wintrow | Fonte: https://www.tumblr.com/tagged/kennit

O relacionamento entre Kennit e Wintrow é muito bem desenvolvido ao longo do livro, mas há mais personagens nesse núcleo que merecem destaque. Sorcor perde importância neste livro, uma vez que ele comanda o navio Marietta, mas Etta ganha muito mais protagonismo. A prostituta continua apaixonada e fiel ao pirata, de tal forma que se mantém muitas vezes cega em relação às suas intenções. Gostei do desenvolvimento da sua relação com Wintrow e ainda espero que ela comece a olhar de outra forma para o rapaz.

The Mad Ship apresenta-nos também parte das intrigas palacianas na Jamaília através do ponto de vista de Serilla, uma das chamadas “companheiras do coração” do jovem e intragável sátrapa Cosgo. Continuamos também a acompanhar a migração das serpentes do mar e os segredos das serpentes, dos navios vivos e dos dragões começam a revelar as suas pontas. São vários os detalhes e os cruzamentos com as histórias de FitzCavalaria Visionário e as referências são deliciosas. Quem quiser ler um bom livro, Robin Hobb é um nome que nunca desilude.

Avaliação: 9/10

O Reino dos Antigos:

Saga do Assassino (Saída de Emergência):

#1 Aprendiz de Assassino

#2 O Punhal do Assassino

#3 A Corte dos Traidores

#4 A Vingança do Assassino

#5 A Demanda do Visionário

Saga Os Mercadores de Navios Vivos (Leya / Voyager):

#1 O Navio Arcano

#2 The Mad Ship

Saga O Regresso do Assassino (Saída de Emergência):

#1 O Regresso do Assassino

#2 Os Dilemas do Assassino

#3 Sangue do Assassino

#4 A Jornada do Assassino

#5 Os Dragões do Assassino

Saga Assassino e o Bobo (Saída de Emergência):

#1 O Assassino do Bobo

#2 A Revelação do Bobo

#3 A Demanda do Bobo

#4 A Viagem do Assassino

#5 O Destino do Assassino

2 comentários em “Estive a Ler: The Mad Ship, The Liveship Traders #2

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