Estive a Ler: A Ordem Mágica


A bilheteira de hoje foi bem porreira, sr. Moonstone.

O TEXTO SEGUINTE ABORDA O LIVRO A ORDEM MÁGICA (FORMATO BD)

Mark Millar já entrou várias vezes para a lista de best-sellers do New York Times com livros seus, sendo o argumentista de WantedKick-AssKingsman: Serviço Secreto, O Legado de Júpiter e o Círculo de JúpiterNémesis, StarlightImperatrizRenascidos e Huck. Muitos desses livros foram já adaptados ao grande ecrã, como WantedKick-AssKick-Ass 2 e Kingsman: Serviço Secreto. Todas as outras bandas desenhadas criadas por si estão neste momento em filmagens, desenvolvimento ou produção, para serem transformados em séries de TV ou em filmes, nos mais importantes estúdios atuais, em particular desde que a Netflix adquiriu a MILLARWORLD e iniciou o processo de desenvolvimento das suas propriedades intelectuais.

A seu lado neste The Magic Order: A Ordem Mágica está Olivier Coipel, artista de banda desenhada francês que se estreou na série Legion of Super-Heroes na DC Comics. Daí, passou para a Marvel, para quem tem trabalhado desde então. Já trabalhou em várias séries dos Vingadores com Geoff Johns, bem como no crossover Vingadores vs. X-Men, ou em Dinastia de M com Brian Michael Bendis. A Ordem Mágica, publicada este ano pela G Floy Studio em Portugal, inclui 176 páginas a cores, os seis números da primeira publicação de uma banda desenhada por parte da Netflix.

Fonte: G Floy Studio

A Ordem Mágica foi publicada originalmente entre junho de 2018 e janeiro de 2019, sendo efetivamente a primeira BD original da Netflix, estando a ser planeada a sua adaptação televisiva. É vista como uma mistura de Harry Potter e Os Sopranos, por misturar varinhas mágicas com um tom negro e decadente de tensão familiar. Não adorei a BD, mas gostei o suficiente para lhe dar uma nota bem positiva, até porque há um trabalho de “bastidores” digno de nota. O argumento é bem dark e adulto, numa espécie de fantasia urbana bem orquestrada.

De tudo, aquilo que mais adorei mesmo foi ver varinhas apontadas e cabeças a explodir, para além da cena macabra e arrepiante com que o álbum se inicia.

Há também um bom trabalho na arte. O colorista Dave Stewart, com provas mais do que dadas, é uma adição importante à equipa de Olivier Coipel, de quem sinceramente não conhecia o trabalho. Nota-se que está habituado a trabalhar para a Marvel, porque a sua arte é muito característica e nota-se uma larga experiência no retrato de expressões e de grandes planos, preferencialmente escuros.

Fonte: G Floy Studio

A premissa do livro é bem interessante. Ele mostra-nos porque nunca antes vimos um fantasma. Mostra-nos que vivem entre nós de forma discreta, durante o dia, como se fossem qualquer pessoa. Talvez até conheçamos alguns. Mas, à noite, eles juntam-se para nos proteger das forças malignas. O livro apresenta-nos uma família de feiticeiros em que cada um tem a sua capacidade específica, pertencendo a uma ordem de feitiçaria que se apresenta de gabardina, chapéu de coco e… varinha mágica.

As coisas começam a correr realmente mal quando alguém tenta roubar um livro de feitiços, que esconde segredos bem terríveis que podem ser usados para a magia negra. Para além da Ordem, há um outro grupo encabeçado por Madame Albany, que começa a matar os membros da ordem um a um. Personagens como Cordelia, Gabriel ou Regan mostram um carisma irrevogável, que merecia um maior desenvolvimento e mais história para lhes ser feita justiça.

Fonte: G Floy Studio

Tratando-se de um álbum bem competente, acabou por não trazer grande originalidade para quem já está acostumado ao trabalho de Millar. Vale sobretudo pelo tom decadente, pelas personagens marcantes e pela arte de Coipel. O artista francês foi uma grande mais-valia neste trabalho, não tendo desiludido em nenhum momento. A expressividade do artista ganha bastante com o trabalho de cores, mas por si só é um casamento bem agradável com o argumento soturno de Millar.

De tudo, aquilo que mais adorei mesmo foi ver varinhas apontadas e cabeças a explodir, para além da cena macabra e arrepiante com que o álbum se inicia. É um livro que peca um pouco pela escassez; talvez se justificasse mais um volume para ver um maior desenvolvimento da história. Ainda assim, trata-se de um dos melhores trabalhos de Millar nos últimos tempos, ao trazer uns toques vitorianos e de Harry Potter ao seu vasto leque de obras, sem deixar de ser um livro manifestamente adulto e agradável.

Avaliação: 8/10

2 comentários em “Estive a Ler: A Ordem Mágica

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