Estive a Ler: História Universal da Infâmia


A um sedimento de esperanças irracionais e medos africanos tinham junto as palavras da Escritura: a sua fé, por conseguinte, era a de Cristo.

O TEXTO SEGUINTE ABORDA O LIVRO HISTÓRIA UNIVERSAL DA INFÂMIA

Um dos autores mais importantes do último século, o autor argentino Jorge Luís Borges é considerado um dos grandes escritores que nunca receberam o Prémio Nobel. A sua obra repartir-se-ia pela poesia, novela e ensaio. A partir de 1925 inaugurou o que viria a chamar-se de conto-ensaio, breves excertos concebidos a partir da sua extraordinária capacidade de leitura, e que desenvolvem uma reflexão precisa sobre textos ou trechos celebrizados por outros escritores.

Tendo sido neto de marinheiros portugueses, Borges traçou desde cedo o seu percurso, acompanhado de perto pelas obras de grandes nomes da literatura. Viria a cegar aos 55 anos, uma doença de família, e faleceria em Genebra em 1986, de cancro hepático. História Universal da Infâmia foi publicado em Portugal pela Quetzal Editores em 2015, com tradução de José Bento e um total de 104 páginas.

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O autor argentino | Fonte: https://blog.estantevirtual.com.br/2018/06/14/7-livros-marcantes-de-jorge-luis-borges/

Nunca antes tinha lido Jorge Luís Borges, apesar de já muito ter ouvido falar sobre este autor argentino. História Universal da Infâmia é uma colectânea a que o autor chamou de exercícios de prosa narrativa, buscando resumir em poucas páginas a história de vários “vilões” da História, sempre carregado de uma simplicidade e de entrega que se ficam pelo “contar da história”, sem mais instrumentos que pudessem tornar a leitura mais vívida.

“História Universal da Infâmia é um livro repleto de apontamentos interessantes, que não me entusiasmou mas que não me faz fechar a porta ao escritor.

É, no entanto, uma leitura proveitosa e em alguns momentos até intimista, apesar do tom enciclopédico do livro. São várias as personagens que ele nos apresenta, e que, se fossem apresentadas de uma forma mais romanceada, talvez mesmo se tornassem perenes na memória. É uma obra que podia ser muita coisa e que não foi, pela forma concisa e direta com que foi apresentada, muito embora penso tratar-se do mais romanceado que se pode encontrar na prosa de Borges.

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Capa da Quetzal | Fonte: https://www.quetzaleditores.pt/produtos/ficha/historia-universal-da-infamia/16070586

O livro começa com o “homem sem rosto” Lazarus Morel, um infame que roubava aos negros e os matava junto ao Mississipi, revelando traços de falsa comiseração. Seguiu-se a história de Tom Castro, “o impostor inverosímil” que, filho de um carniceiro, cresceu na podridão londrina e desde novo com o mal na ideia, acabou por se envolver numa confusão relativa à sua própria identidade.

Seguiu-se a história da viúva Ching, a que mais gostei em todo o livro. Tratava-se de uma mulher que, depois de ver o marido morrer envenenado, se lançou numa vida de pirata em alto-mar. Um gangster foi o “artista que se seguiu”. Monk Eastman era um mercenário de bom gosto, principalmente pelo dinheiro, batizado pelo autor como o “provedor de iniquidade”.

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Ethan Hawke no filme Billy The Kid, a Lenda | Fonte:  https://visao.sapo.pt/visaose7e/ver/2019-05-26-Billy-the-Kid-a-Lenda-Um-western-imberbe/

Mais famoso foi Billy The Kid, nascido Bill Harrigan, outra das melhores histórias deste livro. Kotsuké no Suké era um mestre de cerimónias bem velhaco da Torre de Ako, mas não era melhor que o tintureiro mascarado Hákim de Merv, nem o homem da esquina rosada, as últimas histórias de trastes da História que Jorge Luís Borges nos oferece nesta pequena obra repleta de curiosidades.

O livro termina com um epílogo repleto de fragmentos a que o autor batizou Etcetera, que vem trazer uma dimensão de puzzle a este livro e se coloca a si mesmo como um dos vilões, ao trazer a verdade das suas existências ao conhecimento do leitor. História Universal da Infâmia é um livro repleto de apontamentos interessantes, que não me entusiasmou mas que não me faz fechar a porta ao escritor.

Avaliação: 6/10

3 comentários em “Estive a Ler: História Universal da Infâmia

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