Estive a Ler: Sete Para a Eternidade #1


Quando uma fera cheira sangue, não consegue resistir a ir procurar uma presa fraca.

O TEXTO SEGUINTE ABORDA O LIVRO UM DA SÉRIE SETE PARA A ETERNIDADE (FORMATO BD)

Sete Para a Eternidade é a tradução portuguesa de Seven for Eternity, de Rick Remender, Jerome Opeña e James Harren. Pelas mãos da G Floy, a série chega-nos em dois volumes, compreendendo este livro os primeiros nove números originais. Remender é o argumentista e cocriador de bandas desenhadas como LOW, Fear Agent, Deadly Class, Tokyo Ghost ou Black Science. Para a Marvel Comics escreveu títulos como Vingadores-X, Capitão América, Venom e Uncanny X-Force, tendo também escrito para videojogos como Bulletstorm e Dead Space, e trabalhado em filmes de animação como O Gigante de Ferro, Anastasia e Titan A. E. – Depois da Destruição da Terra.

O ilustrador Jerome Opeña começou na revista Métal Hurlant da Humanoides Publishing e continuou com Fear Agent, a sua primeira colaboração com Rick Remender. Os dois voltaram a trabalhar juntos em séries como Punisher, Avengers e Uncanny X- Force. James Harren, que desenha os números #7 a #8 de Sete para a Eternidade, o que permitiu a Opeña cumprir outras obrigações, tem também ele um longo currículo nos comics, com inúmeros títulos assinados para a DC e para a Marvel, e é conhecido também pela sua série Rumble, com argumento de John Arcudi. Sete Para a Eternidade conta ainda com as cores de Matt Hollingsworth.

Fonte: G Floy

Nunca tinha lido nada de Rick Remender e acabei por ficar bem impressionado. Tinha ouvido elogios a Uncanny X-Force, onde Remender já tinha cooperado com Jerome Opeña, mas esta história acabou por, neste momento, me ser mais apetecível do que um volume de X-Men. Neste álbum dei de caras com uma narrativa complexa e bastante original, do argumento sólido e com cheiro a western, personagens ricas e pouco confiáveis, a uma fauna e ecossistema bem interessantes, a beirar as espécies bizarras que franquias como Star Wars nos têm oferecido. O casamento entre a arte e o argumento coadunam-se, embora não tenha adorado o estilo artístico que aqui é apresentado.

Não deixa de ser, apesar das reflexões importantes, um álbum cheio de ritmo e de acontecimentos, que se revelou – para mim – uma ótima porta de entrada para o trabalho de Rick Remender.

Ainda assim, é aquilo que o traço revela, mais do que o estilo, que me importa sublinhar, e o conteúdo agradou-me bastante. Dos pormenores inusitados às paisagens recônditas, cada personagem trouxe-me novidades e essa inovação, tanto na ilustração de personagens como na construção moral das mesmas, revelou-se bem agradável. Vários temas fracturantes da sociedade são debatidos nas entrelinhas da narrativa, como o racismo e a xenofobia, que não se abstêm de se tornar questões principais ao longo de cada capítulo desta obra singular.

Fonte: G Floy Studio

Sete Para a Eternidade apresenta-nos Adam Osidis, um cavaleiro amaldiçoado pela vida, que tenta sobreviver à terrível ruína em que a sua família o deixou. Com a própria vida em risco, Osidis é obrigado a escolher entre juntar-se a uma trupe de mercenários e guerreiros mágicos que têm a intenção de destruir o maléfico Deus dos Sussurros, e aceitar um acordo com o mesmo, que lhe promete dar tudo o que pretende se se juntar à sua causa. Ao dilema moral juntam-se as suas próprias dúvidas e receios.

Com uma aparência de western, onde as personagens usam e abusam da magia, utilizando lanças mágicas, espadas e até armas de fogo, a história apresenta-nos um grupo heterogéneo e pouco inspirador que habita um mundo no qual raros homens chamam a si um pouco de honra, e menos ainda têm liberdade a que possam chamar de sua, aceitando ser subjugados pelo medo. Dividido entre o melhor para o mundo e o melhor para si mesmo, Adam Osidis percorre as terras de Zhal, onde os súbditos do Deus dos Sussurros agem à sua vontade.

Fonte: G Floy Studio

A dicotomia entre o bem e o mal é ponto assente nesta obra de feridas e desapego mascarada de fantasia, mas ao mesmo tempo os papéis não são tão preto no branco como podem parecer à partida. Nas questões relacionadas com a família, Osidis sofre com o passado na relação com o progenitor, bem como deposita esperanças no futuro, onde a filha parece desempenhar um papel. Mas também o terrível deus mostra ter uma personalidade complexa e repleta de detalhes interessantes.

Sete Para a Eternidade chega ao leitor como um jogo de interações muito satisfatórias, onde nos leva a conhecer a pouco e pouco pormenores surpreendentes sobre as personagens capitais do livro, seja no diálogo do protagonista com o espírito do pai, seja nas entradas do seu diário, seja na nova relação com o grupo e com o deus. Não deixa de ser, apesar das reflexões importantes, um álbum cheio de ritmo e de acontecimentos, que se revelou – para mim – uma ótima porta de entrada para o trabalho de Rick Remender.

Avaliação: 9/10

Sete Para a Eternidade (G Floy Studio):

#1 Livro Um

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