Estive a Ler: Ship of Destiny, The Liveship Traders #3


When you fear to fail, you fear something that has not happened yet. You predict your own failure, and by inaction, lock yourself into it.

O TEXTO SEGUINTE ABORDA O LIVRO “SHIP OF DESTINY”, TERCEIRO VOLUME DA SÉRIE THE LIVESHIP TRADERS

Que conclusão! Realm of the Elderlings é uma macrossérie constituída de cinco sagas interligadas. Constituída por três volumes, publicados entre 1995 e 1997, a primeira saga segue as aventuras de um assassino treinado de nome Fitz. A Saga do Assassino catapultou Robin Hobb para a fama e sucesso, mas pouco depois de completar a primeira trilogia, escreveu a trilogia The Liveship Traders, uma história náutica que começou com Ship of Magic, lançado em 1998. O terceiro volume, Ship of Destiny, foi publicado no ano 2000 pela Voyager, com um total de 592 páginas.

Margaret Astrid Lindholm Ogden, mais conhecida pelo pseudónimo Robin Hobb, é uma escritora de ficção, principalmente de fantasia, embora ela tenha publicado alguns livros de ficção científica. A série de fantasia mais popular de Hobb é A Saga do Assassino, publicada em Portugal pela Saída de Emergência (bem como as séries O Regresso do Assassino e O Assassino e o Bobo). A ideia para a trilogia surgiu num pedaço de papel que conservava numa gaveta, que dizia simplesmente “E se a magia fosse viciante?” e “E se a magia fosse destrutiva ou degenerativa?”.

Daario Naharis Vs Champion Of Meereen Scene | Game Of Thrones 4x03 ...

Ship of Destiny é uma conclusão mais do que digna para a trilogia The Liveship Traders de Robin Hobb. Não sendo superior aos livros antecedentes (normalmente o subterfúgio a muita magia para concluir séries verosímeis não me enche as medidas) acaba por ser uma conclusão bem trabalhada e fechada, digna dos meus maiores elogios. É um livro bem grande, que não tive problema em devorar. Os livros de Robin Hobb são assim mesmo. A dor chega quando os terminamos.

Não foi um livro nem um final perfeito, mas foi uma trilogia bem executada que será difícil esquecer.

A complexidade destas personagens é a maior qualidade de Robin Hobb. Elas são extremamente humanas e credíveis, têm sentimentos, dilemas, vivem nas zonas cinzentas da realidade, e não nos tradicionais preto e branco com que a literatura tão amiúde nos apresenta. Hobb constrói uma fantasia cheia de magia e, ainda assim, consegue fazer-nos acreditar nela como se fossem eventos verdadeiros. O Reino dos Antigos é assim.

A par da riqueza destas personagens, Hobb tem ainda histórias dramáticas e percursos nada lineares que nem sempre são fáceis de percepcionar. O trajecto dos protagonistas é sempre espinhoso e cheio de reveses, mas os momentos de nos encher o coração com a tão aclamada justiça justificam os meios e vêm tornar enorme e incrível a obra desta senhora. A cada nova história, eu só me pergunto onde mais a autora me pode surpreender.

A escrita é outra das suas grandes virtudes; é um quesito que eu me abstenho de comentar por muito tempo, porque a minha apreciação para com a sua fluidez narrativa e elegância escrita está já vincada em muitas das minhas recensões aos seus livros. Robin Hobb é uma das minhas referências literárias por algum motivo, e a minha autora feminina de eleição. Lê-la é testemunhar a experiência de uma mulher com toda uma vida nos seus ombros.

Fonte: https://forum.malazanempire.com/topic/28420-puck-ats-playground/page__st__60

No que diz respeito a este Ship of Destiny, encontramos as personagens no mesmo ponto onde as tínhamos deixado no final do livro anterior. Aqui, tem atenção aos SPOILERS, se não leste os livros anteriores. Bingtown (Vilamonte nas versões pt-pt e pt-br da saga) está envolvida num caos, parcialmente destruída depois do atentado que vitimou Davad Restart e levou a família Vestrit à ruína. Ronica, a matriarca, tenta participar na gestão do destroço em que se transformou a cidade de mercadores, com a sombra de Serilla, a companheira do sátrapa, nos calcanhares, e a ameaça dos saqueadores calcedeanos.

Em Trehaug, um terramoto fez Malta acorrer ao chamamento de um dragão, mas a jovem Vestrit acaba por desaparecer nas ruínas da cidade ao lado do soberbo e efeminado sátrapa Cosgo, e ambos, bem como a companheira Kekki, são dados como mortos. Tanto a mãe como o irmão da jovem, Keffria e Selden, mal podem acreditar no que aconteceu, assim como Reyn Khuprus, o interesse amoroso da jovem. Jani, a sua mãe, participa da tentativa de reerguer da cidade após o sismo, mas é a chegada de um dragão que irá virar do avesso os destinos de todos – a poderosa Tintaglia.

A bordo do navio louco Paragon, Althea Vestrit luta ardentemente por recuperar o seu navio vivo da família, Vivácia, que havia sido capturado por piratas. A seu lado está o capitão Brashen Trell, por quem vive uma relação de amor mal resolvida, mas também a lojista Amber, a sua protetora Jek e uma mancheia de outros leais marinheiros e subordinados. A travessia não será fácil, uma vez que o próprio navio que navegam esconde os seus segredos.

A bordo de Vivácia, o rei dos piratas Kennit continua a viver segundo os seus princípios, admirado por muitos. Um pirata que liberta escravos não é muito comum, mas este Kennit tem a sua agenda própria e romper qualquer regra está na sua frente de objectivos. A dedicação de Etta é nota dominante ao longo do livro, uma vez que ela o ama, bem como a de Wintrow, o menino sacerdote que ele transformou num homem.

Até mesmo os navios são apaixonados por este homem, numa franca demonstração por parte da autora de como alguns homens vis podem conquistar facilmente a afeição do “mundo”, basta que nele vejam um futuro melhor do que aquele que conheciam antes; basta que nele vejam algumas virtudes, e um dom de oratória que consiga disfarçar as intenções menos benignas. Também Vivácia é vítima deste homem, que com a chegada das serpentes transforma o navio em Bolt.

Os diálogos são, nomeadamente neste livro, a sua grande mais valia. Destaco os que foram desenvolvidos por Paragon e Amber, bem como por Reyn e Tintaglia. Tanto o navio como o dragão conseguiram trazer mensagens importantíssimas sobre a importância da vida e da morte, sobre a pequenez dos homens e da excessiva importância que damos a nós mesmos. Os dragões são uma peça capital na obra de Robin Hobb, e neste livro eles tiveram pela primeira vez voz, para que percebêssemos como eles são e como eles procedem (adorei que eles não admitam estupros!).

Mas os melhores momentos do livro não se ficam por aqui. Foi ótimo ver a evolução de Malta e Keffria, que mostraram francamente que as mulheres Vestrit são todas verdadeiramente impressionantes, não só Ronica e Althea. Gostava de ter visto mais de Serilla, mas o seu percurso ficou meio estagnado com a chegada a Bingtown e revelou-se ali importante. Malta é mesmo a personagem que mais me surpreendeu ao longo desta trilogia, e que chegou enfim à pessoa que vimos Fitz conhecer nas suas trilogias.

Faltou um final mais impactante para Kennit, que acabou por ser o eixo central de toda a trilogia. É uma personagem difícil de lidar, que se tornou o que se tornou por aquilo que viveu no passado. Um vilão de quem é possível obter compaixão, e por quem grande parte das personagens se viu apaixonada (Etta, tive vontade de arrancar esse homem da cabeça dela à dentada :D). Faltou um último encontro entre Kennit e Wintrow, mas adorei a sua relação com Paragon e a conclusão da trilogia.

Este livro final de The Liveship Traders traz também várias revelações sobre o mundo dos Antigos e é importante para que se compreenda os livros seguintes de Fitz com mais facilidade (ainda que não sejam necessário, é uma boa ajuda). Traz também novas revelações sobre Amber e torna-se mais fácil perceber quem é esta personagem maravilhosa. Não foi um livro nem um final perfeito, mas foi uma trilogia bem executada que será difícil esquecer.

Avaliação: 9/10

O Reino dos Antigos:

Saga do Assassino (Saída de Emergência):

#1 Aprendiz de Assassino

#2 O Punhal do Assassino

#3 A Corte dos Traidores

#4 A Vingança do Assassino

#5 A Demanda do Visionário

Saga Os Mercadores de Navios Vivos (Leya / Voyager):

#1 O Navio Arcano

#2 The Mad Ship

#3 Ship of Destiny

Saga O Regresso do Assassino (Saída de Emergência):

#1 O Regresso do Assassino

#2 Os Dilemas do Assassino

#3 Sangue do Assassino

#4 A Jornada do Assassino

#5 Os Dragões do Assassino

Saga Assassino e o Bobo (Saída de Emergência):

#1 O Assassino do Bobo

#2 A Revelação do Bobo

#3 A Demanda do Bobo

#4 A Viagem do Assassino

#5 O Destino do Assassino

Comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto:
search previous next tag category expand menu location phone mail time cart zoom edit close