Estive a Ler: Cemitério de Pianos


Ele próprio ficou parado, como se visse as suas palavras e procurasse entendê-las. Luz infinita e incandescente.

O TEXTO SEGUINTE ABORDA O LIVRO CEMITÉRIO DE PIANOS

Natural de Galveias, José Luís Peixoto é um dos autores de maior destaque da literatura portuguesa contemporânea. A sua obra ficcional e poética figura em dezenas de antologias, traduzidas num vasto número de idiomas, e é estudada em diversas universidades nacionais e estrangeiras. Em 2001, acompanhando um imenso reconhecimento da crítica e do público, foi atribuído o Prémio Literário José Saramago ao romance Nenhum Olhar. Em 2007, Cemitério de Pianos recebeu o Prémio Cálamo Otra Mirada, destinado ao melhor romance estrangeiro publicado em Espanha.

Com Livro, venceu o Prémio Libro d’Europa, atribuído em Itália ao melhor romance europeu publicado no ano anterior, e em 2016 recebeu, no Brasil, o Prémio Oceanos com Galveias. Na poesia, o livro Gaveta de Papéis recebeu o Prémio Daniel Faria e A Criança em Ruínas recebeu o Prémio da Sociedade Portuguesa de Autores. Em 2012, publicou Dentro do Segredo, Uma viagem na Coreia do Norte, a sua primeira incursão na literatura de viagens. Cemitério de Pianos foi publicado pela Quetzal Editores com um total de 288 páginas.

Cemitério de Pianos é o quarto romance de José Luís Peixoto, lançado em Portugal em outubro de 2007. É baseado na história real do atleta Francisco Lázaro, apesar de vários pormenores relacionados com a sua família e história serem ficcionados, tratando-se pois de uma inspiração livre. O livro é protagonizado por dois Franciscos, em tempos distintos e por vezes sobrepostos, que contam a história da família e da ocupação de reparar pianos que foi dela herdada.

Cemitério de Pianos é um livro singular e possui uma história bonita, mas não me conseguiu empolgar.

Lázaro foi um maratonista português que obteve a sua primeira vitória em 1908, na dita Maratona Portuguesa, uma corrida de 24 km. No ano de 1909 não competiu, devido a problemas de saúde, mas no ano seguinte viria a vencer a primeira verdadeira maratona realizada em Portugal numa distância próxima da olímpica (42,8 km), com 2 horas, 57 minutos e 35 segundos, tendo o 2.º classificado ficado a cerca de 15 minutos. Em 1911, Lázaro voltaria a triunfar, desta vez com o tempo de 3 horas, 9 minutos e 57 segundos, conquistando então grande notoriedade.

A história do atleta diz-nos que, no ano seguinte, voltou a vencer em Lisboa com 2 horas, 52 minutos e 08 segundos um percurso de 42,2 km cheio de obstáculos. Uma vez que, quatro anos antes, em Londres, o vencedor olímpico havia feito aproximadamente 2 horas e 55 minutos, a esperança de um desempenho vitorioso de Lázaro em Estocolmo era vasta. A sua participação nos Jogos Olímpicos de Estocolomo em 1912, porém, ficou marcada pelo seu falecimento, depois de desfalecer ao quilómetro 29, na colina de Öfver-Järva, tendo vindo a morrer no hospital horas depois, naquela que foi a primeira morte de um atleta durante os Jogos Olímpicos.

O livro fala em parte da sua história, não sendo totalmente fidedigno mas tendo na vida de Lázaro uma franca inspiração. Fala muito de morte e trata-a como um símbolo de mudança, de renovação, o forjar de um anel que liga as várias gerações e a continuação de um legado. Um ciclo que se repete constantemente e que traz várias coincidências relacionadas com a morte e o nascimento e o que a saída de cena de um traz à chegada do outro. Uma família cheia de amor e de sonhos, natural de Benfica, que protagoniza este romance.

De forma metafórica, o autor oferece a oficina chamada de Cemitério de Pianos como um exemplo desse ciclo da vida, porque peças de pianos que se revelam obsoletos vêm a dar vida a novos pianos ou substituindo as lacunas de outros. É através desta ideia que os dois narradores – pai e filho – dão a conhecer a sua família, os seus sonhos e as suas vivências que, tão bonitas como inspiradoras, criam uma imagem de tragédia inevitável mas também de esperança. O fim é apenas o início de algo mais e é essa a principal mensagem do romance.

Nunca tinha lido nada de José Luís Peixoto e confesso que não fiquei impressionado com a sua escrita. Trazendo dois pontos de vista interessantes e uma história de família terna e esperançosa, que pode muito bem ser a história de qualquer um de nós, porque todos temos uma família e cada família a sua história, é uma leitura cheia de mensagens e de pequenos detalhes que fazem das histórias, grandes histórias. Temo, porém, ter desmoralizado logo de início e não fui capaz de encontrar apreço pelo romance. Cemitério de Pianos é um livro singular e possui uma história bonita, mas não me conseguiu empolgar.

Avaliação: 4/10

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