Estive a Ler: O Exorcista


A respiração era regular. Pesada. Profunda.

O TEXTO SEGUINTE ABORDA O LIVRO O EXORCISTA

William Peter Blatty nasceu em Nova Iorque e formou-se na universidade de Georgetown. Teve inúmeras profissões, desde vendedor de aspiradores Electrolux a condutor de camiões de transporte de cerveja. Ingressou na força aérea norte-americana, onde encabeçou a vertente política da divisão de guerra psicológica e mais tarde esteve no Líbano como elemento da US Information Agency. De regresso aos Estados Unidos, em 1960, publicou o seu primeiro livro Which Way to Mecca, Jack?, um relato humorístico dos seus tempos no Líbano.

Depois de uma década dedicado à escrita de guiões e de comédias, Blatty volta a enveredar pela escrita de livros e reza a lenda que se retirou para um chalé, na região remota de Lake Tahoe, onde escreveu O Exorcista, publicado em 1971. Esta obra marcou a sua carreira, tendo vindo mais tarde a transformá-la no guião do que seria um dos mais famosos filmes de terror de sempre, protagonizado por Linda Blair e Ellen Burstyn. O Exorcista foi traduzido em Portugal pelas Edições Gailivro com um total de 344 páginas.

William Peter Blatty é um nome grande da literatura de horror, mas nunca sequer tinha ouvido falar dele, muito menos sabia que era o autor desta obra que ficou celebrizada nos cinemas, apesar de o livro ter figurado por cinquenta e sete semanas no top de vendas do New York Times, dezassete das quais no primeiro lugar. Um feito que mostra bem a força desta história e o impacto fortíssimo que deixou no público.

O Exorcista é um livro em simultâneo simples e bem executado, que me ficará gravado na memória pelas melhores razões.

Apesar de já ter visto vários trechos, O Exorcista foi um filme que nunca consegui ver de uma ponta à outra porque sempre tive sérios problemas com filmes de terror espírita, mas no que diz respeito a leituras, a minha disponibilidade é diferente. E não podia ter ficado mais satisfeito com aquilo que li. O Exorcista é um livro brilhante e bem desenvolvido, com cenas extremamente desconfortáveis e ao mesmo tempo agradáveis de ver descritas.

Através da perspectiva de várias personagens, o autor dá a conhecer pormenores sobre a temática do exorcismo e do lado negro da religião, mas também muito da medicina e da forma como foi vista e tratada ao longo dos tempos. A escrita do autor é bem fluída e revela grande maturidade, não só a nível de conhecimentos como da própria escrita. A sua capacidade de nos fazer embrenhar na história é notória, deixando várias portas em aberto e tornando a trama a todo o momento imprevisível.

É impossível ficar indiferente à fase inicial do livro, quando tanto os sons como os comportamentos da menina se revelam incómodos, mas à medida que a leitura fluiu e tantas personagens testemunharam o ocorrido, acabei por normalizar a situação e me divertir com os comportamentos de certa forma hilariantes da possuída. Não deixa, porém, de ter os seus contornos e deixar inquieto o leitor em determinados momentos. Afinal, estamos a falar de um livro de terror.

AQUI ENCONTRAS MINOR SPOILERS DO LIVRO. NÃO DIGAS QUE NÃO TE AVISEI.

A história centra-se em Regan, a filha de doze anos de Chris MacNeil, uma ocupada actriz que reside em Washington D.C. A celebridade começa a ficar preocupada com a filha, uma vez que a menina começa a ter convulsões e a demonstrar poderes sobrenaturais como levitação e força de braços impossível. Regan também começa a blasfemar e a soltar palavrões, algo incomum no comportamento padrão da jovem.

Chris começa por julgar que essas mudanças se devem ao divórcio dos pais e à entrada na puberdade, mas os médicos suspeitam de algo mais grave e a menina é submetida a uma bateria de exames médicos nada agradáveis, que nada acusam de especial. E quando um amigo de Chris, Burke Dennings, aparece morto, a atriz sente-se determinada em provar que a filha está possuída por um demónio, uma vez que a alternativa – a filha ser de facto uma assassina – lhe seria mais dolorosa.

É um livro repleto de leituras, em que nos vimos colocados na pele de uma mãe que precisa de lidar com os supostos traumas e perturbações da filha, na pele de Damien Karras, um padre jesuíta que também é médico e tenta a todo o custo encontrar justificações lógicas para o sucedido para se escudar às implicações terríveis de lidar com um demónio, mas também vemos através dos olhos de uma professora, de um polícia ou de um exorcista, o lendário Lankester Merrin, todas personagens fulcrais para o sucesso do livro.

Não amei o final, apesar de ser bastante impactante e até ligeiramente surpreendente para as minhas expectativas, mas isso não ofusca o brilhantismo da obra e a forma como ela me chegou, fazendo-me divertir e recear ao mesmo tempo, mas também procurar explicações para as questões que eram levantadas. O Exorcista é um livro em simultâneo simples e bem executado, que me ficará gravado na memória pelas melhores razões. 

Avaliação: 9/10

5 comentários em “Estive a Ler: O Exorcista

  1. Viva,

    Penso ter este livro algures perdido lá nas estantes e se o comprei teve muito por o filme me ter marcado bastante, mas a ver se o encontro e quem sabe o leia 🙂

    Abraço e tudo a correr bem

    Fiacha

    1. Penso que a história é igual ao filme, mas nunca consegui vê-lo 😀

      Grande abraço amigo.

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