Estive a Ler: A Torre dos Anjos + O Telescópio de Âmbar, Mundos Paralelos #2 e #3


O seu génio soltou um murmúrio de aviso e a Sr.ª Coulter levantou os olhos.

O TEXTO SEGUINTE ABORDA OS LIVROS “A TORRE DOS ANJOS” E “O TELESCÓPIO DE ÂMBAR”, SEGUNDO E TERCEIRO VOLUMES DA SÉRIE MUNDOS PARALELOS

Philip Pullman nasceu em Norwich, Inglaterra. Teve diversas profissões antes de se tornar professor em Oxford. Dedicou-se à criação literária, começando por escrever textos de teatro e contos. A partir de 1985 passou a produzir romances, mas foi em 1995 que alcançou o sucesso à escala internacional com a trilogia Mundos Paralelos, constituída pelos volumes Os Reinos do Norte, A Torre dos Anjos e O Telescópio de Âmbar, todos publicados pela Editorial Presença.

Pullman é um dos escritores mais aclamados da atualidade, tendo sido distinguido com vários prémios literários de grande prestígio, incluindo o Carnegie Medal; o Guardian Children’s Book Award; o Whitbread Prize, concedido pela primeira vez a um autor de obras infantojuvenis, e o Memorial Astrid Lindgren Prize, pelo conjunto da sua obra. A edição de A Torre dos Anjos tem um total de 280 páginas e O Telescópio de Âmbar 456 páginas.

De forma geral, A Torre dos Anjos e O Telescópio de Âmbar são dois livros ao nível do primeiro, mas com uma linguagem por vezes demasiado simplista e manifestamente juvenil. Não traz a maturidade que me agrada reconhecer nas obras que leio, mas sendo uma proposta de entretenimento, a ação e as reviravoltas fizeram-me recordar por vezes as aventuras de Star Wars ou de Indiana Jones, em que revi vários dos reencontros e desfechos que aqui reconheço.

Trata-se de um universo steampunk com telescópios e facas mágicas, dirigíveis e balões de ar quente no ar, e uma aura vitoriana que sempre me cativou.

Mas apesar da abordagem gentil – para um público mais jovem – é uma trilogia repleta de metáforas e de mensagens subliminares. Desde a crítica aberta ao nazismo, passando pela abordagem polémica à religião, por vezes de fácil percepção, como as referências a Eva e à linhagem de Lyra, outras de forma mais mascarada, com uma boa dose de metafísica pelo meio, Mundos Paralelos é uma trilogia com duas leituras, e que pode agradar a dois tipos de público.

A PARTIR DAQUI, PODES TROPEÇAR EM MINOR SPOILERS DOS 3 VOLUMES

O universo de Mundos Paralelos foca-se na essência das pessoas, revelando que todas têm parte de si sob a forma de um génio. Assim, cada pessoa está ligada a uma “alma de carne e osso” e esta figura manifesta-se de várias formas. Enquanto criança, o génio pode transformar-se em qualquer espécie de animal, tomando uma representação fixa ao atingir a idade adulta, de acordo com a personalidade de cada.

A história apresenta-nos a Lyra Belacqua, uma menina de 13 anos que cresceu no campus de uma prestigiada faculdade em Oxford, a Jordan. O génio de Lyra é Pantalaimon, que muitas vezes se revela como um arminho ou como um gato, de acordo com as circunstâncias. A ligação de um ser humano ao seu génio é sagrada, não podendo nunca afastar-se demasiado um do outro, correndo o risco de se transformarem num zombie ou fantasma, uma pessoa incompleta.

No segundo volume, A Torre dos Anjos, começamos por conhecer Will Parry, um jovem determinado a descobrir a verdade acerca do desaparecimento do seu pai, e para o conseguir tem de viajar até ao mundo de Cittàgazze. É lá que conhece Lyra, que, assim como ele, tem uma missão que pretende concretizar a qualquer custo. No entanto, aquele é um lugar estranho e fortemente inquietante… e as duas crianças aprendem bastante um com o outro sobre os mundos diferentes e paralelos de que são naturais.

É ali que encontram a mítica Torre dos Anjos, que esconde um segredo fenomenal: uma faca capaz de abrir portas entre mundos e que pessoas pouco recomendáveis como Sir Charles Latrom, também conhecido como Lorde Carlo Boreal, desejam ardentemente, sendo capazes de tudo para a possuir. Para além deste intrigante mistério, Will tem ainda importantes revelações sobre o seu pai, enquanto ajuda Lyra a escapar da mãe, a intrigante Sr.ª Coulter.

O mistério dos Espectros que apenas atacam adultos e o destino de personagens como a bruxa Serafina Pekkala e o aeróstata Lee Scoresby também fazem parte deste segundo volume que tem um ritmo sempre elevado do início ao fim, acabando por ser o meu volume preferido de entre os dois, muito embora a diferença de qualidade seja ínfima. Mary Malone e Will Parry são as duas grandes adições ao enredo neste volume.

O Telescópio de Âmbar é uma digna conclusão para a trilogia, sendo também um volume maior e mais sombrio. Com a ajuda de dois anjos, Baruch e Balthamos, que o tencionam conduzir a Lorde Asriel, o pai de Lyra, Will viaja até as montanhas Himalaias, determinado a resgatar a menina após os acontecimentos do volume anterior. Acaba por quebrar a faca durante a operação, levando-a ao urso Iorek Byrnison que a repara e assim regressa à trama para participar na guerra em nome da sua amiga.

Lyra e Will são obrigados a tomar uma decisão difícil em relação aos génios e mergulham no mundo dos mortos, onde reencontram personagens que já haviam falecido, enquanto a Sr.ª Coulter é aprisionada e levada a Asriel. Os progenitores de Lyra mostram enfim ao que vêm num desfecho repleto de surpresas e de ação, embora o final tenha sido repleto de clichés e de descrições apressadas.

Pessoalmente, não sou fã de sagas protagonizadas por crianças, nem de fantasias que misturem mundos, mas dei por mim a apreciar esta trilogia. Pouco pela forma como é contada, como já disse demasiado corrida e simplista em alguns momentos, mas mais pela forma como é visualmente apresentada. Trata-se de um universo steampunk com telescópios e facas mágicas, dirigíveis e balões de ar quente no ar, e uma aura vitoriana que sempre me cativou.

A trilogia, His Dark Materials no original, foi traduzida em mais de 40 línguas e com vendas superiores a 18 milhões de exemplares, tendo sido selecionada como uma das 100 melhores obras de todos os tempos pela revista Newsweek, conhecendo ainda uma adaptação cinematográfica de êxito mundial com o título A Bússola Dourada, protagonizada por Nicole Kidman e Daniel Craig. Recentemente, foi também adaptada pela BBC para a HBO numa série com Dafne Keen, James McAvoy e Lin-Manuel Miranda.

Avaliação: 7/10

Mundos Paralelos (Editorial Presença):

#1 Os Reinos do Norte

#2 A Torre dos Anjos

#3 O Telescópio de Âmbar

4 comentários em “Estive a Ler: A Torre dos Anjos + O Telescópio de Âmbar, Mundos Paralelos #2 e #3

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