Estive a Ler: Berserker: Exilado


Estou no Reino da Névoa há quase um ano.

O TEXTO SEGUINTE ABORDA O LIVRO BERSEKER: EXILADO

Mais uma BD de Jeff Lemire em Portugal. O autor best-seller do New York Times, conhecido por obras como Sweet Tooth, Green Arrow, Descender, Gideon Falls ou Roughneck, Lemire ganhou em 2008 e 2013 o Shuster Award for Best Canadian Cartoonist, que premeia o melhor artista de BD canadiano. Foi também nomeado oito vezes para os prémios Eisner, e venceu em 2017 com a sua série de super-heróis Black Hammer o prémio de Melhor Nova Série, o mesmo que ganhou em 2019 com Gideon Falls.

Em Berserker: Exilado, Lemire uniu esforços com Mike Deodato Jr., nome artístico do brasileiro Deodato Taumaturgo Borges Filho. Depois de um início modesto, muito novo, o artista ingressou na banda-desenhada internacional primeiro na Europa e depois nos EUA, onde se tornou célebre em obras da DC e Marvel como Wonder Woman, Amazing Spider-Man, Hulk e Thor. Berserker é a reunião dos quatro números da Dark Horse, num volume auto-contido publicado em Portugal pela G Floy Studio.

Fonte: G Floy

Peguei neste Berserker: Exilado com as expectativas altas, dado o feedback que tinha recebido anteriormente e também por ser fã confesso do trabalho de Jeff Lemire. Apesar de ser um álbum diferente do que esperava, não posso dizer que me tenha desapontado. O livro é uma verdadeira obra-de-arte, sendo basicamente o que nos a premissa nos apresenta. De certa forma, os criadores souberam “congelar” a premissa num todo, sem oferecer grande extensão ao plot mas sabendo retirar o melhor dele.

Uma BD que, sem grandes pretensões nem desenvolvimentos, marca pela comoção e brutalidade.

As suas maiores qualidades são mesmo o diálogo e a prosa de Jeff Lemire, bem como a arte magnífica de Deodato Jr. Na conjugação dos dois, realça a expressividade e emotividade das duas personagens centrais, acabando por ser mais a carga emocional do que a história em si o que cativa o leitor, o que já se torna habitual nas obras de Lemire, podendo citar Descender e Roughneck como exemplos. Não podia, por isso, pedir melhor, muito embora fique a sensação de querer ver mais explorado aquele choque de culturas.

Fonte: G Floy

A trama apresenta-nos um feroz guerreiro bárbaro de um mundo de fantasia, que vê a sua aldeia destruída durante a sua ausência, a esposa e filha mortas. Promete vingança, mas este “rei mestiço” precisa digerir a situação e recuperar-se e quando menos espera vê-se a braços com a perseguição de um feiticeiro terrível que o pretende mandar para o Inferno. Espera-se por isso um embate de dimensões surreais, propício a este tipo de histórias de “espada e feitiçaria”.

Mas o nosso Berserker acaba por ser lançado por um misterioso portal mágico para uma cidade – imaginem!… – do nosso mundo moderno, onde trava conhecimento com um sem-abrigo. À primeira vista, os dois homens não podiam ser mais diferentes, mas rapidamente descobrem ser muito mais parecidos do que se podia esperar. As coisas começam a correr definitivamente mal quando o inimigo mortal do nosso herói também passa o portal e o nosso mundo conhece o seu real perigo.

Fonte: G Floy

Extremamente bonito e melancólico, Berserker: Exilado não explora de facto as incidências deste encontro entre dois mundos tão distintos, mas mesmo assim consegue cativar. É principalmente a carga emocional a grande força do álbum, e o tom intimista com que os dois homens (bárbaro e sem-abrigo) se conhecem e se mostram tão iguais mesmo derivados de mundos tão diferentes, o que realmente dá poder e dimensão ao livro.

Apesar de não serem o fulcro do álbum, há cenas de combate e elas são extremamente bem representadas, sangrentas e brutais; a arte de Deodato Jr. não desilude em nenhum momento. Existe um diálogo permanente que é passado sem qualquer fala ou narração, a expressividade do desenho muitas vezes auto-sustenta as emoções das personagens, o que torna ainda mais rico o discurso de Lemire quando ele aparece, conciso e fortíssimo. Uma BD que, sem grandes pretensões nem desenvolvimentos, marca pela comoção e brutalidade.

Avaliação: 9/10

2 comentários em “Estive a Ler: Berserker: Exilado

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