Estive a Ler: O Grande Gatsby


Quando te sentires com vontade de criticar alguém, lembra-te disto: nem todos tiveram neste mundo as vantagens que tu tiveste.

O TEXTO SEGUINTE ABORDA O LIVRO O GRANDE GATSBY

F. Scott Fitzgerald (1896 – 1940) foi um escritor norte-americano. Aos 13 anos, escreveu The Mystery of the Raymond Mortgage, uma história sobre um detective que foi publicada no jornal da escola que frequentava. Depois de ter passado por uma escola católica, ingressou, em 1913, na Universidade de Princeton, sem no entanto terminar o curso. Em 1917 alistou-se no exército, onde chegou a segundo-tenente. Em 1924, depois de sobreviver à Primeira Guerra Mundial e ao entregar-se a uma vida de luxos com a esposa, o romancista mudou-se para França, onde escreveu The Great Gatsby (O Grande Gatsby), que viria a tornar-se um dos seus romances mais marcantes.

The Great Gatsby foi adaptado ao grande ecrã em 1949, protagonizado por Alan Ladd e Betty Field, em 1974, com Robert Redford e Mia Farrow e em 2013, com Leonardo DiCaprio e Carey Mulligan, nos papéis de Jay Gatsby e Daisy Buchanan. Li a edição de 2011 da Coleção Obras Literárias Escolhidas da Editorial Presença, com o título O Grande Gatsby, um total de 176 páginas e tradução de José Rodrigues Miguéis.

O Grande Gatsby nunca foi um livro que me chamasse sobremaneira a atenção; nunca vi sequer nenhuma das suas adaptações cinematográficas. Ainda assim, foram várias as edições deste livro que me passaram pelos olhos ao longo da vida, quer através de sugestões de clássicos nas prateleiras de livrarias, quer através das edições que amiúde acompanhavam os jornais que por vezes adquiria, há vários anos. A leitura não me desapontou de maneira nenhuma, mas também devo sublinhar que as minhas expectativas não eram grandes.

O Grande Gatsby é um livro simples e pouco desafiante, mas que consegue cumprir com o que se propôs.

É um livro que retrata muito bem os loucos anos 20, das festas ao clima sócio-político vivido à época. A narrativa começou algo confusa, mas desde que fomos apresentados aos personagens centrais da narrativa, tudo fluiu muito bem. Senti-me de facto a ler um clássico, na verdadeira acepção da palavra, mas um clássico despretensioso, como as inúmeras histórias de cowboys que lia quando era mais novo. Não existe uma grande descrição nem uma verdadeira construção de personagens, porque continuam a ser um mistério mesmo no fim do livro.

O livro é narrado por Nick Carraway, um jovem comerciante de Midwest, que começa por visitar a sua prima Daisy e o seu esposo, Tom Buchanan, antigo atleta universitário de boas posses. Mais tarde, Nick torna-se amigo do seu vizinho Jay Gatsby depois de ser convidado para uma das suas festas. Gatsby é um bilionário conhecido pelas festas animadas que organiza na sua mansão em Long Island, mas a origem da sua fortuna permanece envolta em mistério, o que causa uma sequência de rumores não muito abonatórios à sua pessoa.

Nenhum dos convidados que Nick conhece na festa de Gatsby conhece sequer algo sobre o passado do anfitrião, e tudo o que se ouve sobre ele não passam de boatos. Todos os sábados, centenas de pessoas dirigem-se à casa de Gatsby para as alegres festas e Nick, embora alege desprezar esse tipo de entretenimento despido de cultura, começa a frequentá-las. Depressa descobre que o milionário só organizava as festas na esperança que Daisy, seu antigo amor, fosse a uma delas por acaso. Daisy e Gatsby começam a ter um caso após um encontro arranjado através de Nick, colocando-o no epicentro de uma rixa complexa entre Gatsby e Tom.

O romance mostra o caos na sociedade americana decorrente da Primeira Guerra Mundial. Ao mesmo tempo que os anos de 1920 trouxeram a prosperidade para alguns, a Lei Seca instituiu a proibição da produção e do consumo de bebidas alcoólicas, promovendo a entrada de vários senhores de posses no crime organizado e optando pela venda ilegal de bebidas. F. Scott Fitzgerald mostra, através da personagem Nick, a sua visão sobre a amoralidade e o materalismo desmesurado que se vivia na época.

O Grande Gatsby funciona sobretudo pela nostalgia que carrega consigo; fez-me recordar filmes antigos, histórias de faca e alguidar daqueles filmezinhos a preto e branco. O que aqui se conta é uma história de amor mal resolvida, um romance que se propõe a mostrar a sociedade oca em que se vivia e a crítica social é de facto bem conseguida. As personagens são na maioria detestáveis, egoístas e sem conteúdo, pessoas pequeninas que pouco mais têm para fazer do que pensar em boatos ou em combinar encontros.

Mas há uma camada aqui embutida que me aliciou pessoalmente: os sentimentos de irmandade. Sem conhecer Jay Gatsby de lado nenhum, apesar de ser o seu vizinho, o nosso protagonista sente algum tipo de empatia muito forte para com ele, que advém sobretudo da raiva que ganha aos seus amigos pelo seu comportamento para com ele, mas não só. Há ali admiração, aquela inveja boa de quem se gosta e de quem se aprecia. O mistério em volta de Gatsby confunde-o, mas também o faz gostar dele. O Grande Gatsby é um livro simples e pouco desafiante, mas que consegue cumprir com o que se propôs.

Avaliação: 6/10

Comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto:
search previous next tag category expand menu location phone mail time cart zoom edit close