Estive a Ler: Às Cegas


As crianças nunca viram o mundo fora da sua casa. Nem sequer pelas janelas.

O TEXTO SEGUINTE ABORDA O LIVRO ÀS CEGAS

Músico e autor norte-americano, Josh Malerman é fã acérrimo do género de terror e gosta de escrever ao som de bandas sonoras de filmes do género. Bird Box, o seu romance de estreia, foi bastante aclamado pela crítica, tendo sido nomeado para vários prémios como: Melhor Romance de Estreia do Bram Stoker Award (2014), Shirley Jackson Award (2014), Melhor Livro de Terror do Goodreads Choice Award (2014) e ainda o prémio James Herbert (2015).

O livro foi lançado em março de 2014 e adaptado para filme em 2018 pela plataforma de streaming Netflix, com um elenco de luxo encabeçado por Sandra Bullock, Trevante Rhodes, John Malkovich e Tom Hollander nos principais papéis. Em Portugal, o thriller pós-apocalíptico foi publicado pela TopSeller em 2018, com o título Às Cegas, num total de 304 páginas e tradução de Rita Figueiredo.

Com uma escrita ágil e uma boa dose de suspense, Josh Malerman apresenta uma obra de estreia promissora, que tanto na escrita como na ambientação se revela fria, insípida e inquietante. Bird Box é um livro que andava há alguns anos para ler, mas que acabou por me passar ao lado durante os últimos anos – ao contrário do que podia acontecer, a adaptação para filme refreou o meu interesse no livro.

Ainda assim, é um bom romance de estreia.

Sabia pouco sobre este thriller pós-apocalíptico antes de lhe pegar, pelo que não deixou de ser uma surpresa, tanto pela positiva como pela negativa. Os melhores pontos deste livro são mesmo a ambientação fria e as nuances das personagens, a forma como elas são humanas, como fraquejam, como se revelam bem caracterizadas pelo autor. Ainda assim, em nenhum momento consegui criar grande empatia pela protagonista, que me pareceu tão frígida como a envolvente.

Capa TopSeller | Fonte: https://topseller.pt/livros/as-cegas

Em contraponto, esperava mais surpresas no que diz respeito à “caixa de pássaros” que dá título ao livro. A história é mesmo o tópico menos positivo. Esperava algo de muito original, mas tratou-se basicamente de um The Walking Dead sem zombies. Um The Walking Dead meet Ensaio Sobre a Cegueira, talvez. Algumas cenas foram até muito boas – como as descrições de loucura e a chuva de pássaros – mas no global não achei o livro nada de especial.

Outro dos pontos menos interessantes foi o desenrolar da narrativa. Os saltos temporais entre passado e presente até podem ter funcionado bem para beliscar a curiosidade ao leitor, mas de forma geral achei que para o tamanho do livro (trezentas páginas não é muito grande) o autor enrolou muito e no final aconteceu tudo demasiado depressa, mesmo sem comprometer a fluidez da obra, que foi constante.

Filme da Netflix | Fonte: https://www.centralcomics.com/critica-bird-box-2018-netflix/

Cinco anos depois de um terrível apocalipse ter começado, com a aparição de “coisas” que deixam quem as vê completamente louco, os poucos sobreviventes ainda se escondem em abrigos, protegidos atrás de portas trancadas e janelas tapadas. A história apresenta-nos uma dessas sobreviventes, Malorie, que decide fugir, tendo em vista uma vida em segurança para si e para as suas duas crianças. Mas durante a viagem, o perigo está à espreita: basta uma decisão errada e eles morrerão.

Malorie e os seus filhos conseguiram sobreviver, mas agora que o menino e a menina completaram quatro anos, chegou o momento de abandonar o refúgio, de procurar uma vida melhor, em segurança e sem medos. Num barco a remos e de olhos vendados, os três embarcam numa viagem rio acima. Ela apenas pode confiar no instinto e na audição apurada das crianças para se guiar. Mas, de repente, Malorie percebe que são seguidos. Nas margens abandonadas, alguém observa. Será animal, humano ou monstro?

Ao mesmo tempo, revisitamos o que aconteceu com Malorie desde o início daqueles estranhos fenómenos, quando a personagem ainda se encontrava grávida. Personagens como Tom, Jules, Don, Felix, Gary ou Olympia, ou até mesmo o cão Victor que fazem parte da jornada incomum de Malorie. Pessoas que já não existem na vida dela e que, como leitores, queremos perceber porquê.

Apesar do set me parecer bem montado e credível, de as sensações serem bem passadas para o papel, nunca me senti realmente incomodado ou desconcertado com o “mal” do livro, nem sequer com grande desejo de chegar ao fim para perceber o que acontece. Às Cegas é um bom livro de terror, mas a meu ver sobrevalorizado, porque para além da pouca complexidade, houve ali algo de insosso que me impediu de me entusiasmar. Ainda assim, é um bom romance de estreia.

Avaliação: 6/10

2 comentários em “Estive a Ler: Às Cegas

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