Estive a Ler: New X-Men #1 a #3


Tudo em ordem, professor? Já sabe como é, quando eu e a Jean começamos.

Dezasseis milhões de mutantes mortos… e isso foi só o princípio!

O escritor Grant Morrison, uma das lendas dos comics modernos, mudou de maneira definitiva e arrojada a saga imensa dos X-Men com esta série que marcou para sempre a nossa visão dos mutantes da Marvel: New X-Men! Começando numa terrível conspiração e na destruição da ilha de Genosha, lar do homo superior, introduzindo mudanças como a substituição dos antigos fatos de licra por elegantes blusões de cabedal, e toda uma nova geração de mutantes muito diferentes, mas bem ancorados num grupo central forte, New X-Men é uma das mais imaginativas e épicas sagas de sempre de Grant Morrison.

É difícil exagerar o impacto que esta saga teve nos leitores da altura, e particularmente num período que se seguiu aos eventos traumáticos do 11 de Setembro, e como ela funcionou de maneira “evolutiva” para Morrison, levando-o a criticar os vários projectos utópicos que historicamente marcaram o seu pensamento e a reafirmar a sua convicção de que a solução para uma vida melhor reside nos indivíduos e na maneira como eles se conseguem relacionar de maneira positiva.

Fonte: G Floy

Alguns críticos viram em New X-Men uma continuação das reflexões que o autor tinha iniciado em The Invisibles, algo que o próprio reconhece. No seu Manifesto (publicado neste volume), Morrison afirma: “Esta história não é bem sobre super-heróis mas sobre um conflito evolucionário que existe entre o que é novo/bom e velho/mau. Os X-Men representam todos os rebeldes adolescentes que querem mudar o mundo e torná-lo melhor. E a humanidade são os adultos que se agarram ao passado e tentam destruir o futuro, apesar de colocarem nele todas as suas esperanças”.

Os jovens são idealistas, românticos e rebeldes, desejosos de romper com tudo o que está errado no mundo, e a Revolução, quando chega, é uma ruptura terrível no tecido da história. Essa ruptura é reflectida no capítulo inicial de New X-Men, que coloca em cena essa raça minoritária dotada de poderes tremendos, e que por causa desses mesmos poderes é temida e odiada pela maioria da população normal do mundo.

Até o adjectivo New colocado à frente de X-Men implica que tudo o que veio antes é “velho”, e num só momento eles são “transformados de heróis que respondem de maneira passiva ao que os confronta, em agentes de uma revolução social e política, os arquitectos de uma utopia futura”  (como diz Darragh Green em Here Comes Tomorrow: The Ethics of Utopianism in Grant Morrison’s New X-Men).

Fonte: G Floy

O mundo está a mudar… E vai precisar dos X-Men!

Cada vez surgem mais mutantes em todo o mundo, nas cidades, nos desertos, nas selvas. E vão precisar de professores, de mentores, de pessoas que consigam ajudá-los a ultrapassar o seu medo e a sua cólera, e mostrar-lhes como usar os seus estranhos talentos de maneira responsável. Mas o maior mentor dos mutantes, o Professor X, está em coma, a morrer, preso no corpo arruinado da sua irmã gémea maléfica… Cassandra Nova possuiu o corpo de Xavier e fugiu em direcção às estrelas, depois da sua confrontação inicial com os X-Men. E agora, uma das mais poderosas mentes mutantes telepatas de sempre vai regressar à Terra – com o poder inteiro do império Shi’ar a apoiá-la!

Conseguirão os X-Men deter o seu assalto, quando nem um império interestelar o conseguiu?

O segundo volume de New X-Men resolve dois grandes arcos de história da saga de Grant Morrison, por um lado o conflito com Cassandra Nova, a irmã gémea do Professor Xavier, com um final surpreendente e que terá importantes consequências para o resto da história dos X-Men, e por outro, inicia uma nova sequência narrativa focada na Corporação X e nas suas actividades pelo mundo em prol dos mutantes, com a introdução de uma das personagens mais inovadoras (e populares) da série, o mutante renegado Fantomex. É, portanto, um volume chave da saga, mas queremos também chamar a atenção para um capítulo intermédio, que serve de transição entre os dois arcos de história, e que é talvez um dos mais belos capítulos soltos dos X-Men de sempre: a história Sobre Viver e Sobre Morrer (correspondente a New X-Men #127).

Fonte: G Floy Studio

Desenhado por John Paul Leon (com arte-final de Bill Sienkiewicz), este interlúdio foca-se em Xorn, o novo mutante introduzido anteriormente, e é uma reflexão profunda sobre os mutantes e a ideia da “alteridade” no meio da vida normal, e uma reflexão “metatextual” sobre este género de super-heróis, na medida em que mergulha fundo e de maneira realística nas desvantagens dos poderes mutantes, sobretudo daqueles poderes sem grande utilidade prática: poderes meio inúteis, ou nojentos, ou simplesmente inexplicáveis… Como é que as pessoas lidam com a existência dessas “diferenças” incompreensíveis no meio da sua sociedade, como evitam “desumanizar” esses mutantes ainda mais?

Morrison está aqui no auge da sua escrita, numa pequena história ao mesmo tempo poética e filosófica, que inova conceptualmente em muito do que é a ideia do mutante no universo Marvel. E mais, chamamos a atenção dos leitores para os diálogos entre Xorn e o Prof. Xavier, já que estão cheios de um potencial terrível quanto ao futuro da saga, como veremos mais tarde! Mas por enquanto, realçamos esta história deste volume, um momento de transição com um desenho excelente e distinto do resto, uma pausa de inteligência e imaginação ainda maiores do que aquelas a que Morrison nos habituou na sua escrita.

Fonte: G Floy Studio

Uma das melhores séries de sempre dos X-Men está de volta, neste terceiro volume cheio de acção e revelações que te irão surpreender. Vindos da imaginação de Grant Morrison, este tomo tem na arte nomes não menos fabulosos como Frank Quitely, Keron Grant, Phil Jimenez e Chris Bachalo.

O Instituto do Professor Xavier é um santuário, um lar para jovens mutantes oprimidos por um mundo que não os compreende. Mas o inimaginável acontece quando um dos alunos assume o nome de Kid Ómega, e decide conquistar a escola. Entretanto, a relação entre Emma e Ciclope ameaça causar mais uma fenda profunda entre mutantes, que irá ameaçar os X-Men. Mutante contra mutante numa explosão de violência… poderá a escola sobreviver? Na segunda parte desta saga, Wolverine, Ciclope e o enigmático mutante conhecido como Fantomex viajam para o outro lado do mundo à procura da chave para o seu passado, e da revelação dos segredos mutantes. Mas o que irão encontrar no interior do misterioso e letal programa Arma X será bem mais assustador do que os seus piores pesadelos.

Por vezes, os maiores inimigos dos mutantes são… outros mutantes!

Este é o terceiro volume que colecta toda a fase escrita por Grant Morrison, em quatro edições de luxo de capa dura e formato prestige.

New X-Men, foi uma das sequências mais inovadoras na história dos X-Men de uma forma que nunca mais foi replicada. A série renovou quase tudo sobre a equipa dos super-heróis mutantes mais famosos da Marvel, desde os seus uniformes até seu status público, e introduziu uma série de novas ideias que a franquia explorou a partir de então.

Opinião: Estive a ler os primeiros três álbuns da série New X-Men (2001) de Grant Morrison e Frank Quitely, publicados pela G Floy Studio com os títulos E de Extinção, Império e Ómega. Há muito tempo que não lia uma banda-desenhada de X-Men, porque apesar de me ter sido companhia assídua durante a adolescência, fiquei algo desapaixonado pela franquia com as suas adaptações cinematográficas. A arte é boa, os diálogos são incríveis e encontrar estas personagens que me são tão queridas é sempre ótimo. Faltou um enredo mais entusiasmante para me cativar.

Avaliação: 6/10

2 comentários em “Estive a Ler: New X-Men #1 a #3

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