Estive a Ler: O Despertar de Ctulhu (2017)


Penso que a coisa que mais alívio nos traz, neste mundo, seja a incapacidade da mente humana em correlacionar todos os seus conhecimentos.

O TEXTO SEGUINTE ABORDA O LIVRO O DESPERTAR DE CTULHU (FORMATO BD)

A novela gráfica O Despertar de Ctulhu, publicado na Colecção Bang! da Saída de Emergência em setembro de 2019, é a adaptação do conto homónimo publicado em 1928 por H. P. Lovecraft, com arte do exímio ilustrador francês François Baranger. O álbum tem 72 páginas e tradução de João Catarino, retratando a visão que o artista, admirador confesso de Lovecraft, possui do trabalho do autor de Providence. Apaixonado pelo estilo e narrativa, a intenção de Baranger era a de criar um bestiário do universo lovecraftiano inspirado em jogos de RPG, acabando por modificar este plano inicial para uma perspectiva mais cinematográfica.

Howard Phillips Lovecraft nasceu em Providence, Rhode Island, a 20 de Agosto de 1890. Foi o último descendente de uma velha família de Nova Inglaterra que já tivera melhores dias. O seu pai morreu num hospício em 1898; a mãe sobreviveu até 1921, mas a sua instabilidade mental aumentou à medida que a fortuna da família declinava. Permaneceu virtualmente desconhecido excepto para as pequenas audiências de pulp magazines como a Weird Tales onde o seu trabalho foi publicado. Os magros rendimentos da escrita não chegavam para reforçar os rendimentos de uma empobrecida herança, e ele continuou a escrever anonimamente para outros autores.

Fonte: Saída de Emergência

Ao mesmo tempo alimentou a escassa alegria dos seus dias com uma extensa troca de correspondência com outros escritores e leitores de ficção fantástica, como era caso Robert E. Howard. Os mais constantes e devotos membros deste grupo formavam o que mais tarde viria a ser conhecido como O Círculo de Lovecraft. Nas suas extensas cartas de comentários, críticas e conselhos literários, encorajaram-nos escrever ou a tentar escrever dentro do mesmo género literário.

Foi na adolescência que (Baranger) descobriu Lovecraft, por cujo trabalho se fascinou.

Li o conto de Lovecraft em 2016 e, cinco anos depois, chega-me às mãos a adaptação de François Baranger. Lembro-me de que gostei bastante do conto, principalmente pela forma como o autor o contara, e esta segunda leitura apenas realçou o meu apreço pelo detalhe, pela desenvoltura na apresentação do cenário, da história e da mitologia, de tudo o que está ligado tanto às personagens como à criatura. As ilustrações de Baranger são fenomenais e apenas vêm dar dimensão e textura a este conto maravilhoso.

Fonte: Saída de Emergência

Boston, 1926. Depois da morte, em circunstâncias estranhas, do seu tio-avô, Francis Thurston descobre nos documentos que herdou a existência de uma seita que venera uma criatura inominável, adormecida há milhões de anos. Sacrifícios indescritíveis praticados nas docas do Luisiana, mortes misteriosas em vários locais do globo, artistas assolados pela demência depois de visões nocturnas terríficas e, sobretudo, uma cidade ciclópica que surge do oceano depois de uma tempestade…

Pouco a pouco, Thurston descobre que as investigações do seu tio-avô, George Gamell Angell, relacionadas com o culto a Cthulhu são mais verdadeiras do que imaginava e que, nas sombras, os seguidores do deus pagão se preparam para o acordar, prontos para trazer a loucura e a destruição ao mundo. Os astros estão alinhados? Estará o fim próximo? Desencadeia-se gradualmente uma série de acontecimentos em que, através de variados relatos, o protagonista descobre a verdade sobre a criatura e as implicações trágicas do acesso a esses mesmos conhecimentos.

Fonte: Saída de Emergência

O Despertar de Ctulhu é um dos contos mais conhecidos do autor norte-americano. Quando uma combinação de cancro e nefrite reclamou a vida de H. P. Lovecraft aos quarenta e seis anos de vida, a perda foi sentida por todos os amigos, muitos conhecendo-o apenas como correspondentes. O estilo literário de Lovecraft era muito distinto e frequentemente imitado por protegidos. Com a sua aprovação, muitos aproveitaram os locais, os deuses grotestos e os conceitos por ele imaginados para as suas próprias histórias.

Aquando da sua morte, Lovecraft já se tinha tornado aquilo que hoje chamaríamos de “figura de culto”. François Baranger foi um dos muios que se apaixonaram pelo seu trabalho. O ilustrador nasceu em 1970 em Ermont e trabalha principalmente como concept artist para cinema (Harry Potter, A Bela e o Monstro) e videojogos (Heavy Rain, Beyond: Two Souls). É igualmente responsável pelas capas de vários romances. Em 2013 publicou o seu primeiro romance de ficção científica, Dominium Mundi, e em 2017 o thriller L’Effet Domino. Foi na adolescência que descobriu Lovecraft, por cujo trabalho se fascinou.

Avaliação: 8/10

3 comentários em “Estive a Ler: O Despertar de Ctulhu (2017)

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