Estive a Ler: O Cabo da Víbora


Uma menina bonita. Não, não era bonita; era realmente bela.

O TEXTO SEGUINTE ABORDA O LIVRO O CABO DA VÍBORA

Agatha Christie nasceu em Torquay, na Grã-Bretanha, em 1890. Autora de cerca de 300 obras, entre romances de mistério, poesia, peças para rádio e teatro, contos, documentários, uma autobiografia e seis romances publicados sob o pseudónimo de Mary Westmacott, viu o seu talento e o seu papel na literatura e nas artes oficialmente reconhecidos em 1956, ano em que foi distinguida com o título de Commander of the British Empire. Em 1971, a Rainha Isabel II consagrou-a com o título de Dame of the British Empire.

Deixando para trás um legado universal celebrado em mais de cem línguas, a Rainha do Crime, ou Duquesa da Morte (como ela preferia ser apelidada), morreu em 12 de janeiro de 1976. Em 2000, a 31st Bouchercon World Mistery Convention galardoou Agatha Christie com dois prémios: ela foi considerada a Melhor Autora de Livros Policiais do Século XX e os livros protagonizados por Hercule Poirot a Melhor Série Policial do mesmo século. Ordeal by Innocence foi publicado em 1958, sendo publicado pela Livros do Brasil em 1991 e em 2002, na Colecção Vampiro Gigante.

Publicado em Portugal com o título O Cabo da Víbora, este livro era um dos preferidos de Agatha Christie e não pertence nem à série Hercule Poirot nem à série Miss Marple. Já contou com duas adaptações, uma cinematográfica com Faye Dunaway e Donald Sutherland em 1985 e uma para TV em 2018, com Bill Nighy e Matthew Goode. Vi a série o ano passado, por isso já parti para a leitura com uma ideia do que podia esperar, embora a adaptação tenha sido um tanto ou quanto diferente do livro.

O Cabo da Víbora é mais um apontamento interessante na vasta obra de Agatha Christie.

Se tinha gostado da mini-série de 3 episódios, posso dizer que gostei menos do livro, embora ache que ele é melhor. Confusos? Bem, posso dizer que o protagonista é mais maduro e credível no livro e agradou-me o final escolhido pela autora; na série optaram por outro desfecho, que também não desgostei. Ainda assim, achei a história do livro em si mais simplista e a escrita, durante a primeira metade, foi algo aborrecida. Contribuiu para isso talvez já conhecer a premissa, mas de facto tenho de assumir que não me empolgou.

Casada e rica, mas impossibilitada de ter filhos, Rachel Argyle adoptou cinco crianças para criar com o marido Leo. Resgatadas ainda na infância, as crianças no entanto, não se dão bem com o ambiente e, cada uma em suas questões particulares, revoltam-se aos poucos contra o autoritarismo desta mulher. Já adultos, mas ainda confinados neste palacete, os conflitos agravam-se até um ponto sem retorno: a morte da matriarca, surpreendida com um atiçador de lareira.

As provas indicam Jack Argyle, um dos filhos adoptivos, como principal suspeito. Como ele sempre fora um marginal, de carácter rebuscado e insuportável, ninguém duvidou que seria ele o autor do homicídio. Como tal, Jack acabou preso e na prisão acabou por morrer. Às vésperas do novo casamento do patriarca com a secretária Gwenda, dois anos depois, um homem chega à mansão, o Cabo da Víbora, para alegar a inocência do rapaz.

Trata-se de um cientista chamado Arthur Calgary, que estivera com Jack à hora do homicídio e revela não ter aparecido mais cedo por ter estado convalescente e sem fazer ideia do ocorrido. Ao desvendar a inocência do rapaz, Arthur fica surpreendido ao compreender que nenhum dos familiares de Jack parece feliz ou aliviado pela notícia, mas sim preocupados com o facto de que um deles seja o verdadeiro assassino.

A atmosfera de desconfiança e de medo toma conta da família Argyle, com os seus membros perguntando-se qual deles será o assassino e fazendo tanto acusações como investigações por conta própria, enquanto outros preferem não tocar no tema e deixar tudo como está, sem levantar ondas. Culpando-se por aquela situação, Arthur Calgary resolve ajudar a polícia a investigar o caso.

Foi o primeiro livro da autora que li sem ter Marple ou Poirot como protagonistas. Caso não tivesse tantas viagens desinteressantes por parte do protagonista, seria um livro mais agradável. Gostei que Calgary fosse um homem mais velho e maduro do que na série, mas como personagem achei chato, e mesmo os “irmãos” não me pareceram tão ricos. Preferi a perspetiva de Phillip Durrant, uma personagem mais sumarenta. O Cabo da Víbora é mais um apontamento interessante na vasta obra de Agatha Christie.

Avaliação: 6/10

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