Resumo Trimestral de Leituras #25


Chegamos ao final do primeiro trimestre de 2021. Neste novo ano em que optei por opiniões mais lacónicas e objectivas, li 7 livros em janeiro, 7 em fevereiro e 8 em março. Desde meados de janeiro que não se registaram novos lançamentos, pelo que decidi cumprir o desafio semestral e completá-lo com livros e bandas-desenhadas que tinha já comigo mas que nunca tinha lido. 2021 é definitivamente um ano de mudanças e de adaptações na minha vida, pelo que essa complexidade terá sempre repercussões no blogue, sem que com isso o negligencie.

A minha melhor leitura do trimestre foi Kingsbridge: O Amanhecer de uma Nova Era de Ken Follett, que li em janeiro. O Senhor Brecht e o Sucesso de Gonçalo M. Tavares e a série Fatale de Ed Brubaker e Sean Phillips foram também ótimas surpresas enquanto que, no sentido oposto, as principais desilusões passaram por A Ironia e Sabedoria de Tyrion Lannister, Circe de Madeline Miller e O Cabo da Víbora de Agatha Christie. Fica com o resumo das minhas leituras já realizadas este ano:

Comecei o ano com dois livros da Saída de Emergência. O primeiro foi A Senhora do Lago Parte 2, o oitavo volume que conclui a saga de The Witcher de Andrzej Sapkowski. Apesar de não estar entre os meus volumes preferidos da série, foi um volume emocionante que vem concluir com dignidade a história de Geralt de Rivia, Yennefer e Ciri, ainda que falte um volume prequela para degustar. Começou de forma algo morosa com várias descrições de batalha, mas engatou de imediato quando os protagonistas entraram em cena para uma conclusão fortíssima.

A Vingança Serve-se Fria Parte 2 conclui o romance de Joe Abercrombie; o primeiro volume não me deslumbrou mas este segundo conseguiu satisfazer-me ainda menos, não tanto pela história e pelas personagens, que fazem lembrar O Conde de Monte Cristo e são bastante interessantes, mas sobretudo pela escrita do autor, que me parece recorrer por vezes a artifícios bem juvenis, quando o tipo de livro adulto e sanguinário que exigia mais maturidade e credibilidade, algo que já critiquei no autor em algumas passagens da sua trilogia A Primeira Lei. Não deixa, porém, de ser uma leitura agradável.

Pela Editorial Presença chegou o livro Kingsbridge: O Amanhecer de Uma Nova Era de Ken Follett. Foi claramente a minha melhor leitura do primeiro trimestre; se as emoções despertadas pela vivência das personagens seriam suficientes para me arrebatar, o que dizer dos detalhes apresentados pelo autor? Da consistência histórica, aos conhecimentos de técnicas e minúcias artísticas, Follett é um autor de mão cheia quando nos apresenta Kingsbridge em qualquer dos seus volumes. Nesta prequela de Os Pilares da Terra conhecemos um rapaz que perde o pai e a namorada após um ataque viking, uma nobre normanda que deixa a sua terra natal e três irmãos unidos pela corrupção e pelo poder.

Pulp, de Ed Brubaker e Sean Phillips, chega até nós pelas mãos da G Floy Studio Portugal. Com uma narrativa poderosa, madura e com um ritmo sempre elevado, assim como uma arte lindíssima a fazer lembrar as antigas bandas-desenhadas de cowboys, este comic book mostra realmente que a dupla Brubaker e Phillips é mestre neste género de bandas-desenhadas. Um trabalho fenomenal sobre um antigo cowboy que, na velhice, escreve pulps sobre as suas aventuras de juventude para sobreviver na Nova Iorque dos anos 30, quando o nazismo imperava no mundo ocidental.

Também pela G Floy Studio li os dois primeiros volumes da série gráfica Stumptown, com argumento de Greg Rucka e arte de Matthew Southworth. O primeiro livro tem o subtítulo O Caso da Rapariga que Levou o Champô (mas deixou o carro) e o segundo O Caso da Bebé no Estojo de Veludo. Não fiquei fã, por se tratar de um policial raso, sem grandes camadas. A arte não é extraordinária, mas adequa-se ao argumento, e o ritmo é altíssimo. Os dois livros cumprem com a proposta, o suficiente para lhe atribuir uma nota positiva.

Terminei o mês com o livro Circe de Madeline Miller, das Edições Minotauro. Esta Circe é uma das figuras centrais da Odisseia de Homero, um dos primeiros livros que li e que, como tal, me ficou gravada na memória até hoje. A autora faz uma visita guiada à vida desta personagem mítica, de forma transversal e na primeira pessoa. É um romance bem executado e competente, ainda assim defraudou as minhas expectativas por esperar algo mais terra a terra, um enredo único e bem fechado, e não uma história tão corrida (mesmo por vezes aborrecida) e com tantos episódios avulsos.

Fevereiro começou com a leitura de Dois Reinos Negros, terceiro volume da saga young adult Três Coroas Negras de Kendare Blake, publicado pela Porto Editora. O volume vem na senda dos livros anteriores, revelando-se um volume bem ritmado e com escrita fluída. Dos encontros de elevada tensão aos encontros imprevisíveis no campo de batalha, Três Coroas Negras deixa para segundo plano os romances e os casalinhos, para dar força a uma série de personagens femininas cheias de garra e com múltiplos talentos. Ainda assim, é uma saga que não me conquistou por alguma falta de verosimilhança.

Estive a ler os primeiros três álbuns da série New X-Men (2001) de Grant Morrison e Frank Quitely, publicados pela G Floy Studio com os títulos E de Extinção, Império e Ómega. Há muito tempo que não lia uma banda-desenhada de X-Men, porque apesar de me ter sido companhia assídua durante a adolescência, fiquei algo desapaixonado pela franquia com as suas adaptações cinematográficas. A arte é boa, os diálogos são incríveis e encontrar estas personagens que me são tão queridas é sempre ótimo. Faltou um enredo mais entusiasmante para me cativar.

Pela Saída de Emergência, O Despertar de Ctulhu é uma versão ilustrada do conto famoso de H.P. Lovecraft, com trabalho gráfico do francês François Baranger. Li o conto de Lovecraft em 2016 e, cinco anos depois, chega-me às mãos esta adaptação. Lembro-me de que gostei bastante do conto, principalmente pela forma como o autor o contara, e esta segunda leitura apenas realçou o meu apreço pelo detalhe, pela desenvoltura na apresentação do cenário, da história e da mitologia, de tudo o que está ligado tanto às personagens como à criatura. As ilustrações de Baranger são fenomenais e apenas vêm dar dimensão e textura a este conto maravilhoso.

Pela Alfaguara, li O Desaparecimento de Stephanie Mailer de Jöel Dicker. Depois de ler A Verdade Sobre o Caso Harry Quebert e O Livro dos Baltimore, não podia deixar de continuar a desbravar a obra do autor. Aqui, uma jornalista chama a atenção a um polícia em vésperas da reforma para a não resolução de um caso que lhe deu bastante sucesso, e logo depois desaparece misteriosamente. É um policial mais duro e cru que os livros anteriores, e embora os personagens não me tenham agradado tanto, é ainda assim um ótimo thriller, com um mistério que me deixou em suspense até ao último parágrafo. 

Li A Idade Média Narrada por um Vampiro, lançamento da autora brasileira Márcia Medeiros em Portugal pelas mãos da Editorial Divergência. Neste romance, somos conduzidos pela perspectiva de Demetrius, um vampiro muito bem humorado, sempre acompanhado do seu porquinho de estimação, Porconius. A voz de Márcia Medeiros é um doce sem compromissos, que nos convida a fazer uma viagem leve e despretensiosa pela Idade Média, levando-nos a revisitar momentos marcantes deste período negro da História com um sorriso no rosto. Comecei março com um livro da editora Saída de Emergência.

A Ironia e Sabedoria de Tyrion Lannister reúne trechos de George R. R. Martin retirados da sua série Crónicas de Gelo e Fogo, com ilustrações de Jonty Clark. Trata-se de um livro essencialmente para coleccionadores de material relativo à saga popularizada pela série Game of Thrones, porque cada página contém apenas uma frase e a maioria bastante conhecidas para quem está familiarizado com os primeiros livros. Uma experiência bastante peculiar, serviu para matar saudades de uma das minhas personagens preferidas da literatura, de forma bem organizada.

Li os volumes 2 a 5 da BD Fatale de Ed Brubaker e Sean Phillips, publicados pela G Floy Studio Portugal. Depois de ter lido em 2016 o primeiro volume, A Morte Persegue-me, decidi continuar – e terminar – a leitura da série. Tive uma ótima surpresa com este universo vertiginoso, porque apesar de Brubaker e Phillips serem nomes incontornáveis do noir gráfico e não terem nada a provar, não tinha ficado com tão boa impressão do primeiro álbum. O Negócio do Diabo, A Oeste do Inferno, As Lágrimas do Céu e Amaldiçoa o Demónio são quatro volumes incríveis, recaindo a minha preferência no segundo.

O décimo primeiro álbum do mangá One-Punch Man, com argumento de One e arte de Yusuke Murata e editado em Portugal pela Devir, continua a um ótimo nível no que toca à ilustração, com a narrativa a seguir o paradigma a que já nos habituamos, com Saitama a protagonizar – e a alternar – torneios e combates contra monstros. Algumas personagens secundárias conseguem finalmente alguns episódios de desenvolvimento pessoal, com destaque para Taco de Beisebol Metálico e Garo.

Em jeito de homenagem a Bertold Brecht, o Senhor Brecht e o Sucesso de Gonçalo M. Tavares foi uma leitura maravilhosa com a edição da Relógio D’Água. Nunca tinha lido nada do autor e peguei neste livro sem saber que se tratava de uma colectânea de microcontos, um livro pequenino com menos de 100 páginas. Mas o seu conteúdo é um verdadeiro tesouro da literatura. A sua escrita é direta e bem humorada, mas conseguimos encontrar nas suas histórias com travo a humor negro significados que estão bem próximos do nosso dia-a-dia.

Publicado na “Colecção Vampiro Gigante” da Livros do Brasil, o romance O Cabo da Víbora de Agatha Christie foi uma leitura mediana. Era um dos preferidos da autora, mas depois de assistir à mini-série de 2018, que não sendo nada de espectacular revelou-se melhor do que o material original. Foi moroso e repleto de viagens, ainda que o mistério principal e a identidade do assassino tenha sido bem executado.

Neste momento, estou a ler O Garfo, A Bruxa e o Dragão de Christopher Paolini, mas terei também nomes como Jeff Lemire, Stephen King e Haruki Murakami nas minhas leituras de abril. Fiquem por aí para conhecer as minhas opiniões literárias.

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