Estive a Ler: Dança, Dança, Dança


Passo a vida a sonhar com o Hotel Golfinho.

O TEXTO SEGUINTE ABORDA O LIVRO DANÇA, DANÇA, DANÇA

Haruki Murakami, de quem a Casa das Letras editou Kafka à Beira-Mar (com mais de 15 mil exemplares vendidos) e Sputnik, Meu Amor, é um dos escritores japoneses contemporâneos mais divulgados em todo o mundo sendo, simultaneamente, aplaudido pela crítica, que o considera um dos «grandes romancistas vivos» (The Guardian) e a «mais peculiar e sedutora voz da moderna ficção» (Los Angeles Times). Nasceu em Quioto, em 1949. Estudou teatro grego antes de gerir um bar de jazz em Tóquio, entre 1974 e 1981.

Além de Sputnik, Meu Amor, Kafka à Beira-Mar, Dança, Dança, Dança e Em Busca do Carneiro Selvagem, que recebeu o Prémio Noma destinado a novos escritores, Murakami é ainda autor, entre outros, de Hard-boiled Wonderland and the End of the World (distinguido com o prestigiado Prémio Tanizaki) e, mais recentemente, de Blind Willow, Sleeping Woman, a sua terceira coletânea de contos, distinguida com o Frank O’Connor International Short Story Award. A edição de 2007 da Casa das Letras tem um total de 480 páginas e tradução de Maria João Lourenço.

Li este volume Dança, Dança, Dança depois de duas experiências muito positivas com Haruki Murakami, a trilogia 1Q84 e Kafka à Beira-Mar. Não li qualquer opinião ou sinopse antes de o fazer, pelo que me surpreendi, agora que findei a leitura, de perceber que faz parte de uma série literária encabeçada por Em Busca do Carneiro Selvagem. De modo nenhum achei que faltassem peças ao puzzle, apesar de aquele início algo monótono fazer uma retrospectiva da vida do protagonista. Fica, assim, a minha vontade em revisitar este universo.

Dança, Dança, Dança é mais um livro incrível do autor japonês e não certamente depressa não me cansarei de o revisitar, com a conveniente margem de distância.

Dança, Dança, Dança é mais um livro maravilhoso de Haruki Murakami. Os duplos sentidos, as camadas, o detalhe, o aprofundar na natureza humana são fenomenais, aquela maneira de ser muito peculiar de ser dos japoneses que sempre me faz reflectir sobre as sensibilidades e nuances de comportamento dos seres humanos. Esta jornada de solidão tem apontamentos de fantasia, de erotismo, de thriller, de policial, de mistério, mas é sobretudo um hino à humanidade e ao nosso lugar no mundo.

O autor prossegue a senda de auto-descoberta do protagonista de Em Busca do Carneiro Selvagem, agora à procura do seu antigo amor, Kiki, que desapareceu misteriosamente do Hotel Golfinho. Nessa nova busca, o narrador, um jornalista freelancer, perde-se cada vez mais num universo de realismo fantástico, quase kafkiano, envolvendo-se com personagens verdadeiramente singulares: uma adolescente clarividente chamada Yuki, um actor de cinema extravagante, o seu velho amigo Gotanda, um poeta maneta de seu nome Dick North e prostitutas de luxo como May e June.

Ambientado sobretudo em Tóquio, este romance aborda temas como a solidão, o amor e a efemeridade da vida e retrata uma sociedade em constante transformação, altamente consumista e regida por valores como a fama, o dinheiro e o poder. Ao som de músicas dos anos 60, 70 e 80, o narrador e os seus amigos acabam por se envolver num caso de homicídio, cujo desfecho só pode ser imprevisível e demolidor.

Adorei vários pormenores deste livro, mas destaco toda a aura que o Hotel Golfinho transmite, os mistérios que encerra e a relação que o protagonista enceta com a recepcionista do hotel, que embora seja estranha não é tão estranha quanto a sensitiva Yuki ou a mãe desta, Ame. Também a brincadeira do autor com o pai da menina, Hiraku Makimura, que não é mais que um anagrama do seu próprio nome.

O que mais me impressiona é mesmo a escrita do autor, tão cheia de significados e que obriga à reflexão, ao mesmo tempo fluída e filosófica, suave, que nos faz sentir tão leves que quase conseguimos voar durante a sua leitura. Dança, Dança, Dança é mais um livro incrível do autor japonês e não certamente depressa não me cansarei de o revisitar, com a conveniente margem de distância.

Avaliação: 9/10

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